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O penúltimo facínora

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Guerrilha do Araguaia

Cinco fases até a liquidação

A Guerrilha do Araguaia _ 1966-1976

1966_1976

Major Sebastião Curió

Tenente-Coronel Sebastião Rodrigues de Moura, Major Curió

explosivo
explosivo

Renato Dias 

Fundado em fevereiro de 1962, um racha à esquerda do PCB, o Partidão, o PC do B fez a opção pelas armas. A sigla adota a estratégia da guerra popular prolongada, formulada por Mao-Tsé Tung, na China. A legenda deslocou ativistas para Nanquim. Mais: demarcou Goiás [Atual Tocantins] e sul do Pará, Região do Araguaia, para a deflagração de uma guerrilha. Sob a ditadura civil e militar. Cinco fases até a sua derrota. Total.

Guerrilha do Araguaia

De 1966 a 1976. Os responsáveis pelo extermínio são, pela cadeia de comando, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel, João Baptista de Oliveira Figueiredo, General Antônio Bandeira, Nilton Cerqueira, Carlos Alberto Brilhante Ustra, Sebastião Rodrigues de Moura [Major Curió] e o coronel Lício Maciel. Aos 87 anos de idade, Curió morreu dia 17 de agosto de 2022. Já Lício Maciel é o único sobrevivente do extermínio. A sangue frio.

General Antônio Bandeira – do lado direito

 

Os guerrilheiros foram “escalados” para a missão a partir de 1966. Maurício Grabois era o Comandante da Guerrilha Comunista. A área caiu, foi descoberta, em 1972. Forças Armadas, Polícias Militares, Dops estaduais, DOI-CODIs, Polícia Federal executaram cinco operações: Papagaio,  Marajoara, Sucuri, Limpeza/Andorinhas e o Massacre da Lapa. Acuados, famintos, homens, mulheres, crianças, em dependências policiais ou assemelhadas.

Massacre da Lapa – PC do B, em 16 de dezembro de 1976

Com o auxílio em formato de colaboração ou na marra, sob ameaça de tortura e morte, os camponeses, mateiros e até índios suruís auxiliaram na delação para prisão, tortura, morte, desaparecimento, incineração dos restos mortais dos guerrilheiros. O último comandante assassinado na tragédia de 16 de dezembro do ano de 1976, Ângelo Arroyo. Dezenove crianças teriam sido sequestradas e adotadas por militares.

João Baptista de Oliveira Figueiredo

A Lei de Anistia sancionada no dia 28 de agosto de 1979, no Palácio do Planalto, pelo general-presidente da República, ex-chefe do SNI João Baptista de Oliveira Figueiredo, que carregava uma caneta em sua mão esquerda, filho de Euclides Figueiredo, anistiado por Getúlio Vargas após a derrota da Contrarrevolução de 9 de julho de 1932,  concedeu uma autoanistia a quem cometeu violações dos direitos humanos à época.

Anistia, em 1979

Quase uma centena de presos, torturados, mortos, desaparecidos. Os despojos de Lúcia Petit e Bergson Gurjão de Farias foram localizados e entregues às suas respectivas famílias. A Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil. O Supremo Tribunal Federal impediu a leitura do Direito Internacional dos Direitos Humanos, que determina como imprescritível o crime de lesa humanidade e manteve a Lei de Anistia.

A ordem era matar

CIA _ EUA

É o que revela memorando da CIA

Willian Colby, diretor da CIA

Renato Dias 

O presidente da República à época, Ernesto Geisel, e o general João Baptista de Oliveira Figueiredo, chefe do violento e temido SNI, concordaram que o CIE deveria dedicar-se quase que exclusivamente a combater a subversão interna, e que a atuação do CIE, em geral, exigiria  ser coordenada pelo SNI. Apesar de o sigilo do documento ter caído, dois parágrafos que somam no total 19 linhas, foram mantidos em segredo. Richard Nixon era o presidente dos EUA, em 1974.

Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva

À época ex-presidente da República, Emílio Garrastazu Médici, o primeiro a dar ordens do Palácio do Planalto para sufocar a recém – descoberta Guerrilha do Araguaia, em 1972, diz, já dez anos depois, em 1982, que Sebastião Rodrigues de Moura, Major Curió, possuía informações explosivas. Os seus arquivos, manuseados por Leonêncio Nossa, revelavam que as Forças Armadas teriam executadas um número expressivo de 41 pessoas na região do conflito armado.

Depois do extermínio de guerrilheiros e da escalada do garimpo em Serra Pelada, Sebastião Rodrigues de Moura elegeu-se deputado federal pelo PDS. A legenda da ditadura civil e militar. Eleito em 2000 prefeito de Curionópolis, acabou reeleito quatro anos depois. Antes do término do seu mandato foi cassado por corrupção. Jair Messias Bolsonaro o recebeu, no ano de 2020, em Brasília. O inquilino do Palácio do Planalto telefonou para Sebastião Curió Filho e lamentou a morte.

Jair Messias Bolsonaro e Major Curió

 

A análise

O que pensam os pesquisadores

Renato Dias 

Sebastião Rodrigues de Moura, Major Curió, foi um agente da ditadura civil e militar no Brasil, um Estado de Exceção, de perfil cruel, perpetrador de torturas físicas, psicológicas e assassi­na­tos, com uma narrativa fundada na demagogia entre os milhares de garimpeiros de Serra Pelada, no Estado do Pará, Região Norte do País. É o que afirma Daniel Aarão Reis Filho. Professor doutor no Núcleo de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense [UFF].

O historiador e escritor Daniel Aarão Reis Filho

Daniel Aarão Reis Filho

Professor doutor do Instituto de Estudos Sócio-Ambientais da UFG, o historiador Romualdo Pessoa Campos Filho informa com exclusividade ao Portal de Notícias www.renatodias.online lamentar a morte de Sebastião Rodrigues de Moura, Major Curió, por ter sido alvo de denúncia do MPF e não ser condenado. Homem que instalou Estado de Terror, antes e depois da ditadura e após a Guerrilha do Araguaia, para controlar a extensa região norte do País, ele pontua.

Romualdo Pessoa Campos Filho

Romualdo Pessoa Campos Filho

Um integrante do aparato de repressão política aos dissidentes sob a ditadura civil e militar no Brasil e que virou empresário, detentor de mandato e até com uma cidade em seu nome, no Pará, por seus serviços sujos prestados ao Poder. Assim entra para a História Sebastião Rodrigues de Moura, o Major Curió, avalia o professor doutor da Faculdade de História da Universidade Federal de Goiás [UFG], David Maciel.

David Maciel, doutor em História, da UFG
David Maciel, doutor em História, da UFG

Violento, cruel e desumano, um homem da cadeia de comando e da linha de frente na destruição da Guerrilha do Araguaia, Major Curió irá para a Lata de Lixo da História do Brasil Republicano. É o que observa, crítico, o ex-preso político da ALN e do Molipo Fernando Casadei Salles. Graduado em Matemática, mestre e doutor em Educação, professor aposentado da Universidade de Sorocaba [Uniso], no Estado de São Paulo.

Fernando Casadei Salles

A longevidade de Sebastião Rodrigues de Moura, Major Curió, é um tumor que o Brasil carregará por não punir, para nunca mais repetir, atos contínuos de violações dos direitos humanos, como os ocorridos sob os anos de ouro e de chumbo. É o que afirma o peruano, cientista social, professor doutor da Faculdade de Ciências da UFG, Carlos Ugo Santander. Feridas não cicatrizadas que marcam o Tempo Presente, dispara.

 

Carlos Ugo Santander

Carlos Ugo Santander

Imagens consagradas da década de 1970 marcam a história do personagem em foco Sebastião Rodrigues de Moura, o Major Curió. Como a violenta repressão aos camponeses, na luta pela terra. Mais: um militar ‘impiedoso’ contra a frágil guerrilha do Araguaia. Assim como com um ‘apetite voraz’ por verbas da União, à região, e por pedras preciosas, explica o doutor em Ciências Políticas da UFG, Pedro Célio Alves Borges.

Pedro Célio Alves Borges
Pedro Célio Alves Borges

Pedro Célio Alves Borges

Advogado, mestre em Ciências Políticas, sobrevivente do Massacre da Lapa, São Paulo [SP], em 16 de dezembro de 1976, Aldo Arantes diz que Major Curió era instrumento da ditadura civil e militar. Ele informa ter integrado em Grupo de Trabalho e Pesquisa para achar os restos mortais dos ativistas desaparecidos no Araguaia. O pesquisador aponta elo do passado com a escalada de golpe de Jair Messias Bolsonaro [PL].

Aldo Arantes

Saio da vida para entrar na escória. Uma paródia com a carta-testamento de Getúlio Vargas. Presidente da República que suicidou – se em 24 de agosto de 1954, às 8h30, em seus aposentos, no Palácio do Catete, com um tiro no próprio peito, sob grave ameaça política, institucional e militar. Fina, a ironia é de Cláudio Curado. O atual presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Goiás [Sindjor].

Claudio Curado, presidente do SindJor

 

Polifonia de gerações 

Um cheiro de impunidade

Renato Dias 

Professora doutora em Eletroquímica, Betty Almeida adverte que Sebastião Rodrigues de Moura, Major Curió, é mais um que morre impune, sem castigo, nem pagar pelos crimes de violações dos direitos humanos, crimes de lesa-humanidade, imprescritíveis, não passíveis de Anistia. Ele executou, com as suas próprias mãos, militantes rendidos, atira a biógrafa de Honestino Monteiro Guimarães, Paixão de Honestino, Editora da UnB.

