Ucrânia, Irã, Iraque, Palestina, Iêmen, Síria, Líbia, Líbano, Israel sob a lente do jornalista, fotógrafo e documentarista

Renato Dias

A guerra não é bombas, tiros, explosões, cadáveres 24 por dia, ela traz silêncios. É o que afirma com exclusividade ao Portal de Notícias www.renatodias.online o jornalista, fotógrafo e documentarista Gabriel Chaim. É possível que em 30 dias não ocorra nada, informa após chegar do sul do Líbano. Região no Oriente Médio devastada por ataques de Israel.

Com 74 mil mortos, 150 mil feridos e amputados, milhares de órfãos, 80% da Faixa de Gaza destruída, ocupação territorial na Cisjordânia, fome e sede como armas de guerra, o que houve na Palestina foi sim um genocídio, observa o principal repórter do Brasil especializado em cobertura de guerras e de conflitos violentos em andamento no mundo.

Ele conta participar do sofrimento e da dor, mesmo sob o risco de encontrar a morte, ao sentir o cheiro de pólvora queimada, das mães que perderam os seus filhos e dos gritos desesperados das crianças que testemunharam a morte dos seus pais. Mesmo assim, eu posso fazer uma saída de emergência, diz. “Já a população civil pobre vítima da violência dos ataques não pode”, atira.

O meu papel é egoísta, admite em uma leitura psicanalítica. Fundada nas ideias de Sigmund Freud. O fotógrafo documental relata que faz uma ponte entre as vítimas e os responsáveis pela produção da tragédia. Pela desconstrução humana, conceitua. O caos apocalíptico, define-o. O ocidente tende também a desmerecer a dor das pessoas de uma população que não é ocidental, sublinha.

Em diálogo aberto, o autor confidencia também que gosta de papel, caneta e texto. Experiente, pontua ter chegado dois dias antes do início da guerra na Ucrânia. O conflito bélico no leste europeu começou em 4 de fevereiro de 2022. Apesar de não existirem números oficiais, a estimativa é que a estatística de mortos teria atingido um milhão, acredita. A capital Kiev está destruída.

Depois de anos na estrada, Gabriel Chaim conta que não chega em uma guerra e parte de imediato para o front. Sem vínculo orgânico com os conglomerados de comunicação, nem a pressa do editor para o fechamento da edição, o profissional explica que possui tempo para a cobertura. Eu tenho tempo para fotografar, metralha o jornalista.

Em uma autoanálise, o profissional de comunicação e arte revela que Gabriel Chaim é outro depois das coberturas de guerras. Cáustico, diagnostica ainda que o presidente dos Estados Unidos das Américas [EUA], Donald Trump, republicano, possui interesses econômicos na Venezuela. A referência é ao petróleo. A maior reserva dos mundo de combustíveis fósseis.

Observador da geopolítica mundial, Gabriel Chaim alerta que não descarta a possibilidade de o Brasil ficar sob a mira da Casa Branca depois de o Departamento de Estado tipificar o Comando Vermelho [CV] e o Primeiro Comando da Capital [PCC], organizações criminosas do Brasil, como grupos terroristas, em operação no mundo. [Nota do editor: Donald Trump já teria insinuado]

O primeiro – ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, quer manter a guerra permanente, hoje no Líbano, apesar do acordo de paz celebrado entre Teerã e Washington, destaca. É uma estratégia para a sua manutenção no poder, frisa. Israel estabeleceu censura para impedir o envio ao exterior de imagens de destruição no país provocada pelos aiatolás, desabafa.

O autor de 10 Anos de Guerras Sem Fim, Vento Leste, mostra que a República Islâmica do Irã financiaria as milícias dos insurgentes Hamas, da Palestina, Hezbolah, do Líbano, Houthis, do Iêmen. Mais: o pesquisador pontua que o Hezbolah promoveria o tráfico de drogas na região para obter recursos financeiros. Parte expressiva da população o rejeita, vê.

Exposição: 10 Anos de Guerra Sem Fim
Data: Até 25 de agosto
Local: Centro Cultural Oscar Niemeyer
Horários: As galerias do Museu de Arte Contemporânea (MAC), localizadas no Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON), funcionam de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h
Sábados, domingos e feriados: 11h às 17h
Entrada: gratuita














