Política

Solidariedade além-fronteiras

Solidariedade além-fronteiras

 

Jair Krischke

Sob ditaduras civis e militares no Cone – Sul

Márcio Beck Machado

Histórias de fugas e violações de direitos humanos


Renato Dias

Porto Alegre, a capital da Cadeia da Legalidade, de 25 de agosto a 7 de setembro de 1961. Já em novembro de 1978. Dissidentes políticos do Uruguai, País do Cone – Sul sob ditadura civil e militar desde 1973, Universindo Rodrígues Díaz, Lilian Celiberti e os dois filhos do casal, Camilo e Francesca, crianças, constituem alvos de um sequestro. Da Operação Condor. Com as polícias políticas do Brasil e do Uruguai. Um telefonema anônimo, anos depois identificado como disparado por Hugo Cores, à sucursal de Veja, Rio Grande do Sul, coloca em movimento o jornalista Luiz Cláudio Cunha e o fotógrafo J.B. Scalco. O crime vira escândalo midiático. Internacional. A avó obtém a guarda dos rebentos. Os supostos subversivos cumprem pena de cinco anos de prisão. Em regime fechado.

 

Universindo Díaz e Lilian Celiberti

 

Após a decretação do Ato Institucional Número 5, em 13 de dezembro de 1968, na Pátria em Chuteiras, a ordem era deixar o território. Com a saída pelas fronteiras. Ana Maria Palmeira, estudante do curso de Direito, da Faculdade Nacional; Franklin Martins, ideólogo da captura, um ato revolucionário, não é sequestro, tipificado como crime comum, de Charles Burke Elbrick, embaixador dos Estados Unidos das Américas no Brasil, 1969; Márcio Beck Machado, aluno de Economia, Mackenzie; Joaquim Câmara Ferreira, jornalista, codinomes Toledo ou Velho; Arno Preiss, advogado, nascido em Forquilhinha, Santa Catarina, grandalhão, meio desengonçado. Aylton Adalberto Mortati, nom de guerre Tenente. Caçados nas minúcias das pistas. Pela escalada da repressão política e militar. Eles optam por fugir pelo Sul. Com destino à Argentina, Uruguai, Chile, Cuba. Fugas que contavam com rede de proteção.

 

Aylton Adalberto Mortati – Passaporte

O primeiro golpe de Estado civil e militar ocorre no Brasil. Com cinco generais como inquilinos do Palácio do Planalto. Humberto Castello Branco, Arthur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista de Oliveira Figueiredo. A República Dominicana é invadida em 1965 e 1966. Juan María Bordaberry rompe com a legalidade, viola a Constituição e destrói a demo­cracia no Uruguai, em 27 de junho de 1973. Com o suporte do Brasil e EUA, em 11 de setembro de 1973, as Forças Armadas bombardeiam, em Santiago, o Palácio de La Moneda, e derrubam o médico marxista Salvador Allende. Isabelita Perón cai, em 24 de março de 1976, na Argen­tina. As Mães e Avós da Plaza de Mayo denunciam genocídio: 30 mil mortos e desaparecidos e o sequestro de 500 bebês. O Paraguai estava sob o controle do ditador pedófilo Alfredo Stroessner desde 1954.  A sua queda ocorreu no ano de 1989.

2 de abril de 1964

Golpe de Estado de 1964 no Brasil

27 de junho de 1973

Golpe de Estado de 27 de junho de 1973 no Uruguai

11 de setembro de 1973

 

Golpe no Chile em 11 setembro de 1973

24 de março de 1976

Golpe na Argentina: 1976

 

Golpe de Estado civil e militar, na Argentina, 24 de março de 1076

Dois personagens se destacavam nas operações de salvamento além-fronteiras. Vidas estavam em risco. Dois episódios histó­ri­cos contribuíram às suas respectivas formações. Primeiro, a renúncia à presidência da Repú­blica de Jânio da Silva Quadros, em 25 de agosto de 1961. Tentativa fracassada de au­togolpe. Com a resistência de Leonel de Moura Brizola e a posse, em 7 de setembro do mes­mo ano, do trabalhista, um nacional-estatista, João Belchior Marques Goulart. Segundo, o golpe de Esta­­do civil e militar consolidado em 2 de abril de 1964, com a instalação de tempos sombrios por 21 anos. O AI-5 os leva a estruturar uma segura e complexa Agência de Viagens. Para trans­portar ao exílio forçado os indesejados no Brasil. Os seus nomes são Jair Krishke e Omar Ferri.

Mario Firmenich, líder dos Montoneros, da Argentina

Operação Condor

Manuel Contreras, Dina, do Chile, e Operação Condor, no Cone-Sul

Jair Krishke estabeleceu conexões também de solidariedade e suporte com la hermana Claudia Allegrini. O homem que retirou da Argentina, sob a ditadura civil e militar, María Elpidia Martínez Aguero. La Negra. Com o seu filho, de cinco anos à época, Javier Martinez. Ele os trouxe ao Brasil para despachá-los à Cidade do México. Os dois encontrariam o líder dos Montoneros Mario Firmenich. No exílio. Mais: com a retaguarda de Ariel Celiberti, irmão de Lilian Celiberti, já presa, ele executou um plano especial para retirar do Uruguai o biofísico Claudio Benech. Um thriller político. Com tensão e drama. A rota de fuga incluía Montevidéo, Punta Del Este, Chuí e Porto Alegre. Sob os olhares do jornalista Carlos Alberto Kolecza. É possível, sim, classificá-lo como O senhor coragem.

Jair Krishke _ Arquivo: MJDH

 

 

Renato Dias

Renato Dias, 56 anos, é graduado em Jornalismo, formado em Ciências Sociais, com pós-graduação em Políticas Públicas, mestre em Direito e Relações Internacionais, ex-aluno extraordinário do Doutorado em Psicologia Social, estudante do Curso de Psicanálise do Centro de Estudos Psicanalíticos do Estado de Goiás, ministrado pelo médico psiquiatra e psicanalista Daniel Emídio de Souza. É autor de 22 livros-reportagem, oito documentários, ganhou 25 prêmios e é torcedor apaixonado do maior do Centro-Oeste, o Vila Nova Futebol Clube. Casado com Meirilane Dias, é pai de Juliana Dias, jornalista; Daniel Dias, economista; e Maria Rosa Dias, estudante antifascista, socialista e trotskista. Com três pets: Porquinho [Bull Dog Francês], Dalila [Basset Hound] e Geleia [Basset Hound]. Além do eterno gato Tutuquinho, que virou estrela.

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