Home»Esporte»Pai morre sem saber do óbito do seu filho

Pai morre sem saber do óbito do seu filho

1
Shares
Pinterest Google+

Coronavírus

Pai morre sem saber

do óbito do seu filho

Quem irá enxugar as lágrimas de Alba Diniz, viúva, conter o pranto de Ludmilla Diniz, filha, e acalmar o coração de Maria Rosa [Dona Cota], a mãe quase centenária?

 

 

 

 

Renato Dias

O pai morreu, nesta segunda-feira, triste dia 12 de abril de 2021, no Hospital Jacob Fakouri. De complicações do Coronavírus Covid 19. Drama: sem saber que o filho já havia sido sepultado. No Jardim das Palmeiras.  Causa mortis: a mesma. Cemitério em que havia enterrado o seu velho pai. Década de 1990. Em Goiânia. A capital fundada em 1933. Pelo médico Pedro Ludo­vi­co Teixeira. O interventor de Getúlio Vargas. Em Goiás. A sua mulher, que enfrentou  infecção nos pulmões, sobreviveu. A filha, idem. Aflita, solitária no socorro aos pais, apesar do amplo su­porte médico da família, acabou por contrair o mal dos anos 2019, 2020 e 2021. À beira de completar 100 anos de História e vida, a sua mãe, nada sabe. Das sucessivas tragédias. No clã.

É a história do ex-presidente do Vila Nova Futebol Clube: Paulo Miguel Diniz. A maior paixão do Centro-Oeste do Brasil. Tricampeão brasileiro. Campeão brasileiro, sul-americano e da Taça Ivan Raposo de Basquete, em 1973. Com 15 campeonatos estaduais. O primeiro tricampeão do Estado. O número um da lista a participar de uma competição nacional. Ano: 1963. O time que saiu na frente na conquista do tetracampeonato [1977, 1978, 1979, 1980]. O primeiro a disputar um certame internacional, da Conmebol [1999]. O maior público presente no Estádio Serra Dourada, o Templo do Futebol Goiano, por anos o melhor gramado do Brasil, dos últimos 12 anos consecutivos: 45 mil torcedores. Com o manto sagrado. Vermelho e Branco. Em 2015.

Paulo Diniz

 

Aos 71 anos de idade, Paulo Diniz graduou-se em Direito, exerceu o cargo de Fiscal de Renda, ocupou a função estratégica de diretor da Receita Estadual. Assim como o posto de Secretário de Estado da Fazenda _ interino. Especialista em Direito Empresarial e Tributário, ele se casou com Alba Diniz, em 1977. Com quem teve dois filhos: Paulo Júnior e Ludmilla Diniz. O operador do Direito é filho da educadora Maria Rosa de Oliveira e de Delfino Teodoro. Com cinco irmãos. Sérgio Diniz, médico; Roberto Diniz, médico; Clóvis Diniz, formado em Direito e servidor da Procuradoria do Estado; Rogério Oliveira Diniz, empresário radicado, hoje, nos Estados Unidos das Américas. Além da empresária, professora de Educação Física Fátima Diniz.

Paulo Diniz impulsionou a formação do G-7. No ano de 2001. Com Urildo Campos, Walter Massi, José Eduardo Castroviejo Vilela, Renato Dias, Sebastião Ramos Geso de Oliveira, Leonardo Rizzo, José Martinez Ruiz. Para recuperar as finanças e a administração do Vila No­va. Depois, assumiu a presidência-executiva. A área do Centro de Treinamento, a Toca do Ti­gre, foi descoberta por seu irmão, Clóvis Diniz. É a sua principal conquista. O desembargador, pa­dri­nho do seu casamento, ex-presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, Gilberto Mar­ques, marcou uma audiência. No Palácio das Esmeraldas. O inquilino da Casa Verde, Marco­ni Perillo, doou a área. Ao lado da atual sede do Tribunal de Contas do Estado _ 2003.

Ao deixar a presidência-executiva, virou presidente do Conselho Deliberativo. Em 2004 e 2005. O Vila Nova foi vice-campeão estadual, em 2004, e campeão goiano em 2005. Conselheiro grão-benemérito, o dirigente histórico reassumiu o cargo: 2012 e 2013. Ele presidiu a sessão que aprovou o impeachment de Eduardo Barbosa. Por desviar recursos  do  Vila Nova para bol­sos privados. Um time pobre, de linhagem operária.  Com ideias e contribuições financeiras, no seu limite, auxiliou as conquista do tricampeonato  brasileiro da Série C e do vice-campeonato bra­si­leiro de Aspirantes: 2021. Os jogadores do time titular entraram na Copa do Brasil, deci­são contra o Juventude [RS], com uma faixa. _ # Força, Paulo Diniz. O seu coração estava no fundo das redes adversárias e nas mãos de Georgemy. O goleiro que defendeu dois pênaltis.

Símbolo do Vila Nova _ 3

 

_ A pergunta que não quer calar é: quem irá enxugar as lágrimas de Alba Diniz, viúva, conter o pranto de Ludmilla Diniz, filha, e acalmar o coração de Maria Rosa [Dona Cota], a mãe quase centenária?

 

Homenagem dos atletas a Paulo Diniz _ 4

 

 

Previous post

Olhares sociológicos

Next post

Cineasta retrata a ‘campanha’ doe ouro para o bem do Brasil

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *