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Vícios privados

explosivo

Chico Buarque, Apesar de você

Renato Dias 

Dois escândalos financeiros  [Master e INSS], dois personagens principais [Daniel Vorcaro e Antônio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS”]. Eles começaram a operar e desviar recursos do erário sob o mesmo cenário político, a Era Jair Messias Bolsonaro. Os beneficiados possuem âncoras no mesmo espectro político: a extrema direita no Brasil. Ambos somente foram investigados no Luiz Inácio Lula da Silva 3. Pela Polícia Federal. Os dois casos tiveram reação semelhante. Os que tinham as mãos sujas tentaram jogar a culpa da crise no colo da esquerda. 

Primeiro, em Frei Chico. Segundo, em Fábio da Silva, o Lulinha. Não colou. Mesmo assim confundiu a cabeça do eleitor. Narrativas moralistas como as de 1954, que abateu Getúlio Vargas. De1960, que elege Jânio da  Silva Quadros. Já no ano de 1964 derrubam João Goulart. Para instalar a mais longeva ditadura. Fernando Collor de Mello, embalado como “Caçador de Marajás”, 1989. O udenismo volta em 2013, 2016 e atinge o patamar em 2018. Com a eleição de um suposto outsider. Jair Messias Bolsonaro, hoje atrás das grades. O filme quer se repetir em 2026.

Inabilitado de 2016 até 2018, o Banco Master obtém a autorização para operar, do presidente do BC, Roberto Campos Neto, em 2019. O inquilino do Palácio do Planalto era Jair Messias Bolsonaro. Ex-cantor gospel e apresentador de um programa da Tv controlada pela Igreja Batista da Lagoinha, de Belo Horizonte [MG], Daniel Vorcaro entra no mercado de empréstimos consignados para aposentados em 2020.  Sob a Pandemia do Coronavírus Covid 19. O Brasil notifica 700 mil mortes. O endividamento das famílias aumenta. O PIB cai 5%. Os lucros da instituição financeira explodem.

Sedutor, Daniel Vorcaro diz em diálogo interceptado que Ciro Nogueira é um amigo para a vida. Ex-ministro da Casa Civil de Jair Messias Bolsonaro, o atual presidente nacional do PP apresentara a PEC Master no Senado. Já o governador do DF, Ibaneis Rocha [MDB], injetaria, do Banco Regional de Brasília, R$ 16,1 bilhões em títulos podres. O BRB já havia financiado com juros reduzidos uma mansão de luxo de 1,1 mil M2, na capital da República, a Flávio Bolsonaro. Acusado pelo MP-RJ de rachadinhas. Por uma suposta consultoria, ACM Neto recebe generosa quantia de R$ 3,6 mi.

Daniel Vorcaro sabia como movimentar as peças do xadrez e usava o seu poder econômico para abrir portas. Ele recorria também às ameaças e à violência. Com o seu “Sicário”. Com dois diretores do BC na sua gorda folha de pagamento, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, ele dribla a fiscalização, atrai também investimentos de R$ 2,6 bi do Rio Previdência, com a anuência de Cláudio Castro, de R$ 400 mi, do Instituto de Previdência do Amapá, Estado que é reduto de Davi Alcolumbre, o atual presidente do Congresso Nacional. Ele fazia interlocução com Hugo Motta.

Nikolas Ferreira, deputado federal da extrema direita, é flagrado no ar em voos no avião particular de Daniel Vorcaro, sem declaração de gastos ao TSE, em 2022, na campanha de Jair Messias Bolsonaro. Um sinal de reprovação do céu aparece na forma de um raio. Cunhado de Daniel Vorcaro, pastor da Igreja Batista da Lagoinha, Fabiano Zettel doou R$ 5 milhões às campanhas de Jair Messias Bolsonaro e Tarcísio Vieira. Um fundo de investimento ligado aos operadores teria negociado um resort em valores altos com uma empresa que tem Dias Tofolli, ministro do STF, como sócio.

O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes celebra contrato com o Banco Master, informa ter feito 94 reuniões, 34 pareceres, incorporado à defesa bancas e conta que nunca operou na suprema corte. Sob Luiz Inácio Lula da Silva, a PF atua como instituição de Estado e não de governo. Gabriel Galípolo decreta a liquidação do Master. Daniel Vorcaro é preso. Luiz Phillipi Mourão, o Sicário [Assassino de aluguel], morre nas dependências da PF. Mais: a PF diz ter as  gravações do vídeo de suposto suicídio. O STF mantém a prisão. O acusado troca de advogado e ensaia fazer uma delação.

Desvios do erário 

Anatomia de um escândalo 

Os dados divulgados até hoje apontariam à montagem em 2019 de um suposto quebra – cabeças de que o Banco Master teria sido criado para captar recursos financeiros em valores estratosféricos destinados a personagens de extrema direita, no Brasil, adeptos de Jair Messias Bolsonaro [PL], crê o professor doutor da Faculdade de História da UFG, David Maciel. Com fraudes bancárias, atira.

