Home»PodCast»‘Egocrata’ tenta obter o poder absoluto no Brasil

‘Egocrata’ tenta obter o poder absoluto no Brasil

0
Shares
Pinterest Google+

Aventura bonapartista?

Egocrata tenta obter o

poder absoluto no Brasil

O que há em comum entre as crises dos anos de 1964, 1977, 1984, 2016, 2018 e 2021?

 

Podcasts

Jardel Sebba


David Maciel

 

Frederico Vitor de Oliveira

 

Carlos Ugo Santander

 

Renato Dias

Com 325 mil mortos. Além de 30 mil casos subnotificados. Sob a Pandemia do Coronavírus Covid 19. Uma suposta ‘gripezinha’.  A queda de 4,1% do PIB. Mais: a escalada do desemprego. Com 14,3 milhões de atingidos. Dados do IBGE. A volta ao Mapa da Fome da ONU. O retorno da inflação. Assim como a explosão do dólar, euro e libra. A elevação, pelo autônomo Banco Central, da taxa de juros. Um ‘mix’ de fuga de investimentos, desindustrialização do País e reprimarização da economia nacional. Mesmo com o cenário crítico, de caos, o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, tenta um autogolpe. Para a instalação do Estado de Sítio. O que lhe daria um poder absoluto. Isolado, com a renúncia de Fernando Azevedo, ministro da Defesa, de Edson Pujol, ministro do Exército; Ilques Barbosa,  ministro da Marinha;  e Antônio Carlos Bermudez, ministro da Aeronáutica. Renúncia coletiva. Histórica. Desde 1889. O inquilino do Palácio do Planalto ensaiou aventura bonapartista. Para decretar o Estado Nacional de Mobilização, pairar acima do STF, Congresso Nacional, as 27 unidades da federal e dos 5.570 municípios do Brasil. O seu passo deu errado. Até quando? A novela terá novos capítulos.

Jair Messias Bolsonaro
Jair Messias Bolsonaro

Graduada em História na Universidade Federal de Ouro Preto, mestre em História na Unicamp e doutora em Letras, na Universidade Federal de Minas Gerais,  a professora da UFG, Alcilene Cavalcante, informa que o capitão reformado do Exército Brasileiro pode ter errado a dose, ser alvo de impeachment, no Parlamento, ou de uma saída negociada do Palácio da Alvorada. Ele promove, hoje, o desmonte do Estado Nacional, denuncia a pesquisadora. Com a desnacionalização  da Economia, atira.  A entrega do patrimônio nacional ao capital internacional, ela fuzila. Uma agenda política neoultraliberal, resume.  Sem precedentes na História da República, metralha. Nem no campo da UDN, insiste. Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia  engavetou dezenas de pedidos de impeachment, recorda – se. Jair Bolsonaro possui um histórico de atentados à democracia, lembra. Personagem que destrói a imagem do Brasil no mundo globalizado, afirma. Com as suas políticas ambientais devastadoras,  antiecológicas, lamenta.  Para incitar o ódio, desabafa.  Os seus filhos interferem no rumo da gestão,  sem um mandato para a missão, o que significa motivo para destituí-lo da função, acredita a docente.

Alcilene Cavalcante
Alcilene Cavalcante

Professor aposentado da Universidade Estadual de Londrina, André Tsutomu Ota admite que a Carta Magna de 1988 é tutelada. As Forças Armadas têm direito de intervenção na vida política e não podem ser processadas, analisa. O Exército Brasileiro possui tradição golpista, conceitua.  A  serviço das frações mais retrógradas do país, ele observa.  A submissão das PMs ao poder central teria sido efetivada em 1966, relata. Hoje, como as SSs, elas e as polícias civis estão caminhando para um comando único, alerta. A Alemanha, sob o tacão nazista, também foi silenciada, denuncia. A destruição dos sindicatos, dos mais simples direitos econômicos, obriga a maioria da população a buscar mecanismos de sobrevivência, pontua. O esvaziamento das lutas políticas e a redução do protagonismo das esquerdas descoordenam possíveis focos de resistência, sublinha. Não importa o que ocorre, para onde os EUA forem o Brasil irá atrás, registra. A política de desindustrialização compõe o projeto imperialista de longo prazo, afirma. Para reduzir o Brasil a simples produtor de commodities do setor primário, insiste. “É o sonho da burguesia exportadora e importadora, do setor financeiro e do capital internacional”.

André Tsutomu Ota

O professor doutor da UFG, de linhagem trotskista, Humberto Clímaco, é taxativo. Somente quem pode derrubar Jair Bolsonaro e abrir uma saída democrática, de justiça social e igualdade é a população nas ruas, aponta. As elites se ajeitarem com os militares para colocar Hamilton Mourão, vice e general do EB,  significaria suposta mudança para continuar tudo como está, avalia o marxista. O ‘Centrão’ já aprovou a pauta econômica regressiva de Paulo Guedes, destaca. O PT, com Luiz Inácio Lula da Silva, deve se colocar na vanguarda para derrubar o atual presidente da República já, calcula. Nada de participar de cogestão da crise com o governo federal, recomenda. As tentativas da direita tradicional e da esquerda, de tentar passar tranquilidade ao garantir que não haverá golpe, ignoram que o ex-cadete às vezes recua e depois dobra a aposta, pondera. Isolado no Congresso Nacional, ele ativa os militares, analisa. Acuado nas cúpulas militares, investe no controle das PMs, diz. Não dá para a esquerda, sindicalistas, trabalhadores, sem teto, terras e estudantes ficarem em casa, propõe. Nenhum dia a mais, testagem em massa, vacina a todos pelo SUS, auxílio emergencial e Lula Livre, atira.

