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Jessie Jane: Marighela

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Cartaz do filme ‘Marighella’

Marighela

explosivo
explosivo

Jessie Jane

É importante começar dizendo que, para mim, este não é um filme sobre a minha geração e nem sobre as diversas querelas político-teóricas que têm marcado o debate crítico sobre o passado. Não se trata de produzir heróis, vitimismos ou dramas. Trata-se de mostrar bandidos e banditismos em nome da Pátria usurpada. E para quem?

É aí que o filme se mostra grande, essencial, porque se dirige à uma multidão de brasileiros e brasileiras que nasceram ou cresceram em democracia, ainda que imperfeita.  E, é importante assinalar, que é a primeira vez na história do nosso país que vivemos um período tão longo em democracia.

A volta às salas de cinemas

O problema é que, ao longo deste período, não tivemos o cuidado de trazer para os conteúdos escolares os valores cívicos e democráticos que nos permitissem construir na consciência coletiva. Os instrumentos para a luta contra a barbárie do Estado policial a serviço dos permanentes interesses econômicos que vem nos derrotando ao longo da História.

A ditadura civil e militar

E, creio, que o filme ilumina exatamente isso, ao nos aproximar do golpe militar de1964 mas para nos situar no momento presente.  Nos permite caminhar pelos labirintos da história de homens e mulheres que se viram diante de opções viscerais. De vida, de morte. Marighella é um desses personagens que sintetizam todas as utopias dos grandes lutadores da história contemporânea e, sobretudo, do povo submetido no Brasil.

Carlos Marighella

A abordagem escolhida foi perfeita porque incorporou, naquela figura ímpar, todas as questões do presente. E, ao fazer isso, permite aos jovens de hoje um encontro potente com um passado fecundo de possibilidades. Como bem o disse o velho Toledo, pouco antes do seu assassinato em um pau de arara, venceremos. Algum dia. A cada geração cabem novas tarefas históricas a serem realizadas. A minha, a de Marighella, coube pegar em armas em uma luta desigual. A um preço altíssimo.

Wagner Moura e Seu Jorge

Às gerações de hoje, que novamente se vêem diante da mesma barbárie, cabem novas respostas. E o filme do corajoso cineasta se oferece como um bom instrumento a ser empunhado contra o negacionismo histórico e contra os mesmos inimigos. Não por acaso coube aos jovens Mário Magalhães, com seu potente livro, e ao genial Wagner Moura, trazer o jovem Marighella, que só tinha 56 anos quando foi assassinado, para retratar um país que permanece à beira do abismo e diante do qual não cabe covardias. Um filme essencial!

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