Betty Almeida

Ex-preso político sob a ditadura civil e militar no Brasil, uma noite que durou 21 anos, o operador do Direito Cristiano Rodrigues relata ao Portal de Notícias www.renatodias.online que Sebastião Rodrigues de Moura, o Major Curió, não entrará para a história. Não há um espaço sequer para um ser abjeto de tal estirpe, fuzila o membro da Associação dos Anistiados Políticos do Estado de Goiás, a Anigo.

Cristiano Rodrigues, jurista

Ancorado nas ideias de Karl Marx, Friedrich Engels, Vladimir Ilich Ulianov [Lênin], Liev Davidovich Bronstein, codinome Leon Trotski, e Ernest Mandel, o professor de História Frederico Frazão crê que Major Curió e Carlos Alberto Brilhante Ustra entram para história como a personificação da face mais cruel e desumana do capitalismo, da violência política de classe, da tortura de seus aparelhos de repressão. Um acerto de contas da História que o PT não realizou, diz.

Frederico Frazão

Ativista de 1968, o ano que não terminou, Isaura Lemos ingressou na AP, caiu na clandestinidade e já no PC do B executou missões no Sertão da Bahia e no Acre. A sua primeira filha, Elenira Tatiana Lemos, é uma homenagem à guerrilheira morta. Major Curió era temido pelas atrocidades contra trabalhadores que lutavam, em movimento, no norte do País, revela. A lembrança do atraso e também do autoritarismo, metralha.

Isaura Lemos

A morte à história de Sebastião Rodrigues de Moura, o Major Curió, possui, sim, menos peso do que uma pluma, afirma Euler Ivo Vieira. Ex-diretor nacional da UBES, preso em 1968 no Rio de Janeiro, quadro da Ação Popular, a AP, ligado a Honestino Monteiro Guimarães, um ex-presidente da UNE, com treinamento militar de guerrilha na China, ao citar um trecho de um livro de Mao-Tsé Tung, líder da revolução socialista de 1949.

Um dos três casamentos de Euler Ivo Vieira e Isaura Lemos

A interpretação do artista

A voz

Itamar Correia

Lágrimas caindo

Choro dos familiares dos desaparecidos

Na Guerrilha do Araguaia

Histórias não reveladas

Renato Dias 

Meio século depois [2022] da morte do irmão João Carlos Haas Sobrinho, ocorrida em setembro de 1972, aos 31 anos de idade, Sebastião Rodrigues de Moura, o Major Curió, Sônia Maria Haas diz que a sua morte significa um arquivo perdido, morto.

João Carlos Haas Sobrinho

Mais uma que luta no Brasil e na América Latina por Memória, Verdade, Justiça, pelo esclarecimento das prisões ilegais, torturas, mortes a sangue frio, desaparecimentos e ocultação dos restos mortais. Ele carregava informações não reveladas ao Brasil, fuzila

_Não vamos nos calar. Lutar, sempre!

Um depoimento pungente, emocionante, de Sônia Maria Haas

Sônia Maria Haas
Sônia Maria Haas

Tardia e incompleta

STF

A Justiça de Transição

Golpe de Estado de 1964
Golpe de Estado civil e militar do ano de 1964 no Brasil

Brasil _ 1964_1988

Renato Dias 

Tardia e incompleta, a Justiça de Transição no Brasil fere o Direito Internacional dos Direitos Humanos, o Pacto Mundial Contra a Tortura, assim como a Resolução da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Mais: a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, além da Constituição Federal promulgada no histórico dia 5 de outubro de 1988.

A Constituição Federal de 5 de outubro de 1988, no Brasil

Violações dos direitos humanos, como prisões ilegais, torturas, execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados, ocultações de cadáveres, sequestros de crianças e adolescentes são crimes de lesa humanidade, imprescritíveis e não passíveis de Anistia. Muito menos de autoanistia. Com a de 28 de agosto do ano de 1979.

José Roberto Arantes de Almeida

Argentina, Chile e Uruguai fizeram um acerto de contas com o passado. O Paraguai abriu parte dos seus arquivos políticos. De suas respectivas ditaduras civis e militares. Eram Tempos sombrios aqueles. Um passado que não passa. Aliás, ele nem é passado. A assombrar o Tempo Presente. Das frágeis democracias: Cone-Sul e América Latina.

 

Jorge Rafael Vidade
Jorge Rafael Videla, morto na cadeia, em prisão perpétua

 

Uma poesia

Poesia de Rosemar Cardoso Maciel

Música de Ednardo

Araguaia

Em memória de Bergson Gurjão Farias

Música 1 de Itamar Correia

Xambioá

Música 2 de Itamar Correia

Desaparecido

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