As doações às campanhas eleitorais de Jair Messias Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, em 2022, a disponibilização de avião ao deputado federal Nikolas Ferreira, os aportes financeiros do Rio Previdência, do Instituto de Previdência do Amapá, por exemplo, constituíram fortes indícios de uma eventual conexão política com o referido campo político e ideológico, detecta o docente marxista.

O Palácio do Planalto e a sua atual base política e parlamentar no Congresso Nacional não reagem, hoje, à ofensiva, dá o diagnóstico. Um cenário que pode se agravar mais com a possibilidade de intervenção de Donald Trump [EUA] nas eleições no Brasil, insiste. O STF enfrenta dificuldades para julgar o escândalo, diz. Há uma operação política e midiática para atribuir a crise ao Lula 3, vê.

A extrema direita está encalacrada até o pescoço no escândalo do Banco Master, afirma o professor doutor em Educação aposentado da Universidade de Sorocaba [Uniso-SP], Fernando Casadei Salles. É a maior fraude financeira da história econômica do Brasil, como a define Fernando Haddad, explica. Os números são impressionantes, admite. O assalto assusta pelos envolvidos, ressalta.

Eles, sem exceção, ocupam espaços políticos no espectro à direita, enfatiza. Personagens que enfrentam momentos existenciais difíceis diante da possibilidade de Daniel Vorcaro fazer uma delação premiada, observa. A mudança de advogado aponta na direção. A direita pode ser exposta criminalmente, alerta. O que provoca uma tensão no referido campo político, revela.

Daniel Vorcaro está, hoje, com as cartas nas mãos, analisa Fernando Casadei Salles. É aguardar a saída do banqueiro do isolamento a que está submetido no presídio federal de segurança máxima, pontua. Não há o que fazer, dispara. A vez no jogo é do dono do Banco Master e a extrema direita está em suas mãos, o docente examina o terreno em que os lances e a partida estarão em disputa.

O mundo está, hoje, nas mãos do capital financeiro, desabafa o professor doutor de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense [UFF], Daniel Aarão Reis Filho. A regulamentação do setor sofre acelerado processo de desmonte, alerta. Um descontrole absoluto, dispara. A República se desfaz, lamenta. Daniel Vorcaro é um aventureiro, ataca o pesquisador do Tempo Presente.


O escritor Daniel Aarão Reis Filho insiste que a proposta de adoção de um código de ética para o STF está congelada. Ela deixou os ministros da corte irritados, recorda-se. Como se fossem virgens ofendidas, ironiza. Nenhuma instituição pode pairar acima dos valores éticos, republicanos e democráticos, critica. As esquerdas deveriam estar na linha de frente das denúncias, ele lamenta

O intelectual público aponta que as esquerdas se tornaram gestoras da crise do capitalismo. O escritor faz referência a PT, PC do B, PSB, PDT [Mesmo o PSOL, com Marcelo Freixo e Guilherme Boulos]. O estatismo sugou a esquerda com o Varguismo [1930-1945, 1950-1954], Janguismo [1961-1964],, Brizolismo e o Lulismo [2003-2016, 2023-2026], ele formula também uma ácida critica.

Nascido no Peru, o professor doutor da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás [UFG], Carlos Ugo Santander, observa que a extrema direita é eficiente ainda para pautar a sua agenda e identidade política. Não parece ter perdido, hoje, no Brasil, capital simbólico e a bolha conservadora permanece coesa e impenetrável, aponta a @renatodias.online o sociólogo.

O especialista em América Latina avalia que o Palácio do Planalto continua com estratégias erráticas de comunicação social. Ele aponta um hiato, uma barreira, entre os atuais indicadores econômicos, sociais e culturais positivos e os índices de aprovação do governo federal e a popularidade do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O descompasso é explorado pela extrema direita, analisa.

O caso do Banco Master é a volta ao suposto, normal, ao escândalo, sublinha Carlos Ugo Santander. Terreno em que “pisam em ovos, diz. A crise mostra que o poder do sistema financeiro e seus interesses patrimonialistas e não republicanos consegue penetrar no Executivo, Legislativo, Judiciário, conglomerados de mídia. Com a geração de ruídos e desconfiança nas instituições

Não se fazem as ligações devidas com as variáveis políticas de um sistema político manco, afirma o professor doutor de Economia Urbana e Arquitetura da PUC Goiás, Lenine Bueno Monteiro. O que seria estrutural e revelado como “eventual corrupção”, ironiza. Analista de cenário, ele vê operações do Centrão para impedir delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Master. Barão ladrão, define – o.

Com o “jogo do abafa”, é construído passo a passo o tecido da impunidade, registra. Com peças impunes e blindadas teremos um “faz de conta” político, relata. Montado para salvar as cabeças que seriam cortadas por quebrar o erário, perpetuar desigualdades econômicas, sociais e manter a estrutura assimétrica e desonesta histórica instalada no país, pontua. Em um alto tom de indignação.

É apenas um aperitivo do processo eleitoral de outubro de 2026, fuzila Lenine Bueno Monteiro. A estratégia é manter a hegemonia do Centrão, da extrema direita, dispara. Para eleger cada vez menos representantes dos trabalhadores, dos excluídos, do povo, denuncia. Bertolt Brecht perguntaria: “Qual é o real criminoso: quem assalta um banco ou aquele que funda e opera um banco?”

