Premiado artista goiano convida para a mostra Ainda Assim Por Isso Mesmo, que começa nesta quinta,19, no Centro Cultural Octo Marques, a partir das 19 horas

Reconhecido no Brasil e no exterior desde os anos 90, Marcelo Solá explica que, apesar da mostra não ter um tema específico, ela versa sobre a história do desenho, desde a pré-história até o desenho contemporâneo e sua mutações. A exposição, que prossegue até 6 de maio, está sendo realizada com recursos do edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio da Secretaria Estadual de Cultura de Goiás.
“As mutações da linguagem me interessam muito e me interessa explorar o desenho como técnica, linguagem, atitude, como pensamento e como forma de comunicação. Este conjunto de obras que poderá ser visto no Octo Marques traz desde criações de meados de 2025 até obras produzidas bem recentemente”, explica o artista.
“Cinema, televisão , grafite, moda, arquitetura e música principalmente – tudo para mim é motivo de especulação para o meu olhar e daí pode servir de inspiração para um desenho”, destaca Marcelo Solá. “Todo dia eu desenho em cadernos, seja em casa ou no ateliê e esses desenhos são como matrizes – a partir deles eu vou desenvolvendo os trabalhos finais”, conta Marcelo Solá ao falar sobre o seu método de criação e trabalho.
Vocação
Marcelo Solá, que nasceu em 1971, em Goiânia, definiu bem cedo que seria artista plástico, a partir de sua primeira exposição individual, em 1991. “Mas desde criança eu era aquele menino que desenhava. Tem um momento na alfabetização que a gente troca o desenho pela escrita, mas eu não. O desenho continuou muito forte na minha vida. Com 16, 17 anos eu gostava de desenhar em casa ou na rua, gostava de grafite”, recorda-se.
“Tudo isso se tornou uma linguagem, a minha forma de comunicação com o mundo. Os meus desenhos falam mais alto do que eu, são mais interessantes. O desenho é parte integrante da minha vida. É um braço da minha comunicação e da minha existência”, ressalta Solá.
Entre as diversas exposições do artista, ele destaca como as mais importantes as participações na 25ª Bienal de São Paulo e na Drawing Center, em Nova York, além da Marcelo Solá/Sntkk + Grafisch Atelier Hidrolands – Galeria Luciana Caravello (São Paulo – SP) e da individual que ele abre nesta quinta em Goiânia.
Desenho em mutação
A mostra Ainda Assim Por Isso Mesmo apresenta uma quantidade expressiva de obras: São 20 desenhos grandes, mais 70 obras pequenas – quase todas em desenho sobre papel, e foram produzidas com diversos materiais, com destaque para o lápis de cor e lápis pastel.
Marcelo Solá utilizou ainda outros materiais e técnicas como spray, gravura com desenho, serigrafia, esmalte sintético, entre outros. Alguns desenhos misturam estas técnicas e materiais. Um desenho mural feito diretamente numa das paredes do Octo Marques e até bordados feitos à mão também integram a individual.
Paralelo
Além das artes plásticas, Marcelo Solá é apaixonado por design gráfico e produção editorial. Há cerca de dez anos ele fundou a editora Hidrolands Grafisch Atelier, que tem foco na produção artesanal de livros com design arrojado e edições limitadas. Este lado do artista poderá ser conferido na mostra Coleção Hidrolands Grafisch Atelier, que será instalada numa sala anexa ao espaço principal do Centro Cultural Octo Marques.
A abertura desta mostra também será no dia 19. A seleção de obras e organização foi realizada por Isabela Junqueira e Marcelo Solá ; a expografia e a montagem ficaram a cargo de Cleandro Elias Jorge. “A Mostra Coleção traz obras dos artistas dos quais nós já fizemos livros e também de artistas que se aproximam, afetivamente ou de outra forma, dos artistas que já trabalharam com a gente”, explica Marcelo Solá.
Curadoria
A curadora Daniela Labra, que atua entre o Rio de Janeiro e Berlim, foi convidada por Marcelo para integrar esse projeto que já havia sido pensado por ele. “Como ele é um artista que produz muito, sem parar, quando fui visitá-lo em Goiânia, pelo projeto, em setembro de 2025, a quantidade de desenhos de tamanhos e papéis diferentes que ele tinha já era enorme – e só cresceu para essa individual”, recorda-se Daniela.
“O Marcelo sabe muito bem o que faz, e encontra lógica e ordem naquele caos de linhas, texturas e áreas de cor das suas composições”, avalia a curadora. “A novidade, para mim, eram os bordados que não podiam ficar de fora. Visitamos o espaço enorme no Centro Cultural e pensamos algumas coisas sobre a ocupação do lugar. Mostrar o máximo de desenhos atuais pareceu muito lógico, e eu sugeri modos de colocação dos tecidos dos bordados, além de sugerir uma pintura mural logo na entrada da galeria para recepcionar os visitantes. Ao invés de escolher algumas obras, eu dei sugestões sobre a montagem, enquanto fui conhecendo mais do universo colorido e barulhento desse grande artista”, ressalta Daniela.
A curadora destaca que Solá é um artista maduro, com uma produção gigantesca. “Marcelo conhece muito bem a linguagem e mídia que usa. Ele tem uma visualidade muito própria, e com o tempo as suas referências artísticas, inclusive musicais, se ampliaram, nutrindo sempre o trabalho”, aponta Daniela. “Sua obra artística afeta e é afetada por seus interesses e atividades com design gráfico e produção editorial; os amplos conhecimentos de materiais e técnicas que possui, se refletem na riqueza de elementos de seus desenhos”, complementa a curadora.
“Definitivamente ele é um dos maiores artistas gráficos-visuais de nosso tempo. Chamá-lo de desenhista é muito pouco. Sua obra é uma profusão de técnicas utilizadas com propriedade e liberdade, mantendo-se pulsante e atual. Acho que a obra de Marcelo Solá nunca ficará datada porque é atemporal – embora essencialmente contemporânea”, explica Daniela Labra.


Mostra: Ainda Assim por Isso Mesmo
Artista: Marcelo Solá
Técnica: Mista
Data: Abertura e visitação – a partir de 19 de março , às 19h
Encerramento: 6 de maio
Local: Centro Cultural Octo Marques (Rua 4, Ed. Parthenon Center)














