Cristiane Lemos
EconomiaOpinião

Política na fila do supermercado

Política na fila do supermercado

A vida como ela é

Cristiane Lemos
Um homem com um kilo de feijão  preto, uma bandeja com uma linguiça e um toucinho, dois kg de arroz e duas latinhas de cerveja. Ele começa a ficar angustiado. Para calcular o valor da compra.  Mais: reclama que o salário estava ficando todo no supermercado. Cálculos, caras e bocas. Será que vai dar mais que R$  40 ? R$ 35?  Neste momento a funcionária do  caixa era a sua grande inimiga. Eu entrei no clima da tensão  tentando adivinhar o valor final da compra. Mas terminando de ensacar as  minhas,  tive que sair sem saber o veredicto final. Resumo da ópera! Conviver com inflação  e crise econômica tinha sido esquecido por muitos. Andar de carro virou luxo. Comprar gás, remédios, pagar contas básicas de energia e água,  um verdadeiro desafio. Fico triste de ver gente humilde ainda apoiando o governo federal.
A crise econômica, hoje, no Brasil
Pelo menos não  tem corrupção, dizem!  Ignoram as rachadinhas, a compra do Centrão para frear o impeachment! Ignoram a incompetência plena de gerir a pandemia! Ignoram as mais de 480 mil mortes evitáveis.  Ignoram o ataque à Amazônia.  Ignoram que vão morrer sem chance de se aposentar. Ignoram os ataques às universidades . Ignoram o ataque ao SUS e às escolas públicas.  Ignoram o ataque à ciência e a arte.
Jair Bolsonaro
Assim vamos caminhando. Com a pressão  que se ilustra  nesta cena cotidiana. Uma opressão que nos meus 47 anos de vida nunca tinha visto. Mais triste ainda: a opressão é  regada e cultivada por religiosos que falsamente usam o nome de Jesus para fazer exatamente o contrário que este grande homem fazia! O homem  da fila do supermercado somos todos nós trabalhadores neste governo federal. As duas cervejinhas não eram um luxo. Uma necessidade existencial para suportar um dos piores momentos históricos do Brasil republicano.
Palácio do Planalto
Cristiane Lemos é odontóloga, ativista em defesa do SUS  e militante do Psol

Renato Dias

Renato Dias, 56 anos, é graduado em Jornalismo, formado em Ciências Sociais, com pós-graduação em Políticas Públicas, mestre em Direito e Relações Internacionais, ex-aluno extraordinário do Doutorado em Psicologia Social, estudante do Curso de Psicanálise do Centro de Estudos Psicanalíticos do Estado de Goiás, ministrado pelo médico psiquiatra e psicanalista Daniel Emídio de Souza. É autor de 22 livros-reportagem, oito documentários, ganhou 25 prêmios e é torcedor apaixonado do maior do Centro-Oeste, o Vila Nova Futebol Clube. Casado com Meirilane Dias, é pai de Juliana Dias, jornalista; Daniel Dias, economista; e Maria Rosa Dias, estudante antifascista, socialista e trotskista. Com três pets: Porquinho [Bull Dog Francês], Dalila [Basset Hound] e Geleia [Basset Hound]. Além do eterno gato Tutuquinho, que virou estrela.

Avatar photo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *