
Recado das urnas e luta de classes
Renato Dias
Mal saiu o resultado oficial da eleição de 25 de outubro, com virada histórica e vitória épica do ex-operário metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, o Deus-mercado escala o terror. Com quedas na Bolsa de Valores, alta do dólar, exigência de ajuste fiscal, indicação de um ministro da Economia alinhado com a Faria Lima. Programa derrotado nas urnas eletrônicas. O medo quer derrotar a esperança. Em eventual terceiro turno.

Principal país da América Latina, 8ª economia global, integrante do BRICs, o Brasil recusa a agenda neoliberal, rejeita a volta da famiglia ao Palácio do Planalto com uma aliança sedutora. Ruas lotadas, redes, esperança, jovens, terceira idade, diversidade e alegria. O que parecia impossível virou realidade. O quarto mandato do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Acossado pelo STF, Flávio Bolsonaro fugiu. Aos EUA.

Longe dos milhões de eleitores, perto dos R$ 134 milhões transferidos para uma conta especial nas terras do Tio Sam, próximo de Willer Tomaz, amigo advogado que teve R$ 6 bilhões bloqueados pela justiça. Com cheiro de desvios e lavagem de dinheiro. Flávio Bolsonaro é o terceiro a sair às pressas. Primeiro, o pai, em 2022. Segundo, o irmão, Eduardo Bolsonaro, em 2025. Para conspirar contra o Brasil.

Sem descansar, o inquilino do Palácio do Planalto já tem duas provas de fogo. A eleição às presidências do Senado e da Câmara Federal, assim como a indicação de um novo nome ao STF. David Alcolumbre sinaliza à extrema direita com a possibilidade de inclusão na pauta de anistia aos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e a saída de Jair Messias Bolsonaro da cadeia. Ele foi condenado a 27 anos e três meses. De prisão.

Luiz Inácio Lula da Silva quer fazer o melhor mandato da história. Com protagonismo mundial, reformas do judiciário e política, combate à fome, redução das desigualdades abissais, investimentos em Educação, Saúde, Cultura, Ciência e Tecnologia, reindustrialização do país, atenção à terceira idade e exorcizar o fascismo. Mais do que nunca ele sabe que precisará das ruas, redes, PGR, STF.

Imagens Históricas




Intelectuais públicos
Que fazer?
A volta às ruas teria sido o fator principal para a virada histórica promovida pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, dia 25 de outubro de 2026 no segundo turno, observa o professor doutor do Núcleo de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense [UFF], Daniel Aarão Reis Filho. Os protestos dos estudantes iniciados na UFF foram o estopim para as manifestações que ocuparam o Brasil, ele analisa. Nunca antes na História deste país, bordão repetido pelo líder petista, como anota o jornalista Bernardo Melo Franco, o Brasil elegeu um operário ao Palácio do Planalto, outorgou nas urnas quatro mandatos ao mesmo agente político, um homem de 80 anos, preso por 585 dias em 2018 e 2019, para a reversão de uma derrota por 2 milhões e duzentos mil votos no primeiro turno e ganhar com uma frente de quase quatro milhões e meio sufrágios, pontua o pesquisador. O farfalhar das asas das borboletas impulsionou os movimentos sociais e despertam as esperanças para o enfrentamento das direitas, da extrema direita, e os garçons de costeleta no terceiro turno, de 2026 a 2030, diz.

Ex-reitor da Universidade Estadual de Goiás [UEG], professor doutor em Filosofia Haroldo Reimer afirma que o resultado das urnas põe um freio ao fascismo em marcha no país. Além de significar uma defesa visceral dos programas de inclusão social e das políticas públicas de redistribuição de renda, destaca. Os desafios para os próximos quatro anos são enormes, alerta o intelectual público. O docente prevê embates políticos colossais com o crescimento do número de parlamentares da extrema direita no Congresso Nacional, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado da República. Assim como terá também que equacionar um suposto, eventual descompasso entre o crescimento econômico com controle e equilíbrio fiscal, explica o filósofo. A ainda frágil democracia saiu fortalecida, nas ruas e no campo digital, acredita. O comando político da nação não caiu nas mãos de um aventureiro com evidentes vínculos com organizações criminosas, comemora. A eleição para o quarto mandato coroa a trajetória política do maior líder popular de esquerda na América Latina, avalia a www.renatodias.online

Professor doutor da Faculdade de História da UFG, David Maciel sublinha que Luiz Inácio Lula da Silva representou um perfil antibolsonarista, contra o retorno da extrema direita e seu projeto antidemocrático, de fechamento do regime e de radicalização do neoliberalismo. Ele galvanizou as maiores manifestações populares da história, com trabalhadores, juventude, aposentados, informa. Ampla mobilização nas grandes, médias e pequenas cidades, frisa. Capaz de atrair parte dos que votaram branco ou nulo no 1º turno, eleitores dos outros candidatos de direita e os que se abstiveram, vê. O caráter classista do voto se impôs de modo majoritário, crê. Trabalhadores e camadas populares ficaram ao lado da esquerda, apesar dos resultados pífios, em direitos sociais e melhoria das condições de vida, apresentados por seu terceiro governo, ataca. “Para enfrentar a pressão que virá do imperialismo, do capital e frações burguesas do bolsonarismo por radicalização da pauta neoliberal, com risco de desestabilização e crise política, é preciso se apoiar na mobilização popular que garantiu sua vitória, e reverter medidas adotadas desde 2016”, sugere.

Lenine Bueno, professor doutor de Arquitetura e Economia Urbana, diagnostica como fundamentais para a derrota da famiglia Bolsonaro, do senador Flávio Bolsonaro [PL], a compreensão do papel das redes digitais, das Big Techs, na disputa pela hegemonia política no Tempo Presente. O correto uso da linguagem das plataformas, explica. Com o seu rebatimento no mundo real, afirma o ativista. Mobilizações populares impressionantes, ressalta. Elas ajudam a entender o que está em andamento, dispara. Inquilino do Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva promete mudanças oxigenadoras do processo político, o rejuvenescimento dos quadros das esquerdas e o preparo de uma transição geracional, avisa. A construção nas ruas e redes da unidade antifascista. O que já sinaliza que a geração de quadros “analógicos” entende, hoje, no século XXI, a necessidade da “digitalização” dos processos das lutas de classes e de oxigenação dos partidos políticos de esquerda no Brasil e no mundo, metralha. Processos complexos que não foram assimilados na sua totalidade, fuzila. Mesmo assim despertam esperanças, ele diz.

Não foi uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva ou do PT, define-a o professor doutor da Faculdade de História da UFG, Roberto Abdalla. “Mas de pautas defendidas pela esquerda que “saiu do armário” e denunciou a traição dos interesses nacionais, medidas que comprometeriam o futuro caso a extrema direita vencesse”, relata. De menos empregos de qualidade, sem salários dignos, cortes nos financiamentos, universidades públicas e avanços individuais que elas garantem, mais desmatamentos e problemas sociais, vê. Com a devastação das políticas de bem-estar social, ataca. Como SUS, PIX, diz. Os partidos de esquerda precisam se atualizar, ler a realidade e deixar que ela revele as diretrizes antes que eles se tornem “obsoletos”, critica. Velhos jargões do passado não falam mais aos brasileiros, insiste. A juventude exerceu protagonismo sem a qual o país teria perdido sua soberania à extrema direita mundial, declara. “As redes foram fundamentais e dois atores se destacaram: Ana Elisa e André Janones. A regulação e penalização das Big Techs, caso descumpram regras, e criar redes nacionais são indispensáveis, calcula.

Crítico, o professor doutor de História da UFG, Jiani Fernando Langaro, afirma que a campanha eleitoral real com um intenso diálogo de programas políticos no país começou somente no segundo turno. A partir do dia 5 de outubro. Com a vitória parcial de Flávio Bolsonaro. O Brasil é um país de dimensões continentais e elevada densidade populacional, 214 milhões e 500 mil habitantes, lembra. O que exige, hoje, uma reforma urgente na legislação eleitoral, registra. Herdada de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados cassado e envolvido em escândalos de corrupção, recorda-se o docente. A virada ocorreu em virtude da rejeição ao projeto Bolsonarista, conta. O fator R [ruas e redes] e a juventude como protagonista especial contribuíram, relata. O “já ganhou” prévio, antecipado, prejudicou tanto Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno quanto o liberal Flávio Bolsonaro no segundo, atira. “Um percentual de até 2/3 dos votos viraram e migraram para Luiz Inácio Lula da Silva e a aprovação o fim da 6/1 com a criação da 5/2 influenciaram o resultado final de 25 de outubro”, analisa.

Professor doutor de Ciências da Religião, Antônio Lopes define Flávio Bolsonaro como Mandrake. Personagem vil forjado em redes digitais, produto da alienação coletiva financiada pelos grandes conglomerados de mídia pós-modernos, resume. Ele foi defenestrado por mais da metade da Nação, comemora. Já cansada e avessa à versão de 2026 de Bolsonaro, relata. ‘Famiglia’ gestora do caos e também do ódio coletivo, do sectarismo político temperado a negócios escusos, diz. Ele quer distribuição da riqueza social e a entrega da equidade apartada do estigma histórico imposto à classe trabalhadora. De que o capital pode mais que o ser humano, metralha. “É possível mudar o país elitista em uma Nação a beber das dignidades”, aposta o enfant terrible marxista. ”Os responsáveis pela ‘salvação do País de Cabral’ _ mais uma vez e em tempos interligados, conectados e globalizados _ foram os mesmos que pretendem uma nova Revolução em Paris, os jovens, devidamente amparados e impulsionados pelos idosos e a categoria trabalhadora em idade e tempo produtivo açoitados pelo trabalho afanado em direitos sociais. “


Alberto Aggio
“Terror e medo da volta da família Bolsonaro”
Quarto mandato deve ser de frente ampla, propõe professor

Quais os fatores explicam a virada histórica de Lula no segundo turno das eleições presidenciais?
Alberto Aggio – A vitória de Lula no segundo turno é mais do que uma vitória petista, mais do que uma vitória lulista; não é uma vitória exclusiva do Nordeste brasileiro – Lula venceu nas duas maiores cidades do país, São Paulo e Rio de Janeiro. Em termos eleitorais, venceu porque conseguiu buscar o voto de quem não foi votar no primeiro turno, especialmente nas grandes e médias cidades do país, com mobilizações de rua. E ações nas redes sociais. É uma vitória transversal em termos sociais. Do ponto de vista, político, é uma vitória da mobilização popular que se formou depois do primeiro turno e avançou com uma força impressionante. O eixo dessa manifestação foi efetivamente o terror com a possibilidade de retorno da família Bolsonaro ao poder, foi a perda de direitos e a insegurança. Enfim, foi a defesa da Constituição de 1988, a defesa dos direitos. Com essa campanha eleitoral extraordinária, retorna ao centro da política a visão de que a democracia muda a vida. Uma visão que a ultradireita despreza. A vitória eleitoral tem uma imagem cristalina: Lula com a bandeira do Brasil numa mão e a Constituição na outra! Recuperou-se o que o bolsonarismo nos tinha tirado: as ruas e a defesa do povo brasileiro!
Quais as principais mudanças ele deve fazer no 4° mandato?
Alberto Aggio – Penso que a vitória no segundo turno carrega muitos aprendizados que devem ser incorporados. O governo não poderá ser, como tem sido, um governo petista ou de esquerda. A vitória tem um lastro de apoio amplíssimo. Deve ser um governo de frente ampla e democrático. Não apenas com ministros que não sejam petistas, mas com partidos políticos que possam influenciar no Parlamento e na sociedade civil. Não se deve cair na ilusão de que é chegada a hora da confrontação social. A democracia deve promover consensos, mas não deve impedir que a luta social deva ser travada. Só não pode um governo assumir-se como condutor dessa luta social. Ele deve promover a melhoria social, como vem fazendo, com muito controle e equilíbrio. Vai ter que pensar em uma espécie de “ajuste” e todos sabem disso, mas penso que Lula já guardou bastante experiência para fazer esse tipo de coisa sem quebrar o apoio de suas bases sociais.
O eixo de sua última gestão?
Alberto Aggio – Eu creio que a plataforma já está definida: a ideia é recolocar o Brasil como um player global. Ai a questão internacional importa muito e a nossa posição não deve ser a de alimentar a confrontação BRICS versus EUA. A paz é aqui um elemento fundamental. Estimular o crescimento do posicionamento econômico do país nas cadeias produtivas mundiais, diversificar e buscar novos parceiros para isso. Tudo isso deve estar conectado com a recuperação e a consolidação do crescimento econômico em regiões importantes, especialmente no Norte e Nordeste do país. Do ponto de vista interno, o avanço em ciência e tecnologia, com a ampliação da formação de jovens nessa área é urgente e deve ser uma ação articulada com um projeto econômico de desenvolvimento nacional que possa se expandir pelo país.
Como enfrentar Congresso Nacional, STF, Big Techs, conglomerados de mídia, igrejas evangélicas e Donald Trump?
Alberto Aggio – Não se deve ter a perspectiva de que o Congresso é uma instância de confrontação com a presidência da República. O governo deve ter iniciática e saber negociar com o Congresso. Nessa linha a experiência do terceiro mandato conta e Fernando Haddad teve um protagonismo importante nesse caso. Da mesma forma, os poderes da República são independentes e assim deve ser. No terceiro mandato Lula cometeu erros ao fazer indicações ao SFT. Ele deve atender mais a sociedade civil do que as entranhas de suas articulações pessoais. Esse é um ponto que precisa ser superado urgentemente. A herança de Lula nesse aspecto deve prezar o seu republicanismo e não o personalismo. Em relação as BIG Techs, a necessidade de regulação é um tema global e Lula deve buscar apoios internacionais para isso, especialmente na Europa. No mais, como disse, é preciso um governo com iniciativa política, que pondere suas ações evitando o confronto e buscando o consenso, sem perder de vista um projeto de renovação civilizatória, para superar de fato o bolsonarismo enquanto cultura política, e promoção do crescimento do país

No divã com Freud
Esquerdas analisam processo
Ex-presidente do PT Estadual, vereadora em Goiânia, além de deputada estadual eleita em 4 de outubro, Kátia Maria conta, hoje, a www.renatodias.online ter acompanhado a apuração dos votos e a divulgação do resultado da eleição ao lado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo, e revela ainda que o maior crescimento proporcional do líder petista ocorreu em Goiás. Em seus 246 municípios.

Aldo Arantes, ex-presidente do PC do B, diz que o risco e o temor da volta da extrema direita ao poder no Brasil fizeram a juventude se levantar e sair às ruas. A UNE obteve um papel de destaque, frisa. Os atos romperam os limites, atraíram trabalhadores da cidade e do campo, aposentados, unificaram as esquerdas e o centro democrático, pontua. Autor de Domínio das Mentes, ele aponta a revolução promovida nas redes.

A união das forças políticas, mobilização popular e diálogo com múltiplos setores da sociedade foram decisivos na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, crê o presidente do PV [GO], Cristiano Cunha. A vitória não é somente do PT, sublinha. O que exige um governo de frente ampla e coalizão, afirma. O eixo do quarto mandato deve ser a unidade por um projeto nacional de desenvolvimento, justiça social e soberania, propõe.

A eleição de 25 de outubro é apenas uma etapa da luta pela democracia, resume o economista Fernando Safatle, presidente do PSB de Catalão. Ela impede o avanço da extrema direita, registra. O país não será quintal dos EUA, avisa. Mesmo assim, ela já ensaia o próximo golpe, alerta. A história revela, atira. Com um Congresso Nacional hostil, é preciso combinar mobilizações nas ruas e nas redes digitais e ações parlamentares.

Explosão nas redes digitais, ocupação das ruas, como não se via desde as diretas já, permitiram a formação de uma frente ampla antifascista e a vitória nas urnas, acredita Jordaci Mattos, membro da direção nacional do PDT. O quarto mandato deve ser de coalizão, aponta. Com o centro democrático, define. Com a pressão das ruas e nas plataformas. É o caminho para garantir a governabilidade e deixar legado, crê o líder trabalhista.

A manutenção das mobilizações nas ruas e redes constituem a tática para promover reformas, ampliar direitos e melhorar a qualidade de vida da população no quarto mandato, avalia o historiador marxista Fernando Viana [PSOL]. Logo após a virada, o mercado, a Faria Lima, pressiona para um corte duro dos gastos públicos, pelo ajuste fiscal e aumento da taxa de juros, ele denuncia. O ativista é da esquerda da legenda.

A reestruturação da campanha digital com André Janones, o engajamento dos jovens nas ruas, a mobilização dos 70+, o susto do primeiro turno contribuíram à virada, diz Lilia de Fátima, coordenadora da Rede [GO]. O quarto mandato deve focar na economia, adotar o pragmatismo, nomear um ministro da Economia hábil, com capacidade de diálogo e cumprir as pautas sociais, diz. “Luiz Inácio Lula da Silva terá desafios”.

A movimentação nas ruas da juventude, de secundaristas e de universitários, a comunicação nas redes digitais, o papel de André Janones, as pautas à esquerda mudaram o humor do país e viraram o resultado das eleições. É o que analisa o advogado trabalhista Rubens Donizzeti. Presidente do PSTU [GO], o trotskista se emocionou com a ida às urnas dos idosos. Ele diz que o PT não pode se divorciar das ruas nem das redes.

Sociedade civil
Unidade na diversidade
Uma onda poderosa chegou sem avisar, arrasta, sob olhares, incrédulos, perdidos, muda corações e mentes até se ouvir o grito de “Basta.” Assim descreve a virada o operador do Direito e intelectual marxista Valdeni Mariano da Silva.

Um fenômeno estranho ocorreu sim no Brasil em outubro de 2026, já admite. Os protagonistas não seriam apenas Luiz Inácio Lula da Silva e muito menos uma eventual jornada solitária de André Janones, deputado federal, analisa.
A memória dos anos de 2019 a 2022, com Jair Messias Bolsonaro no Palácio do Planalto, as receitas indigestas, anunciadas por Flávio Bolsonaro e sua assessora econômica Daniella Marques o fizeram despencar, ele afirma.
Valdeni Mariano da Silva defende ainda a ampliação dos investimentos em educação e cultura. Além da promoção de formação política antifascista, propõe. Para impedir a escalada da extrema direita, vê. “Com novos personagens”.
O ativista de esquerda cobra também uma nova política de Segurança Pública, medidas efetivas para o meio ambiente e estímulo aos movimentos sociais para o enfrentamento com as elites. Com apoio da voz estridente das ruas, atira.
Dois motivos explicam a vitória, pontua o engenheiro eletricista Rosemar Cardoso Maciel, marxista. Primeiro, ganhamos porque perdemos, faz um trocadilho. A derrota no primeiro turno alavancou a virada, crê. “O medo da cadela fascista”.

Adepto do materialismo histórico e dialético, ele recomenda, hoje, a revisão de dogmas. Como o de que a religião é o ópio do povo, frisa. O que entregou Jesus Cristo, humanista, socialista, defensor do comum, à extrema direita, afirma.
Motor das revoluções, a juventude que explodiu na Universidade Federal Fluminense exorcizou o fascismo e salvou a democracia no Brasil e na América Latina, diz. Amar e mudar as coisas me interessa mais, canta.
Ex-presidente do Sindsemp, Márcio Bittencourt vê como ato fundador da virada no segundo turno os protestos deflagrados pelos estudantes da Universidade Federal Fluminense [UFF], em Niterói [RJ], abertos em 5 de outubro.

O sindicalista do MP [GO] aponta ainda a reestruturação da campanha digital. Com a criação do Exército do Lula integrado por quase 11 milhões de pessoas, relata a www.renatodias.online Sob o controle de André Janones, expert na área.
Ele avalia que a ampliação das manifestações de rua, nos 26 Estados e no DF, com a participação de artistas, contribuiu para a vitória. Assim como o engajamento dos idosos para derrotar a extrema direita no Brasil, explica.
A mobilização espontânea nas ruas e redes para além dos partidos foi a marca da campanha no segundo turno e explica a virada, diz Márcio Santilli, diretor-executivo do ISA. Arrogância e cinismo do adversário e de assessores ajudaram, crê.

É a última eleição de Luiz Inácio Lula da Silva e ele tem que pensar em estratégia de futuro ao país e à sua sucessão, fuzila. O impacto da mudança climática no país é um vetor estratégico que deveria crescer em importância, registra.
“Tudo indica que Donald Trump perderá força nas eleições legislativas e as Big Techs podem perceber que seus interesses, inclusive no Brasil, devem ir além do republicano.” O líder petista pode indicar quatro ministros ao STF, frisa
Ele terá sucesso em aprová-los no Senado se escolher nomes menos ligados à sua trajetória pessoal, vê. Os evangélicos devem notar que sua força se reduz ao se isolarem e despertarem rejeição das demais igrejas, opina.
Emocionado, o sindicalista marxista João Pires detecta a força das ruas. A sua referência é tanto a UEE [GO] quanto a UNE. Guerrilha digital, dispara. “Agenda da luta pela democracia e soberania colocou em movimento a terceira idade”.

O diretor do Sint Ifes [GO] destaca também o papel das mulheres, que, hoje, correspondem a 53% dos eleitores do Brasil. Uma vitória maiúscula, contra a extrema direita, as milícias e Donald Trump e as Big Techs, ele denuncia.
As lembranças da trágica Pandemia do Coronavírus, o caos na economia, a herança do 8 de janeiro de 2023, legados do seu pai, contribuíram para a sua queda no segundo turno, diz Frederico Vitor de Oliveira, jornalista e historiador.

A desconstrução a que foi submetido, promovida por Piauí, The Intercept Brasil, Revista Fórum, DCM e UOL, ao revelar as suas ligações perigosas com Daniel Vorcaro, o advogado Willer Tomaz e as imagens de orgias o desidrataram, fuzila.
Nos debates, de Flávio Bolsonaro saiu desgastado na Band, ao obedecer Pablo Marçal e aparecer com caretas atrás do adversário, diz. Na Globo, o chama de nove dedos, humilha Nordeste e Belém e defende o PM que matou Ana Clara, vê.
O guerrilheiro digital André Janones driblou a lógica dos algoritmos da Meta, conta . “Ele deu um nó tático na milícia digital da extrema direita, deixou Nikolas Ferreira e Paulo Marçal desnorteados e constituiu-se em peça-chave da virada”.

Velha guarda
Terceiro turno em pauta
A virada no segundo turno e a fuga espetacular de Flávio Bolsonaro, com o auxílio de Donald Trump, Marco Rubio e Javier Milei, constituem duas vitórias sucessivas, avalia o líder socialista Euler Ivo Vieira. Fugiu com o temor do STF, explica. Ele deixa o PL e a sua base eleitoral sem orientação, adianta.

Com a saída da juventude às ruas e o Exército do Lula no mundo digital, as esquerdas assumem pautas dos trabalhadores em defesa da soberania nacional e da democracia, pontua. Luiz Inácio Lula da Silva mudará o estilo de governar no quarto mandato, crê. Com mobilização popular e digital, crê.
A entrada dos estudantes com a ocupação de ruas e praças, a repaginada do layout da campanha digital por André Janones e a promessa de Luiz Inácio Lula da Silva de governar sob pressão popular ao Congresso Nacional hostil e à crise no STF anuncia tempos de enfrentamentos e disputas, diz Reinaldo Pantaleão.

Adepto das ideias do velho Karl Marx [1818-1883], o historiador ainda lembra que para lutar contra Donald Trump é necessário aliados como China, Rússia e Índia, sublinha. Não será nada fácil, dispara. O recado das urnas é um sopro de esperança, fuzila o professor. Reformas são indispensáveis, alerta.
Um levante popular, define Beto Almeida, jornalista da Telesur. Uma das causas determinantes teria sido a volta dos estudantes, ao assumirem pautas gerais, como à época de Getúlio Vargas contra o fascismo, depois em 1961, com a Cadeia da Legalidade,1964 e 1968, em repúdio ao golpe de Estado e à ditadura, avalia.

Ele espera que Luiz Inácio Lula da Silva abandone em seu quarto mandato o que classifica como a babaquice do teto de gastos, um ajuste fiscal, com cortes nas áreas sociais, cobra auditoria da dívida e a suspensão do impagável débito com o sistema financeiro. Projetado, hoje, em R$ 1 trilhão, calcula o periodista.
A guerrilha digital com André Janones, de linguagem acessível, foco nos jovens, diálogo com o centro sobre risco de volta da extrema direita teriam sido os motivos da quarta eleição do petista, diz o advogado Gustavo Alves de Oliveira.

O operador do Direito cobra a indicação de mulher ao STF, a apresentação de projeto de reformas política e do Judiciário, mudanças nos critérios de nomeação de ministros à Suprema Corte e exigir Código de Ética aos magistrados.
Gustavo Alves de Oliveira defende a regulamentação das Big Techs. Ele propõe o estabelecimento de relações transparentes com o Congresso Nacional e abertura de negociações com Donald Trump. Para suspender as tarifas impostas ao Brasil.

América Latina
Esquerda acumula forças

Fonte: O Globo G1
Depois de ser derrotada pela extrema direita nas eleições na Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Paraguai, a esquerda ganha no Brasil e acumula forças contra a escalada do republicano expansionista Donald Trump, com as Big Techs e o seu poderio militar.

A Casa Branca faz uma alusão à suposta Doutrina Donroe. Um mix de Donald e Monroe. De vocação imperial. A estratégia é tornar a América Latina um quintal dos Estados Unidos das Américas. Maior país em extensão territorial e 8ª economia do mundo.

O presidente da República dos EUA, Donald Trump, e os magnatas da economia norte-americana querem expropriar as riquezas minerais, terras raras, o petróleo, a água doce, a biodiversidade da Floresta Amazônica. Mais: as comoditties do futuro.

Luiz Inácio Lula da Silva, Brasil, Yamandu Orsi, Uruguai, Cláudia Scheibaunn, México, Irfaan Ali, Guiana, Delcy Rodrigues, Venezuela, Jennifer Simons, Suriname, Miguel Diaz-Canel, Cuba, Daniel Ortega, Nicarágua, as referências, hoje, da esquerda latino-americana.

Outro lado
O que pensam os eleitores de Flávio Bolsonaro
Sebba e Traldi projetam o futuro do Lulismo
O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás Jardel Sebba revela não ser adepto das ideias de Jair Messias Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal [STF], informa a www.renatodias.online que é seguidor do ex-governador do Estado Marconi Perillo, afirma que Luiz Inácio Lula da Silva torrou dinheiro público, promoveu o que classifica como uma gastança desenfreada, colocou o dólar em alta, levou à queda da Bolsa de Valores e teria deixado a população feliz apenas no Nordeste do País e nos presídios.

Deputado estadual por quatro mandatos consecutivos, ex-prefeito do município de Catalão, governador interino de Goiás em dois episódios políticos e institucionais, ex-secretário de Estado de Gabinete, o médico e produtor rural é taxativo: o presidente da República eleito em 25 de outubro não cumprirá as suas promessas de campanha eleitoral. Ele se autodefine como de centro-direita e anti-Lula e reclama que aliados históricos de Marconi Perillo que anunciaram apoio ao líder petista tentaram humilhá-lo. “Mais ainda”, desabafa. Não gosto do Lula, afirma.

Sem maioria no Congresso Nacional, tanto na Câmara Federal quanto no Senado da República, além ter eleito um número reduzido de governadores, dez aliados em 26 estados e no DF, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu da população uma oportunidade ímpar para encerrar a sua carreira política como um estadista. A análise é de Hermes Traldi, ex-presidente da Associação Goiana dos Ex-prefeitos [Agexp]. Se ele conseguir articular com o parlamento e com os governadores, poderá construir um momento único, observa o tucano.

Por incrível que possa parecer, eu respeito as urnas, insiste o engenheiro agrônomo, produtor rural e empresário. “Não o objeto, a vontade popular que elas revelam”, sublinha. Lula poderá exigir mais da equipe, já que está mais fiscalizado, pontua. Ele poderá se impor perante o judiciário pelas mesmas razões e desenvolver projetos em parceria com estados e municípios, vê. É torcer para dar certo, informa a www.renatodias.online A começar pela pacificação do país dividido, hoje, recomenda. Em resumo: não inventar, basta um bom arroz com feijão, propõe.















