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Cinema independente Antifascismo de chuteiras

Cartaz do documentário ‘Resistência Vermelha’

Cinema independente

Antifascismo de chuteiras

Resistência Vermelha, do realizador Felipe de Mendonça, mostra a cultura antirracista, nada sexista, longe de ser misógina, distante da homofobia de uma fração do Vila Nova F.C. [GO]

 

Renato Dias

Vermelho & antifascista. Nada de redundância. Com 10 minutos de duração, sob a direção do cineasta Felipe Mendonça, o documentário ‘Resistência Vermelha’, que já conquistou os prêmios de terceiro lugar na Mostra de Cinema da Universidade Estadual de Goiás [UEG] e foi selecionado para o Festival de Audiovisual de Vera Cruz [Favera], aponta a escalada fascista no Brasil. Os ventos que sopram no Estado. Mais: o papel de uma fração democrática e socialista, contra o fascismo, na torcida do  Vila Nova Futebol Clube. Agremiação esportiva fundada em 29 de julho do ano de 1943. O time completará 77 anos de glórias. Em 2020. A maior paixão do Centro-Oeste do Brasil. O primeiro clube de Goiás a participar de uma competição nacional, em 1961. O primeiro tricampeão [1961, 1962 e 1963]. O primeiro tetracampeão [1977, 1978, 1979, 1970]. O primeiro a participar de uma Competição Internacional, a Conmebol, em 1999. O maior público registrado no Estádio Serra Dourada dos últimos dez anos. De 2010 a 2020.

Solenidade de premiação: Ana Paula, Felipe de Mendonça, Caíque Lopes, Mano CDJ
Solenidade de premiação: Ana Paula, Felipe de Mendonça, Caíque Lopes, Mano CDJ

A equipe que produziu o filme ‘Resistência Vermelha’ é formada por Mano CDJ, um rapper e cineasta, ativista antirracista, como assistente de Direção e de Produção; Caíque Lopes, roteiro, direção e montagem; Ana Paula, assistente de produção, cinegrafista, fotografia e som; Pedro Maia, roteiro; Victor Milleo, produção, cinegrafia, fotografia, som, edição e monta­gem. A produção cinematográfica traz entrevistas exclusivas com Igor Dias, presidente da Torcida Organizada Vila Metal; Renato Dias, jornalista, cientista social, especialista em Políticas Públicas, mestre em Direito e Relações Internacionais, aluno extraordinário do Doutorado em Psicologia Social, ex – mascote, ex-diretor de Comunicação Social, ex-vice-presi­dente, ex-secretário-geral do Conselho Deliberativo e atual conselheiro grão-benemérito do  Vila Nova Futebol Clube; Bruno Abnner, historiador e cientista político; Fábio Marques, jorna­lista esportivo. Com imagens de época. Do Fascismo. Na Itália. De 1922 a 1945. Até a sua queda.

Felipe de Mendonça
Felipe de Mendonça

O documentário ‘Resistência Vermelha’, sem programação estabelecida ainda para exibição pública, retrata o surgimento de um movimento de corte antifascista no futebol goiano, relata  Felipe de Mendonça. O foco é na Torcida Organizada do Vila Nova Futebol Clube, a Vila Metal. Os estádios de futebol são, hoje, racistas, machistas, homofóbicos, sexistas, xenofóbicos, violentos, como o fascismo, sublinha o realizador. As raízes operárias e negras do clube foram apontadas pelos entrevistados. Cineasta de raro talento, o diretor admira a produção estética de Eduardo Coutinho _ ‘Cabra Marcado Para Morrer’ _, Petra Costa, indicada ao Oscar _ ‘Democracia em Vertigem’_ além de Roberto Berliner – ‘Nise – O Coração da Loucura’. É o seu primeiro filme. O fascismo é uma ameaça real, hoje, no Brasil, insiste. A obra dialoga com o Tempo Presente. Em uma cena icônica, o capitão reformado do Exército, admirador de Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador,  atual presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, veste uma camisa do Goiás, maior rival do Vila Nova Futebol Clube. O time da elite do Estado.

 

Vídeo

Veja um trecho do filme

 

Podcast

Entrevista de Felipe de Mendonça

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