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O horror do Estado

Bob Marley – No Women No Cry

Renato Dias 

Trinta mil desaparecidos políticos, dois mil mortos, 500 bebês de ativistas de esquerda sequestrados e mais de mil presos enviado aos voos da morte no Rio de La Plata. Assim foi o golpe de Estado de 24 de março de 1976 na Argentina com apoio econômico e militar dos EUA.

Fardados e civis derrubam a presidente da República, Isabelita Perón, viúva de Juan Domingos Perón, morto em 1974, e instalam uma ditadura que dura sete anos consecutivos. O primeiro general a entrar cena é Jorge Rafael Videla. O regime cai em 10 de dezembro de 1983.

A humilhação das Forças Armadas do país na Guerra das Malvinas [Ilhas Falkland] contra a Inglaterra, no ano de 1982, sob a Era Margareth Thatcher, a Dama de Ferro, a escalada da crise econômico e o isolamento internacional aceleram a queda da sórdida ditadura.

Margareth Thatcher: neoliberalismo [1979-1991]

Da União Cívica Radical [UCR], Raul Alfonsim é eleito novo inquilino da Casa Rosada. Ele assume o cargo em 10 de dezembro de 1983. Assim como anuncia a criação da Comissão Nacional do Desaparecido Político [Conadep]. Além de restabelecer a frágil  democracia.

As Forças Armadas possuem tradição de golpes de Estado na Argentina. Hipólito Yrygoen é deposto em 6 de setembro de 1930. Juan Domingos Perón cai em 23 de setembro de 1955. Arturo Frondizi é deposto em 29 de março de 1962. Arturo Ilia é afastado em 28 de junho de 1966.

Nobel de Literatura, Ernesto Sabato entrega em 20 de setembro de 1980 o Relatório Nunca Más. O documento faz um diagnóstico das graves violações dos direitos humanos no país do Cone – Sul, de 1976 a 1983, e deflagra o pioneiro processo de “Justiça de Transição”.

O relatório Nunca Más permite que os promotores de Justiça Luís Moreno Ocampo e Júlio Strassera levem para o banco dos réus, em 1985, as juntas militares. O ditador Jorge Rafael Videla é condenado à prisão perpétua. Ele morre aos 87 anos. Em 2013. Atrás das grades.

Com anuência da Casa Branca, o Brasil sofreu um golpe de Estado civil e militar em 2 de abril de 1964. Mais: a República Dominicana, 28 de abril de 1965. Bolívia, 22 de agosto de 1971. Chile, 11 de setembro de 1973. Paraguai e Nicarágua possuíam longevos estados autoritários.

Daniel Aarão Reis Filho 

‘Investigar a colaboração da sociedade com a ditadura’ 

O professor doutor da Universidade Federal Fluminense [UFF], Daniel Aarão Reis Filho, diz hoje a www.renatodias.online que é indispensável continuar amplas pesquisas na Argentina, apesar da Justiça de Transição, para diagnosticar a colaboração da sociedade com a ditadura civil e militar de 1976 a 1983.

Ditadura das mais ferozes da América do Sul, pontua. Os governos que a sucederam foram só gestores da ordem, lamenta. O que contribuiu para levar ao poder Javier Milei, de extrema direita, observa. Um homem enlouquecido que impõe reformas duras, denuncia. Ele obtém ainda alto índice de aprovação, vê.

Tanto na Argentina quanto no Brasil, as esquerdas deveriam recuperar a sua vocação para executar um projeto de combate às desigualdades econômicas e sociais, propõe o historiador. Assim como à hegemonia do capital financeiro, alerta o intelectual público. Com um viés contra as arbitrariedades do exterior, diz.

Economia e Justiça de Transição 

Professor doutor, hoje, da Faculdade de História da Universidade Federal de Goiás [UFG], David Maciel observa que é preciso não esquecer dos danos econômicos, políticos e sociais produzidos pela última ditadura na Argentina. De 1976 a 1983.

Pesquisador do Tempo Presente, ele lembra que o País é também o primeiro do Cone-Sul, a processar, julgar e condenar, com a Justiça de Transição, os responsáveis por rupturas Institucionais e graves violações dos direitos humanos.

Trata-se de um dos episódios mais nefastos, obscuro até, da História da Argentina e da América Latina, analisa o peruano professor doutor da Faculdade de Ciências Sociais da UFG, Carlos Ugo Santander. Tragédia, denuncia. “Bárbaro”.

A ditadura civil e militar à época efetuou um processo de desindustrialização e de desnacionalização da economia, critica. Com 30 mil mortos e desaparecidos, o país exige ainda políticas públicas de memória, verdade e justiça, ele afirma.

Carlos Ugo Santander, professor doutor da UFG

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