
Hermes Traldi
Ainda estou me recompondo das feridas de campanha. Não é do resultado. Por incrível que possa parecer, eu respeito as urnas. Não o objeto, a vontade popular que elas revelam. Percebi que o primeiro turno apontou uma tendência à renovação. A quantidade de “aposentados” pela vontade popular surpreendeu pelo ineditismo. Muitos figurões da política simplesmente não tiveram votos. E não foram desrespeitados durante o tempo de campanha. Apenas não foram escolhidos.

Eu entre eles. Fui muito bem tratado ao longo dos dois meses. Reencontramos muitos companheiros que não víamos há tempos. Vi o ex-governador do Estado de Goiás Marconi Ferreira Perillo Júnior reencontrar milhares de antigos parceiros políticos. E ele se realizou com o processo político e eleitoral. As feridas vieram depois. Faltou organização nas áreas administrativas da campanha. Mais: sobraram oportunistas em todos os recantos do estado. Nos 246 municípios.

Listas e listas de cabos eleitorais que não se apresentaram durante a campanha. Eles se colocaram imediatamente para cobrar o que não é justo. Isto machuca. Marconi Perillo não fala, nem em pequenos circuitos, no entanto é dolorida a situação. Eu consegui fechar a minha parcela, infinitamente menor do que a dele. Mas é duro olhar na face daqueles que não moveram uma palha e descaradamente se apresentam cobrando inclusive muito mais incisivamente.

Quadro decepciona. Outra face é a situação de nivelar todos os candidatos por baixo na questão de índole. Parte do eleitorado coloca todos como desonestos. No passado não era assim. Líderes eram admirados. Na verdade, o processo político levou a isso. Mas, como ficam os idealistas construtores da nação e do país? Olho com preocupação as novas gerações e líderes emergentes. Tomara que tenham boas intenções e capacidade de realização. O futuro depende disso.













