História

O maior do Centro-Oeste

Vila Nova Futebol Clube

Renato Dias

O jogo parecia estar liquidado. O seu maior rival vencia aos 11 minutos do segundo tempo por 3 X 0, com um jogador a mais. Anderson Barbosa, atacante, diminuiu aos 12 e aos 19. Já aos 21, o ala esquerda e meia Cacá bateu o escanteio, a defesa retirou e a bola caiu no meio de campo. Leonardo Valença viu o goleiro Adinam adiantado e marcou o gol que Pele não fez. Final: 5 a 3.

O empate eliminaria o clube. A meta era ganhar, avançar à próxima fase e chegar à etapa seguinte da Série C. Com foco em retornar ao Campeonato Brasileiro da Série B. Faltavam apenas três minutos. Alex Oliveira, o camisa 10, deu um passe de letra, de calcanhar. O artilheiro Túlio Maravilha chega, bate de primeira, no canto esquerdo do goleiro do Guarani [SP]: 1 X 0.

Um público total de 45 mil pessoas, o maior dos últimos 15 anos no Estádio Serra Dourada, empurrava os colorados. No jogo de ida, uma derrota. Por uma a zero. Na volta, aos 4 minutos, o adversário faz um gol. Com o apoio da massa, o 12º jogador em campo, uma virada histórica e o título de bicampeão da Série C. O resultado: 4 a 1 contra o Londrina, no ano mágico de 2015.

Sob a Pandemia do Coronavírus Covid 19, o Vila Nova disputou em dois jogos a final do campeonato brasileiro da Série C. Ano de 2021. Contra o Remo. Tradicional time do Pará. Dono de uma torcida apaixonada. O primeiro jogo, no Onésio Brasileiro Alvarenga, 5 a 1. A segunda partida, em Belém, Pará, 3 a 2.  No placar agregado, 8 a 3. Final de certame nacional antológica.

O maior time de futebol do Centro-Oeste do Brasil, tricampeão brasileiro, 15 estaduais, duas divisões de acesso, três copas Goiás, campeão brasileiro e sul-americano de Basquete masculino adulto, campeão da Superliga Nacional C de vôlei masculino adulto, o Vila Nova Futebol Clube completa 80 anos de glórias neste sábado, 29 de julho de 2023. Goiânia amanheceu vermelha. 

De uniforme vermelho e branco, fundado em 1943, no bairro operário da Vila Nova, à época periferia da Capital, que nascera em 1933, trata – se do primeiro tricampeão _ 1961, 1962, 1963 _e tetracampeão _ 1977, 1978, 1979, 1980 _ da Era Profissional. O 1º clube do Estado a disputar uma competição nacional, 1963. O primeiro a participar de um certame internacional, em 1999.

Com a maior e mais apaixonada torcida da região. O público pagante de Vila Nova X Londrina, no Estádio Serra Dourada, Templo do Futebol Goiano, de 45 mil pessoas, não é superado há exatos 15 anos. A agremiação disputou de 1977 a 1985 a Série A, a Divisão de Elite do futebol brasileiro. Tradicional clube da Série B, hoje. Como Sport, Vitória, Guarani, Avaí, Ponte Preta.

Proprietário do Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga, com capacidade para em torno de 14 mil pessoas, possui um Centro de Treinamento moderno. Ônibus de viagem de última geração. Loja Oficial Nação Colorada. Já fabrica o próprio uniforme. Inaugurou um Bar e Restaurante de luxo: Resenha Colorada e inaugurou um complexo de escolinhas para mais de três mil alunos.

O presidente do Vila Nova é Hugo Jorge Bravo. Vice, o deputado estadual Vinícius Cirqueira. O di­re­tor de Comunicação, Romário Policarpo, atual presidente da Câmara Municipal. O presi­den­te do Conselho Deliberativo é o empresário da área de transportes Décio Caetano. A torcedora- símbolo, Joelma Fernandes: Nega Brechó. Torcida organizada: Esquadrão, Velha Guarda, Antifa.

Romário Policarpo _ Vila Nova

Máquina de chegada e conquistas

Campeão Estadual em 1961, 1962 e 1963. Vice em 1965, 1966, 1967. Ele deu a volta olímpica no Goianão de 1969. Segundo lugar em 1970 e 1971. Campeão histórico em 1973, ganha o seleti­vo à Série A e o Goiano, em 1977. Mais: abocanha o Estadual em 1978, 1979, 1980. O troféu Ruy Brasil, 1979.  Quadrangular Adjair de Lima, em 1980. O campeonato goiano do ano de 1982.

Campeão Estadual 1984 e de juniores, em 1985. Brilha na Copa São Paulo de 1988. É vice-esta­dual, 1989. Campeão em 1993, vice em 1994. Campeão, 1995. Brasileiro, 1996. Finalista da Sé­rie B e campeão da Taça Maguito Vilela, 1997. 1998: vice-estadual e da Copa Goiânia, bela cam­pa­nha na B e obtém vaga à Centro-Oeste. 1999, vice estadual, da Centro-Oeste e finalista da B.

Vila Nova em festa no OBA

Em 2000, o Vila Nova é campeão da segunda divisão, campeão estadual juniores e vice da Copa Centro-Oeste. No ano seguinte, campeão estadual e vice da copa Centro-Oeste. Em 2003, campeão juvenil, campeão Centro-Oeste sub-20. Já em 2004, vice-campeão estadual. 2005: campeão estadual e campeão de juniores. 2007: acesso para a Série B do futebol brasileiro.

No ano quente de 2008 fica em sexto lugar no Brasileirão da Série B. A sua melhor classificação no novo módulo. 2013, novo acesso. 2015: campeão brasileiro e campeão da divisão de Acesso. 2017, vice estadual. 2016, 2017 e 2018, boas campanhas na B. 2021: tricampeão brasileiro e semifinalista da Copa Verde. Campeão da Supercopa Sub-17 e do Estadual da FGF Sub – 17.

Em 2021, vice do Campeonato Brasileiro de Aspirantes. Com a derrota somente nos pênaltis. Fora de casa. Vice-campeão estadual, também em decisão nas penalidades máximas. É campeão brasileiro universitário masculino e feminino. Campeão da Copa Brasília de futebol feminino. No Brasileiro da Série B de Basquete enfrentou clubes como o tradicional Botafogo do Rio de Janeiro.

Leandro Bittar, Hugo Jorge Bravo, Fábio Brasil, Vinícius Cirqueira

Sob a presidência de Hugo Jorge Bravo, em 2023, o Vila Nova, na primeira fase da Série B, superou o seu recorde na Era dos Pontos Corridos. Com 35. Após 10 vitórias, cinco empates, a defesa menos vazada, o goleiro que menos levou gols na competição. A agremiação virou de fase no G 4. A luta é para manter e até superar a performance do primeiro. Oxalá consiga!

Renato Dias

Renato Dias, 56 anos, é graduado em Jornalismo, formado em Ciências Sociais, com pós-graduação em Políticas Públicas, mestre em Direito e Relações Internacionais, ex-aluno extraordinário do Doutorado em Psicologia Social, estudante do Curso de Psicanálise do Centro de Estudos Psicanalíticos do Estado de Goiás, ministrado pelo médico psiquiatra e psicanalista Daniel Emídio de Souza. É autor de 22 livros-reportagem, oito documentários, ganhou 25 prêmios e é torcedor apaixonado do maior do Centro-Oeste, o Vila Nova Futebol Clube. Casado com Meirilane Dias, é pai de Juliana Dias, jornalista; Daniel Dias, economista; e Maria Rosa Dias, estudante antifascista, socialista e trotskista. Com três pets: Porquinho [Bull Dog Francês], Dalila [Basset Hound] e Geleia [Basset Hound]. Além do eterno gato Tutuquinho, que virou estrela.

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