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Desaparecido no cartaz

Renato Dias

Chico Buarque, Apesar de você

Desaparecido em 10 de outubro de 1973, sob a ditadura civil e militar, à época clandestino e presidente da União Nacional dos Estudantes [UNE], Honestino Monteiro Guimarães teria sido preso, torturado e executado extrajudicialmente. Mais: os seus restos mortais nunca foram encontrados. Para o rito do sepultamento e luto. Ele integra ainda a lista oficial dos mortos e desaparecidos da Lei 9.140, de 10 de dezembro de 1995. Além da relação das vítimas do Brasil Nunca Mais e Perfil dos Atingidos, organizados pelo cardeal de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns e reverendo Jaime Wright, publicados em outubro de 1985. Assim como do Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade anunciado em 10 de dezembro de 2014. A CNV foi instalada, em maio de 2012, como Comissão de Estado pela presidente da República, Dilma Rousseff.

Nascido no município de Itaberaí, a apenas 99,8 quilômetros de Goiânia, no Estado de Goiás, ele se transferiu com a fa­mí­lia para Brasília [DF]. A capital da República, sede do poder político do País, inaugurada, em 21 de abril de 1960, pelo bos­sa-nova Juscelino Kubistcheck. Logo depois, ingressa no curso de Geologia na Universidade de Bra­sília [UnB]. Antes, fardados e civis derrubaram em um golpe de Estado em 2 de abril de 1964 o presidente da República, João Belchior Marques Goulart. Um nacional-estatista desenvolvimentista em sua versão trabalhista. Herdeiro de Getúlio Vargas, o ‘Pai dos Pobres’, tentou aprovar as reformas de base. Ele se indispôs com as Forças Armadas, Fiesp, EUA, CNBB, OAB, ABI, conglomerados de comuni­cação, como O Globo, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo que promoveram a sua queda do poder.

Eleito presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília [FEUB], ativista da Ação Popular [AP], braço à esquerda da Igreja Católica com forte inclinação pelo socialismo, adepto de uma leitura do mundo com os conceitos de Karl Marx [1818-1883], ele protagonizou uma resistência épica em 1968. O ano que não terminou, como anotaria Zuenir Ventura. A repressão política e militar invadiu a UnB. Estudantes apanharam e foram obrigados a colocar as mãos na cabeça em fila indiana. Imagens imortalizadas no filme ‘Barra 68, Sem perder a Ternura’, um documentário histórico de 82 minutos, lançado no ano de 2001, pelo cineasta Vladimir Carvalho, morto em 2024, aos 89 anos. Uma intervenção havia liquidado também com o projeto origi­nal e democrático para a instituição de ensino superior [IES], desabafou o antropólogo Darcy Ribeiro.

À época de seu “sumiço”, Honestino Monteiro Guimarães, Guimarães já fazia parte da Ação Po­pu­lar Marxista-Leninista. Ao lado de Paulo Stuart Wright, irmão do reverendo da Igreja Pres­bi­teriana Jaime Wright, e de Jair Ferreira de Sá, historiador, por exemplo. A AP-ML era a fração da AP que se recusou a ser incorporada ao PC do B. A incorporação à legenda da foice e do martelo fundada em 1962, um ‘racha’ à esquerda do PCB, o ‘Partidão’, e que promoveu de 1966 a 1975, a guerrilha do Araguaia, ocorrera no ano de 1972. Sob o mandato do general-presidente da República, Emílio Garrastazu Médici. Tempos sombrios aqueles. Os militantes da AP que foram à nova sigla: Aldo Silva Arantes, ex-presidente da UNE em 1961, Haroldo Lima, Renato Rabelo, João Batista Franco Drummond, Euler Ivo Vieira, ex-diretor da UBES, e também Isaura Lemos.

Filme de Aurélio Miquilles, com o ator Bruno Gagliasso como protagonista, em uma interpretação visceral, o longa ‘Honestino’ estreia, com exibição especial limitada a convidados, na quinta-feira, dia 13 de agosto, às 19h, no Aurum Cinema, Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia. Em tempo: com o serviço de divulgação assinado pela tradicional empresa de mídia Palavra Comunicação, das jornalistas Alessandra Câmara e Bia Tahan. Tanto o diretor quanto o protagonista participarão da noite, elas informam a www.renatodias.online . Premier exclusiva. Anistiado político, o professor de Arquitetura, mestre e doutor em Economia e Planejamento Urbano, Lenine Bueno Monteiro, ex-estudante da UNB e à época companheiro de Honestino Monteiro Guimarães, exilado político no Chile e Europa, estará no evento, no Aurum Cinema.

Premier exclusiva: ‘Honestino’

Presenças: Aurélio Michiles e Bruno Gagliasso

Data: quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Horário: Aurum Cinema

Local: Centro Cultural Oscar Niemeyer

Entrada: Somente convidados

Divulgação: Palavra Comunicação

Desaparecido – Itamar Correia Viana Filho

Dica de leitura

Paixão de Honestino

Capa do livro

De Betty Almeida

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