Mina que nunca morre

1947-2023

Rita Lee, a eterna subversiva. Desobediente civil

Renato Dias

Veja: uma hippie comunista com um pé no imperialismo. Nascida em 1947, ela fundou, com os irmãos e Arnaldo Dias Baptista e Sérgio Dias Baptista, a banda de garagem ‘Os Mutantes’. Pós – Bossa Nova. Era o ano de 1964. Do golpe de Estado civil e militar. São Paulo, capital. O grupo entrou na vibe do Tropicalismo. O Brasil explodia. Com tanta provocação. Rita Lee em cena. Ela morreu aos 75 e entra para a História do rock’n roll.

Rita Lee

Estuprada aos seis anos de idade, a filha de Romilda Padula e Charles Lee, caçula entre as três do casal, aproxima-se da música no ginásio e colegial e até ensaia fazer o curso de Comunicação. O palco virou a praia da loira com rosto angelical. Uma voz especial. Arnaldo Dias Baptista, o primeiro namorado. Com quem se casou em dezembro de 1971. Relações abertas. Com overdose de sexo, excesso de álcool e drogas por atacado.

Rita Lee

Rebento de uma mãe católica e de um pai que adorava os mistérios da Ufologia, Rita Lee entrou de cabeça em LSD e cocaína. A cantora acabou expulsa de Os Mutantes. Em uma verdadeira balada de louco. Com o cartão vermelho apresentado por sua cara-metade. Sim, ele mesmo: o ‘Loki’ Arnaldo Dias Baptista. A artista seguiu carreira solo e chegou ao Olimpo. Do rock nacional. Da indústria do entretenimento capitalista.

Uma mulher além do seu tempo. Depois de estabelecer uma relação afetiva duradoura com o guitarrista Roberto de Carvalho, ela optou pelo que Sigmund Freud define como Pulsão de Vida e Prazer. Exemplo: amizades coloridas. Léo Jaime, uma delas. Até o fim da vida viveu. Com Roberto de Carvalho, filhos, netos. O adeus às drogas ocorre em 2005. Uma vida louca. Além da caretice. Rita Lee morreu, se é que Rita Lee morre um dia.

Rita Lee

Renato Dias

Renato Dias, 54 anos, é graduado em Jornalismo, formado em Ciências Sociais, com pós-graduação em Políticas Públicas, mestre em Direito e Relações Internacionais, aluno extraordinário do Doutorado em Psicologia Social, estudante do Curso de Psicanálise do Centro de Estudos Psicanalíticos do Estado de Goiás, ministrado pelo médico psiquiatra e psicanalista Daniel Emídio de Souza. É autor de 20 livros-reportagem, oito documentários, ganhou 20 prêmios e é torcedor apaixonado do maior do Centro-Oeste, o Vila Nova Futebol Clube. Casado com Meirilane Dias, é pai de Juliana Dias, jornalista; Daniel Dias, economista; e Maria Rosa Dias, estudante antifascista, socialista e trotskista. 

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