Humberto Clímaco
Humberto Clímaco

O doutor em Ciências Políticas da UFG, Pedro Célio Alves Borges, explica que a crise política de março de 2021 há pouco em comum com 1964. Quase nada, sintetiza. No plano internacional, sem guerra fria [1945-1991], recorda-se.  À vontade golpista de Jair Bolsonaro e da extrema direita faltam, porém, as  condições políticas, observa. “Com tendência de manutenção da constitucionalidade da política e da democracia”. O projeto do ‘Bolsonarismo’ não irá longe, insinua. Ele aborda que inexistem, hoje, situações indicativas para um impeachment, com a ausência de oposições de massas nas ruas ou de lideranças com alternativas viáveis ao atual governo federal. Mais que isso, o rito para o impeachment está bloqueado desde a costura de Jair Bolsonaro com as forças do Centrão no Congresso Nacional, relata. O intelectual vê ainda a desarticulação dos movimentos populares e da esquerda, que não se restabeleceram da crise de hegemonia que as abateu, por meio das derrotas impostas ao PT desde 2013. Das pancadas pelo exercício do poder, lembra. Não dá mais para sustentar discursos de mudança no país confiando somente no ‘Lulismo’, por maior que seja a popularidade do ex-presidente, sublinha

Pedro Célio Alves Borges
Pedro Célio Alves Borges

Procurador do Estado de São Paulo [SP] aposentado, José Damião Lima Trindade detecta, sim,  similaridades entre as crises políticas de 1964 e 2021. As classes dominantes civis bajulam de novo os generais, explica. Os militares se comportam como tutores políticos e econômicos do Brasil, analisa o jurista. Tanto o oficialato das Forças Armadas como o das PMs foram e continuam formados sob a ‘embriaguez da ideologia anticomunista, antipopular, antinacional e pró – Estados Unidos das Américas’, diagnostica.  O operador do Direito relata que os conceitos lhes são destilados nas academias militares desde 1954. Nenhum governo posterior à ditadura civil e militar mudou os currículos e conteúdos de ensino  das academias, lamenta. Omissos,  ataca. Pusilânimes, vocifera. Pagamos o preço, ele critica. O silêncio e a desmobilização das ruas seriam a colheita tardia de 15 anos de políticas públicas paternalistas, desmobilizadoras, coniventes com o analfabetismo político das populações pobres, crê. Se não tem generais, pelo menos coronéis, majores, capitães, tenentes, que sejam, desabafa. Desde as fogueiras purificadoras de 1964, que expulsaram quase 7 mi oficiais das Três Armas, há quem reze  pelo ressurgimento de suposta ‘ala democrática’ no interior das Forças Armadas, ironiza.

José Damião Lima Trindade
José Damião Lima Trindade

Não temos, em março de 2021, as condições ortodoxas da chamada ‘tempestade perfeita’ para a execução de um golpe, calcula o ex-secretário de Estado da Cultura, ex-presidente da UBE, prêmio Jabuti de 2021, Edival Lourenço. O impeachment, hoje, é mais provável do que um autogolpe, explica. O PIB, a força econômica, industrial, financeira e de serviços do Brasil, estaria mais confortável com a moderação de Hamilton Mourão do que com a insensatez desvairada de Jair Bolsonaro, admite. O que mais desmobiliza as pessoas é o pavor da Pandemia do Coronavírus Covid 19, narra. Não creio que a Câmara dos Deputados e o Senado da República aprovem o Projeto de Lei de Mobilização Nacional, afirma. Apesar da gana autocrática do presidente da República e das singularidades provocadas pela conjuntura, é de média a baixa a probabilidade de que as Forças Armadas embarquem em aventura golpista, acredita. O ex – titular da Secult diagnostica a ascensão global de um pensamento de direita radical tradicionalista. Jair Bolsonaro é filiado à essa corrente estapafúrdia e viu na Pandemia o momento ideal para promover a matança preconizada pelas ideias que o orientam, dispara.

Edival Lourenço
Edival Lourenço

O presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, com sede em Porto Alegre [RS], Jair Krishke, aponta o elo de 1964, golpe de Estado civil e militar, e a aventura antidemocrática de 2021. Não houve Justiça de Transição, pontua.  O que ocorreu foi uma ‘safada transação’, avalia. Os militares apenas desocuparam a praça, sublinha. As Forças Armadas seguem nos assombrando, destaca o pesquisador e ativista latino-americano. De tempos em tempos, reclama. Para o mal de nossos pecados políticos, o Brasil elegeu, por ação ou omissão, um capitão fajuto, boçal e incapaz, com vocação  ao autoritarismo, fuzila. Parte da caserna já entende a enrascada em que se meteu, define.  Historiador, Reinaldo Pantaleão narra contextos diferentes. A identidade é a direita pronta para deflagrar uma ofensiva ultraconservadora, ataca. A ausência das esquerdas nas ruas é motivada pela maior crise sanitária e de saúde pública da História, reflete. O professor calcula que, sem apoio da cúpula das Forças Armadas, a operação não terá êxito. As PMs, isoladas, não possuem capital para  eventual golpe, argumenta. “O cenário internacional, as crises econômica, social, ambiental, além da disputa de narrativas tornam a sua vitória improvável”. O fascismo é perigoso. É a definição formulada por Marcos Roberto Dias Batista. Graduado em Ciências Biológicas, na Unicamp, doutor em Genética e Biologia Molecular, na mesma instituição de ensino superior, em Campinas [SP].

_ O que é inaceitável.

Jair Krishke
Jair Krishke

 

Reinaldo Pantaleão
Reinaldo Pantaleão

 

Marcos Roberto Dias Batista
Marcos Roberto Dias Batista
Previous post

História do rock em Goiás

Next post

De Pederneiras ao Antônio Aciolly

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *