
Ausência de bom senso
Renato Dias
Reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do vice Geraldo Alckmin. É a estratégia do PT para 2026. Com a derrota da extrema direita. Vale a pena até trocar o slogan ‘Lulinha paz e amor’, adotar o ‘Lulinha porreta’, para mudar os rumos do Brasil. Em defesa do Estado Democrático de Direito, da soberania nacional, o que inclui o PIX, a condenação ao ‘tarifaço’ e as ameaças de Donald Trump [Republicanos]. É preciso que fique claro. As urnas no Brasil são tão seguras que impedem os votos de argentinos e norte-americanos. Somente brasileiros podem exercer o direito soberano. O que significa que a conquista do tetra do líder petista exige a subordinação da tática nos 26 estados da federação e no Distrito Federal e dos interesses pessoais, privados, particulares à orientação geral. Não é o que ocorreu em Goiás. Com 246 municípios, sete milhões de habitantes, 5.043.081 eleitores, a 8ª maior economia do ranking nacional. O Palácio do Planalto queria lançar Adriana Accorsi ao Palácio das Esmeraldas e Aava Santiago, Senado. Combativas, as duas recusaram a missão. Elas optaram pela zona de conforto. À Câmara Federal. Um equívoco.


Dados do Tribunal Superior Eleitoral [TSE] registram que 53% dos eleitores no país são mulheres. A diferença entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro no voto feminino é de 10 pontos percentuais: 9 milhões. Índices apresentados no último levantamento Datafolha. O que seria um novo reduto eleitoral para as esquerdas e centro-esquerda. Como o Nordeste. Com os seus nove estados. Brasília fez a leitura política, viu a tendência de voto e escolheu Juliana Brizola e Manuela D’ávila, no Rio Grande do Sul. Já Gleisi Hoffman, Paraná. Marina Silva e Simonte Tebet concorrerão em São Paulo. Benedita da Silva no explosivo Rio de Janeiro. Áurea Carolina e Margarida Campos, unidas na caminhada em Minas Gerais. Leila do Vôlei e Erica Kokay lado a lado no Distrito Federal. Soraia Thronike, Mato Grosso do Sul; Marília Arraes, em Pernambuco; Luizianne Lins, no Ceará; Elizane Gama, Maranhão; Hana Ghassan, Pará. Em tempo: o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad emitiu sinais claros de que não queria disputar em outubro de 2026 o pleito ao Governo do Estado de São Paulo. O segundo maior PIB do Brasil. Ele submeteu-se ao projeto nacional de 2026. Missão.


Longe da amnésia social, a memória a contribui à montagem do quebra-cabeças e desconstrói unanimidades. Dramaturgo e jornalista, Nelson Rodrigues aponta que ‘toda unanimidade é burra’. Nas eleições de 2002, para disputar a sua quarta Copa do Mundo [1989, 1994, 1998, 2002], a eleição presidencial, o ex-operário metalúrgico exigiu a flexibilização da política de alianças, inflexão ao centro democrático, subordinação de táticas à estratégia. Lula deu uma missão republicana a José Dirceu de Oliveira e Silva e a Delúbio Soares de Castro. Com a pré-campanha em Goiás à Câmara dos Deputados já em andamento, o professor de Matemática, fundador do PT e da CUT, um goiano com projeção nacional, despiu-se do projeto pessoal, que também era coletivo. Ele retirou a sua pré- candidatura, integrou-se à campanha nacional e constituiu-se em peça fundamental para a condução do garoto que saiu de Garanhuns, Estado de Pernambuco, Nordeste do Brasil, e do empresário liberal José de Alencar ao centro do poder político em Brasília [DF], capital da República. Uma eleição tão certa que a sua indicada para substituí-lo nas urnas, Neyde Aparecida, foi eleita.



A mensagem era adotar o mantra tolerância zero com erro na disputa nacional, hoje voto a voto com a extrema direita. A proposta foi colocada na mesa nos 26 estados e no DF. Como? A de que o melhor time, os principais jogadores da temporada, deveriam ser escalados pelo capitão da equipe Luiz Inácio Lula da Silva e seu braço direito Geraldo Alckmin. Mesmo assim, o pedido sensato do GTE da Federação Brasil da Esperança e aliados obteve uma resposta contraproducente. De que se tratava de misoginia do núcleo político de Brasília. Não é. É uma indicação política pautada por números e análise dialética da realidade. Puro suco de bom senso. Em tempos sombrios de escalada global da extrema direita. Basta ver os resultados das últimas eleições no Chile, Colômbia, Peru, Bolívia. Além do assanhamento de Jávier Milei. arroubos de Nayibi Bukele e recados diretos de Donald Trump e Marco Rubio. Dos emissários enviados pela Casa Branca para atacar a lisura das urnas eletrõnicas, o sistema eleitoral e eventual resultado desfavorável à extrema direita. Para denunciar, como na Venezuela, uma suposta fraude eleitoral. O fantasma do trágico dia 8 de janeiro de 2023.















