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O nosso Pepe Mujica

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Perfis históricos

O nosso Pepe Mujica

Reinaldo Pantaleão chega aos 70 anos crítico de Jair Bolsonaro, nas redes em defesa de sua queda, por mais verbas à Educação e ao SUS e à esquerda até do Psol e seu aggiornamento

 

Renato Dias

Aos 70 anos de idade, ele é o Pepe Mujica do Cerrado. Com passagens históricas pelo PCB, a legenda da foice e do martelo. De Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança. Depois Ação Libertadora Nacional. A ALN, fundada pelo carbonário baiano Carlos Marighella. Assim como no velho MDB. O Movimento Democrático Brasileiro, liderado, à época, por Ulysses Guimarães. O marido de Dona Mora. A oposição consentida sob a ditadura civil e militar. Navegar era preciso. Com a entrada dos operários do ABCD, de São Paulo, no cenário político, participa da fundação e construção do PT. O Partido dos Trabalhadores. De Luiz Inácio Lula da Silva. Nascido em 10 de fevereiro de 1980. No Colégio Sion. Com o rebaixamento do seu programa estratégico, as derrapadas éticas e os escândalos que sangraram a estrela vermelha,  opta por ingressar no PC do B. O Partido Comunista do Brasil, surgido em fevereiro de 1962. Por divergências, sai da sigla e assume o controle do Psol. O Partido Socialismo e Liberdade. Magoado, em 2020, se desfilia do partido político do líder nacional do MTST Guilherme Boulos. Acertou quem imaginou tratar-se do historiador Reinaldo de Assis Pantaleão. Um ícone gauche em Goiás. Com madeixas e barbas grisalhas, rugas de marcas do tempo. De lutas.

Karl Marx –

Intérprete do Brasil

Cáustico, o intérprete do Brasil afirma, com exclusividade,  que o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, ex – cadete quase expulso do Exército Brasileiro e classificado por Ernesto Geisel como um ‘mau militar’, promove o desmonte do Estado Nacional. Com o programa de privatizações e a manutenção do Teto de Gastos para investimentos públicos. O pesquisador informa que o Governo Federal, com o referendo do Congresso Nacional e a anuência do Supremo Tribunal Federal, o STF,  destruiu a legislação trabalhista. Uma herança de Getúlio Vargas. Para estabelecer a precarização do trabalho. A uberização do Brasil. Um País com dimensões continentais e que possui, hoje, 212 milhões de habitantes. O sexto, no ranking mundial, em desigualdades econômica, social e cultural. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aponta a existência de 14,4 milhões de desempregados. Com o corte do auxílio emergencial, 68 milhões voltaram ao quadro de miséria extrema, alerta o ativista político revolucionário. O educador, um adepto de Paulo Freire, lembra que 13 milhões de analfabetos circulam nas 27 unidades da federação. O número de crianças fora da sala de aula em 2020 atingiu elevado patamar, registra. Sem conexão com a internet para as aulas remotas, atira.

Jair Messias Bolsonaro – caricatura
Jair Messias Bolsonaro – caricatura

 

Suporto outsider, com dois anos de mandato na Câmara de Vereadores da cidade do Rio de Janeiro e sete mandatos de deputado federal, Jair Bolsonaro é o responsável direto pelas 210 mil mortes da Pandemia do Coronavírus Covid 19, diz Reinaldo Pantaleão. O professor de História relata que a Folha de S. Paulo teria detectado, em 2020, 30 mil óbitos não computados como Covid 19, mas como doenças respiratórias agudas. Os Estados Unidos das Américas chegaram a 400 mil mortos, lamenta. Donald Trump deixou a Casa Branca, derrotado nas urnas e no voto popular, pelas portas dos fundos. Negacionista, seguidor do ideólogo do terraplanismo, o inquilino do Palácio do Planalto frisa que a doença não passava de uma ‘gripezinha’, conta. Para ‘maricas’. Um traço de sua homofobia, dispara. A sua Política Externa colhe a tempestade, metralha o ‘enfant terrible sem partido em 2021. Como a recusa da Índia, que integra o Brics, em fornecer dois milhões de doses de vacina ao País, o atraso da China, atacada por seus três filhos, zero um, zero dois e zero três, em repassar aos institutos nacionais os insumos necessários para produção em uma ampla escala do imunizante.  Não há alternativa, insiste. A palavra de ordem é Fora Jair Bolsonaro, Hamilton Mourão e Paulo Guedes!

Laboratório para as ideias neoliberais da Escola de Chicago [EUA] na Economia, o Chile está mergulhado na miséria social e em convulsão política. Não deu certo na Inglaterra, de 1979 a 1991, com a ‘dama de ferro’ Margareth Tatcher, nem nos EUA, com Ronald Reagan e Donald Trump, muito menos no Brasil, com Jair Bolsonaro, fuzila. O Estado é fundamental no Tempo Presente, frisa. Marxista, ele defende a reforma agrária, a reforma urbana, o fim do déficit habitacional, o ensino público e gratuito de qualidade para a Educação Básica, o Ensino Fundamental e o Ensino Superior, além da modernização, com a injeção de mais recursos do orçamento, para o Sistema Único de Saúde, o SUS. Uma invenção democrática universal da Constituição Federal promulgada em 5 de outubro de 1988, não assinada pelo PT, apesar dos avanços e limites da Carta Magna. Com drama familiar, Reinaldo Pantaleão perdeu a mulher por doença. Sem ostentação, o rebelde não possui automóvel. Morador do Conjunto Itatiaia, em Goiânia, distante do Centro Histórico da Capital de Goiás, fundada em 1933 por Pedro Ludovico Teixeira, anda de ônibus. Sem constrangimento. Como qualquer trabalhador. As delícias do capitalismo contemporâneo, fundado em combustíveis fósseis, não lhe atraem.

Incorrigível romântico

Longe de ser um pessimista, o maestro da sala de aula é um ‘incorrigível romântico’. Contemporâneo da modernidade, o guerrilheiro virtual agora usa as redes sociais. Motivo: para discutir ideias, concepções, táticas e estratégicas. Para propor a revolução. Em Tempos Sombrios. Da Pandemia. De escalada conservadora. De ameaças à democracia. Facebook, Twitter e WhatSapp, as suas armas, hoje. Com vídeos e Podcasts. Nada de acreditar que a luta de classes acabou, que a História chegou ao fim com a queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989. Decretada por Francis Fukuyama. Como o filósofo, economista e revolucionário Karl Marx [1818-1883], Reinaldo Pantaleão admite que o socialismo é uma possibilidade histórica. Socialismo ou barbárie, a expressão conceitual de Rosa Luxemburgo, a doutora em Economia nascida na Polônia e morta, em 1919, na Alemanha, Europa, após a carnificina da Primeira Guerra Mundial, mantém a sua atualidade, crê. Cem anos depois, diz. Dois convites lhe foram formulados. O primeiro, para integrar a Unidade Popular, o braço legal e mais amplo do Partido Comunista Revolucionário, o PCR. O segundo, voltar ao PT. Uma proposta feita pelo vereador eleito, sindicalista da área de saúde e marxista Mauro Rubem.

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