
Renato Dias
Referência hoje tanto para o presidente da República dos EUA, Donald Trump, quanto para Jair Messias Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, perdeu as eleições e sairá do poder após 16 anos no cargo. O Tiszda, sob o controle do advogado Peter Magyar, líder das oposições, ganhou mais de 2/3 para o parlamento. Quórum exigido para mudanças constitucionais.

A derrota espetacular do premier é um duro golpe à extrema direita global. O seu modelo de Estado, uma democracia iliberal, com hipertrofia do executivo, centralização do poder, culto à personalidade, submissão do Judiciário, ausência de independência, autonomia e soberania do Legislativo, imprensa dócil controlada por oligarcas já alinhados ao autocrata. O Fidenz tem aversão à Europa e aos valores universais da democracia

A escalada autoritária reduziu o Estado de Direito. A xenofobia destilou ódio aos imigrantes. Adeptos do Islã foram alvos. Narrativas conservadoras atingiram as comunidades LGBTsQIAP+. Budapeste estava mais perto da Casa Branca e até do Kremlin e bem distante de Paris, Londres, Berlim, Bruxelas. Uma zona de desconforto para a Europa. Em tempos sombrios de guerra na Ucrânia e Oriente Médio. Centenas de milhares de mortos.

A instabilidade da economia, alta de 5,3% nos preços dos alimentos, de 6,4% nos valores do gás, eletricidade e combustíveis, desemprego de 7,8%, a falta de empregos para a população de 15 a 26 anos, assim como a degradação dos serviços públicos, como transportes e educação e a suspensão do repasses de recursos financeiros da União Europeia contribuíram para o resultado amargo à extrema direita nas urnas.


Derrota atinge extrema direita
Daniel Aarão Reis Filho, professor doutor do Núcleo de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense [UFF], lembra que a Hungria é um pequeno país do leste europeu em que a figura de Viktor Orban obteve projeção mundial pelo tempo que permaneceu no poder: 16 anos. É invenção do húngaro as experimentações que a extrema direita global realiza como a denominada “democracia iliberal”, argumenta.

Os seus métodos incluem assediar as instituições da República, a partir de uma suposta maioria confortável no parlamento, uma política bem elaborada de propaganda nacionalista e ainda de mobilização em larga escala. Assim como das guerras contra o “pensamento woke” e os imigrantes. Viktor Orbán se tornou um símbolo, uma espécie de mentor e terá forte impacto a sua queda, fuzila. “A derrota é detalhe simbólico”.
Narcisista, autoritário, Donald Trump perdeu a capacidade cognitiva e se encontra em estado deplorável de saúde mental, dá seu parecer Daniel Aarão Reis Filho. As direitas no Brasil são um fator de preocupação, alerta. As esquerdas perderam a capacidade de promover mudanças profundas, de suscitar esperanças e viraram gestoras da ordem, desabafa. Outubro será páreo duro, prevê. “Flávio Bolsonaro é assustador”.

Professor doutor de História do IFMS, com estágio pós-doutoral na PUC Goiás, Makchwell Coimbra afirma que a derrota de Viktor Orbán, depois de 16 anos no poder, pode ser interpretada como um sinal de desgaste de projetos políticos de caráter mais radicalizado. Há um ciclo recorrente, define-o. “Forças políticas e sociais que ascendem com forte apelo mobilizador, atingem um ápice, enfrentam limites e perdem fôlego”.

O que não significa o fim da extrema direita global, pondera. Apesar de indicar também um momento de inflexão e de possível reconfiguração, frisa. Já o cenário de Donald Trump é distinto, atira. O “Trumpismo” é fundado na lógica da construção permanente de antagonismos, sublinha. “Nós contra eles”, ele relata. O que garante elevada capacidade de mobilização social mesmo fora do poder, adianta o docente.
Com Jair Messias Bolsonaro, a extrema direita mostrou limites em seu projeto de poder, aponta Makchwell Coimbra. Dificuldades em transformar apoio político em estabilidade institucional, vê. O historiador registra que as direitas estão fragmentadas, em disputa, e que seria precipitado afirmar que ela não voltará ao Palácio do Planalto. O futuro do campo depende de sua capacidade de criação de uma alternativa viável, crê.

A derrota do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, impacta a extrema direita global, revela com exclusividade a www.renatodias.online o professor doutor da Faculdade de História da Universidade Federal de Goiás [UFG], David Maciel. O intelectual público teme que Péter Magyar não promova o desmonte da institucionalidade autoritária criada nos últimos 16 anos. O opositor é um dissidente do Fidesz.

O pesquisador do Tempo Presente observa que Donald Trump caminha para ser derrotado nas eleições legislativas de novembro de 2026. Veja: o que abriria a possibilidade de aprovação de seu impeachment, pontua. Uma mudança relevante no plano internacional, ele sublinha. A extrema direita pode vencer as eleições de outubro no Brasil, alerta. O atual favoritismo de Luiz Inácio Lula da Silva é precário, frágil, afirma.

O professor doutor de Ciências da Religião, Antônio Lopes, avalia que a derrota na Hungria, de Viktor Orbán, farol mundial da extrema direita, é um sopro de esperança e uma fagulha que incendeia a utopia pela construção de um projeto fundado no Estado Democrático, na distribuição de renda, poder e direitos, baseado na equidade e na paz. Agenda longe de retrocessos, escaladas autocráticas, pós-modernos, fuzila.

Narcisista branco, supremacista racial, bilionário, não republicano, o autocrata Donald Trump insiste hoje em ameaçar e brincar com a segurança e a reprodução da vida no Planeta Terra, formula ácidas críticas o escritor. A extrema direita no Brasil é tosca, retrógrada, sem projeto estratégico para o país, metralha. O caminho é virar à esquerda, aprofundar as mudanças estruturais no capitalismo e acelerar a inclusão cidadã, propõe.

Dicas de leituras
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Nações, Estados Nacionais e Imperialismo
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A esquerda no divã
A derrota da extrema direita, de Viktor Orbán, é simbólica, analisa o professor de História, Reinaldo Pantaleão. Marxista, ele diz não ter ilusões em Péter Magyar, que obteve vitória nas urnas, na Hungria. Um ex-integrante do Fidesz, explica. A unidade é a tática, o caminho, para derrotar a dividida extrema direita no Brasil, com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, crê. Eleição não é revolução, diz.

Advogado, Fernando Dolci vê reflexos das eleições na Hungria na extrema direita internacional. Até nas urnas eletrônicas de outubro de 2026 no Brasil, admite. As redes digitais e os monopólios de mídia, financiados pelo capital, influenciarão o processo no país, denuncia. O que eleva o risco da famiglia Bolsonaro voltar ao poder, alerta. Fake News e o púlpito dos neopentecostais nos ameaçam, atira.

Sai a extrema direita e assume a centro-direita, com a OTAN, mais ou menos civilizada, dá o diagnóstico Rosemar Cardoso Maciel. A expectativa é que Donald Trump perca as eleições em novembro, frisa. Luiz Inácio Lula da Silva deve aproveitar a divisão das direitas e ganhar no primeiro turno, orienta o sindicalista de esquerda. Ele deve se preparar para os debates, pontua.

A extrema direita ensaia promover a terceira guerra mundial e a sua saída do poder na Hungria, referência para os radicais no mundo, constituem um alento, observa Arthur Otto. O projeto de Viktor Orbán, o sionismo de Benjamin Netanyahu, a autocracia de Donald Trump e o fascismo do clã Bolsonaro é apocalíptico, protesta. A sua marca é a “insanidade política”, eleva a crítica















