
Fernando Safatle
Pensei muito em escrever esse artigo. Vou tocar em um assunto polêmico e que certamente vai provocar muita discussão. Mas, afinal, não fujo de um bom combate vou pôr a cara para bater. Recentemente vi um vídeo do Adib Elias afirmando que tanto ele quanto o Halley Margon fizeram muito por Catalão e que antes deles a cidade praticamente não tinha nada, era um verdadeiro cerrado. Agora, o radialista Luiz Carlos Bordoni valorizou sobremaneira o atual momento da cidade enaltecendo somente as conquistas atuais.

Não discordo do bom momento por que atravessa Catalão e acredito que a elite política, que a governa há tantos anos, não está à altura das exigências de suas necessidades. Exige-se uma administração mais aberta, moderna e democrática em uma cidade com complexidades crescentes e demandas renovadas. Entretanto, isso é assunto para outra conversa. O que importa é resgatar nossa história. Ao contrário do que foi falado, Catalão já foi uma cidade mais importante do que é hoje: na década de 20 Catalão era a principal cidade, em termos econômicos, do interior do estado.

À época era a cidade mais importante economicamente. Politicamente também já teve muito mais relevância no estado: no governo de Mauro Borges tínhamos três secretários de estado, Jacy de Campos Netto, na Saúde; Wilson da Paixão, no Interior e Justiça; José Sebba, na Infraestrutura e Geraldo Coelho na Assessoria do Governador. No governo de Henrique Santillo a presença política também foi significativa: com Fernando Safatle, na importante Secretaria de Planejamento; Arédio Teixeira, na Minas e Energia; Genervino Fonseca, como vice-presidente da Celg e Mauro Netto, como presidente da COHAB. Nos anos recentes nossa participação no contexto político do estado foi diminuta.

Não podemos esquecer de nossos representantes na Câmara Federal como Genervino Fonseca e Wagner Campos, este ocupando cargos importantes como Presidente da Comissão de Orçamento na Câmara Federal; de Galeno Paranhos, candidato ao Governo de Goiás, quando teve usurpada a sua eleição com reconhecimento de sua vitória alguns anos depois; do Senador Antônio Paranhos, figura proeminente da política estadual.

Prefeitos que realizaram muito, apesar das circunstâncias e dificuldades de cada época como, Públio de Souza, intendente que revolucionou o aspecto urbano da cidade; João Netto, no seu primeiro mandato; Antônio Chaud, na Educação; Jacy Netto, na Saúde; Paulo Hummel, na Prefeitura. E, porque não citar Ênio, Sílvio e Hélio Levy, que contribuíram também com o nosso desenvolvimento.
Nas décadas de 60, 70 e 80 foram realizadas grandes obras. Quando Santillo assumiu o governo existia em Catalão apenas 700 km de energia rural, deixou com mais de 7000 km, propiciando um desenvolvimento enorme na zona rural. Rede de esgoto foram feitas, início da canalização do córrego Pirapitinga, lançamento do Campus da UFG, chegada das mineradoras e da Mitsubishi, ou seja, importantes realizações que deram um salto no desenvolvimento da cidade.

No campo da literatura temos uma destacada importância no estado, afinal somos considerados a ATENAS de Goiás. Por aqui passaram dois ex-membros da Academia Brasileira de Letras: Bernardo Guimarães e Fagundes Varela. Além, é claro do nosso poeta Ricardo Paranhos. Temos uma rica história para ser referenciada, não se pode jogar no lixo. Sábado passado reconduzimos Ulisses Rocha Filho para exercer mais um mandato como presidente da Academia Catalana de Letras. Na oportunidade fiz declaração de voto em seu apoio. Disse: o Prefeito Velomar Rios, em discurso de inauguração do asfalto da estrada da mineração, afirmou que hoje 35% das pessoas que moram em Catalão são nascidas aqui e 65% vieram de fora. Vamos levar esses dados em consideração, o que aumenta a responsabilidade da Academia Catalana de Letras que assume grande importância, no sentido de preservar, difundir e divulgar nossa história. Certamente, mexi em um vespeiro, mas, acredito que seja nossa tarefa preservar a nossa memória.
Fernando Safatle é economista














