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A escala 6X1 e o Brasil

Hermes Traldi

Nesta semana assistimos um dos momentos mais tristes de nosso parlamento quando um tema altamente relevante foi tratado de forma absolutamente irresponsável. Um assunto de interesse nacional transformado em jogo político eleitoreiro cujas consequências foram relegadas a segundo plano. Não assistimos a verdadeiros representantes do cidadão que os elege, mas políticos da pior qualidade se colocarem numa rinha de galos e galinhas medindo força. O tema sobre horas e dias trabalhados como se fosse uma questão meramente ideológica.

Que tristes figuras ali estavam, como uma torcida da pior espécie numa arena primitiva. Até ridí­culas fantasias pudemos ver. Decoro, respeito, racionalidade deixaram de fora.  Não pudemos ver um único representante apresentar o quadro das relações entre empregado e empregadores da forma como ele realmente acontece. Trataram as classes com desrespeito, e como se fossem figuras pueris incapazes de cuidar sozinhas de seus interesses. Cada parlamentar ali comprovou seu despreparo, sua falta de conhecimento sobre as forças produtivas deste nosso Brasil.

Enquanto assistia aos pronunciamentos, as ações me recordavam de tantos momentos de bons debates que assisti ao longo da vida. Lembrei de um pensamento sobre a vida que diz serem incompatíveis a política e o trabalho. Onde entra a política sai a produção…   Realmente ali estiveram preocupados em preservar o sistema produtivo? De onde provém a riqueza que pagará salários, lucros e impostos? Pensaram na competitividade dos setores, milhares deles? Acreditaram neste povo e sua capacidade de construir modelos mais eficientes? Não, definitivamente não! E esperam a confiança através do voto! Ah, piada! 

E esperam a confiança através do voto! Ah, piada! 

Mas, um modelo interessante passou de leve pelo ambiente. Independentemente de quem o apresentou ou lembrou existir, faltaram bons parlamentares para defenderem. Se temos inúmeros modelos que suportam outros diversos segmentos com suas peculiaridades, não parece lógica a flexibilidade? Se realmente temos pleno emprego, não conhecem as leis de mercado em que oferta e procura regulam o preço? Incluindo trabalho? Pois se um segmento pagar menos e oferecer piores condições faltarão empregados.

Se reduzir a oferta sobe o preço. Enfim, concordando ou não com as leis de mercado, qual outro argumento lógico foi apresentado? A lógica do desejo de maior conforto? Ah ingênua ou inconsequente figura…. Num mundo globalizado onde é que se protegem empregos apenas com uma canetada? Em resumo, para vender uma imagem eleitoreira que desaparecerá em pouco tempo, os que dizem defender os interesses dos trabalhadores pouco se importaram em preservar o seu habitat. Este parlamento passou mais uma vez seu atestado de incompetência. Não me sinto representado.

Hermes Traldi é engenheiro agrônomo, produtor rural, empresário e ex-presidente da Agexp

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