Liberais 

Sebba e Traldi examinam crise

O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás Jardel Sebba [PSDB] torce para que o dono do Banco Master Daniel Vorcaro faça delação premiada prevista em lei. Com a divulgação de nomes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, emenda. Sem exceção, defende. Para que sejam processados, julgados e condenados, explica o líder tucano.

Deputado estadual por quatro mandatos consecutivos, governador do Estado de Goiás interino em dois episódios históricos, ex-prefeito de Catalão, o dirigente político considera que supostas ilegalidades cometidas por ministros do Supremo Tribunal Federal [STF] precisam ser investigadas e esclarecidas. Um verdadeiro escárnio caso as acusações sejam verdadeiras, ele eleva as criticas.

O Brasil ainda está longe de conhecer o tamanho do escândalo do Banco Master, a totalidade dos nomes envolvidos com Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel e os valores movimentados, afirma o ex-presidente da Associação Goiana dos Ex-prefeitos, crê Hermes Traldi. “Atos republicanos, doações legais, conversas amenas, além de ações ilegais e espúrias de membros Três Poderes da República.”

De todos os lados, alfineta o ex-prefeito de Goiatuba e engenheiro agrônomo. Até no Judiciário, expõe o produtor rural. Magistrado deveria se manifestar somente nos autos do processo judicial, registra o liberal de formação ilustrada. Além poderia ser classificado sim como suspeito, admite. Falta elucidar as extensas denúncias e é indispensável a elucidação total, ele metralha.

Esquerdas do divã 

Sigmund Freud
Sigmund Freud

Extrema direita sob a mira da PF

A crise é o sintoma de hipertrofia do sistema financeiro, da financeirização da economia, viciada em crescer com falta de transparência e de regulação, dispara o presidente do PT [Primeira zona de Goiânia], Edilberto de Castro Dias. O advogado denuncia a aplicação de R$ 40 mi da Prefeitura de Aparecida de Goiânia.

A extrema direita está sim enrolada com o escândalo do Banco Master, aposta Jordaci Matos. Membro do Diretório Nacional do PDT. Legenda fundada em 1980 por Leonel de Moura Brizola. Com as supostas participações de Jair Messias Bolsonaro e Roberto Campos Neto, observa o líder comunitário.

O Banco Master e as estrepolias, hoje, de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel constituem peças da engrenagem do capitalismo, conceitua o historiador marxista Reinaldo Pantaleão, da Unidade Popular. Não existe saída para os trabalhadores sem a revolução, atira. O que resta é a luta de classes, diz.

As medidas de desregulamentação do mercado financeiro são um convite ao crime, pontua o professor de História trotskista Fred Frazão [PSOL].  Ao banditismo, metralha. O único caminho é a estatização dos bancos, ele propõe. Com a cassação e inelegibilidade de políticos e magistrados, defende.

Físico e mestre em Engenharia Nuclear, Arthur Otto [Cidadania] detecta suposto movimento de novo golpe contra o Estado Democrático de Direito no Brasil. Com a participação dos conglomerados de comunicação, monopólios de mídia, Big Techs e sua lógica de algoritmos, além do capital financeiro, afirma.

Bancário de Xapuri, no Acre, Luís Celso [PC do B] vê um esquema financeiro e político iniciado sob Jair Messias Bolsonaro e Roberto Campos Neto e que produz fraudes bancárias, financiamento ilegal de campanha eleitoral da extrema direita e enriquecimento ilícito de personagens do cenário nacional.

Jogo do poder

As artimanhas do Centrão 

O advogado Luiz Fernando Dolci, crítico, diagnostica uma estratégia da extrema direita [do Centrão]. Ela opera, hoje, uma ferramenta para obter polpudos recursos financeiros e financiar vis campanhas de ódio nas redes digitais e nas mídias tradicionais para voltar ao poder. Com a sórdida manipulação de pesquisas para impulsionar Flávio Bolsonaro, frisa.

Já o advogado Gustavo Alves de Oliveira diz a @renatodias.online resumir a ópera. “A crise deveria ser do todo poderoso Centrão”, explica. O operador do Direito diz que o poder do referido campo político, ideológico e econômico é de tal magnitude tão poderoso que o escândalo pode explodir no colo do PT e o Centrão ficar como vítima.  “É assim desde 1.500”.

O rombo nos cofres públicos é colossal, reclama o engenheiro eletricista Rosemar Cardoso Maciel. Executivo e Judiciário devem partir para cima de quem lesou o erário, insiste. É preciso implodir o Centrão, bloco político hegemônico no Congresso Nacional que captura o orçamento da União com emendas, e derrotar a extrema direita, destaca.

Conglomerados de comunicação e as Big Techs querem vender a narrativa inverídica de que a roubalheira do Banco Master seria ecumênica, vê Altino Barros. Com envolvimento tanto da direita quanto da esquerda, sublinha. “Mentira”. Bomba que explodiria em Brasília, para que a conta seja paga pelo Governo Federal, relata. Um absurdo midiático, ataca.

Amanhã, Guilherme Arantes

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