
Renato Dias
Escolas, hospitais, instalações da Cruz Vermelha, monumentos históricos e até áreas residenciais constituem alvos dos Estados Unidos das Américas e de Israel na guerra deflagrada contra o Irã. O número de crianças mortas ultrapassa 176. Uma infância perdida. Mais: um futuro ameaçado. Como na Palestina.

O conflito já alcança, hoje, 14 países. O Estreito de Ormuz, em que passa 20% do petróleo que abastece o mundo, está fechado. O preço do barril dispara. Bolsas de Valores despencam. O Direito Internacional, letra morta. A ONU é desrespeitada por Washington e Tel Aviv. Cadáveres viram apenas estatísticas.

Os ataques à Venezuela e ao Irã mostram interesses econômicos nos combustíveis fósseis. Assim como geopolíticos. Para fragilizar a China. A sua rival na disputa pela hegemonia global. A derrubada da República Islâmica consolidaria o projeto da Grande Israel no Oriente Médio. A morte de Ali Khamenei compõe o xadrez.

Donald Trump quer dar resposta à sua base social. Acuado pelas denúncias de envolvimento com Jeffrey Epstein. Acossado com o desgaste do ICE e sua cruzada xenófoba. A volta da inflação ao bolso do norte-americano. Com temor de derrota nas urnas em novembro. O risco de eventual impeachment no Capitólio.

O premier Benjamin Netanyahu é alvo de escândalos de corrupção em Israel. É caçado pelo Tribunal Penal Internacional [TPI]. Em Haia, Holanda. Por crimes de lesa-humanidade. O genocídio palestino. Com 70 mil mortos. Ele enfrentará novas eleições em 2026. Em um país cansado de guerras. Nova guerra para unificá-lo.

O que não parecia estar no script é a resistência de Teerã, o uso de mísseis de longo alcance, velocidade e precisão, como de drones modernos no mercado bélico, além da ausência de “revolução colorida” depois da morte trágica do líder supremo, aos 86 anos. A liturgia xiita fez do ditador um novo mártir na região.


O que pensa a Academia

Uma ruptura na ordem mundial. É o que marca os ataques ilegais de Donald Trump, sem consultar o Congresso Nacional, e Israel, com Benjamin Netanyahu, ao Irã. A observação é do professor doutor de História da UFRJ, Francisco Carlos Teixeira da Silva.

As motivações de Washington e Tel Aviv são condenáveis, frisa. Eles mentem ao atribuir estrutura nuclear iminente ao Irã, crê. Mentira usada para efeito doméstico, alerta. Os dois líderes tentam obstruir a justiça, atira. Para controlar o petróleo e isolar China, Rússia e isolar os Brics, vê.
Como no “Dia da Infâmia”, nos EUA, em 7 de dezembro de 1941, sob o ataque do Japão a Pearl Harbor, apesar das negociações em curso, 28 de fevereiro de 2026 no Irã mostra o mesmo desprezo dos fascismos pelas normas e regras do Direito Internacional, ele informa.
O presidente da República, Donald Trump [Republicanos], não é novidade no stablishment dos EUA, avalia o professor doutor da Universidade de [Sorocaba-SP], Fernando Casadei Salles. É o velho e vil instinto do fascismo, do imperialismo, agora exposto sem máscara, ele dispara.

No tradicional e arcaico sprite em suas três dimensões, pontua. O intelectual público afirma que Donald Trump seria somente uma dimensão do passado norte-americano. Uma nação fundada em guerras. “É o cotidiano, o dia a dia do império”, o docente da Uniso, fuzila.
O que equivale a afirmar que é o mesmo das bombas atômicas jogadas em Hiroshima e Nagasaki, no Japão [1945], da Guerra da Coreia [1953], no Vietnan [1964], Afeganistão [2001], Iraque [2003], Venezuela [2026], ele sublinha. A folha corrida criminal dos EUA, metralha.
Os ataques ao Irã constituem parte da estratégia de confronto indireto, hoje, com China e Rússia, avalia David Maciel, professor doutor da Faculdade de História da UFG. A queda do regime quebra o eixo anti-EUA no Oriente Médio e enfraquece – o, analisa o pesquisador.

Além do controle no país das reservas petrolíferas, a quinta maior do mundo, a derrubada de Teerã facilita também a ocupação colonialista da Palestina por Israel, consuma o projeto sionista e fortalece o poder de Tel Aviv, diz.”Donald Trump joga as cartas do seu governo”.
David Maciel lembra que a morte do aiatolá Ali Khamenei favorece ainda as correntes da República Teocrática Islâmica que defendem a obtenção de armas atômicas pelo Irã, como uma forma de blindagem em relação às sórdidas agressões imperialistas.
Bombardeios bandidos, define – os Daniel Aarão Reis Filho, professor doutor do Núcleo de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense [UFF]. Lágrimas justas para os mortos, insiste. Ácido, ele lembra que o aiatolá Ali Khamenei era assassino e sacripanta.

O escritor denuncia os 30 mil iranianos fuzilados nos protestos contra a ditadura islâmica. Manifestações sacudiram o Irã em 2009, 2022, 2025 e 2026. As maiores desde a revolução de 11 de fevereiro de 1979. As lágrimas precisam ser vertidas primeiro para eles, desabafa.
É a mais grave ameaça à humanidade desde a guerra fria [1945-1991] e a corrida armamentista, resume a crise de 2026, que envolve 14 países, iniciada dia 28 de fevereiro, com o ataque dos EUA e Israel ao Irã e que matou o líder supremo Aiatolá Ali Khamenei, Roberto Abdala.

O professor doutor da Faculdade de História da UFG vê uma guerra estratégica no Oriente Médio promovida, hoje, pela extrema direita, Donald Trump e Benjamin Netanyahu, em queda de popularidade e que terão que responder à justiça, com novo projeto imperialista.
Depois do escândalo nos EUA Jeffrey Epstein, um espião do Mossad, é possível apreender que é uma estratégia de políticos e até religiosos de extrema direita que ainda atende aos interesses do Estado Sionista de Israel para enfraquecer China, Rússia e Irã , ele diz.
O conflito já era previsível, diz o professor doutor de História da Alberto Aggio. Com intervenções anteriores bem sucedidas e risco cirúrgico, destaca. O ataque atingiu o centro de poder do Irã, aponta. Ele obedece à batalha dos EUA pelo controle das fontes de petróleo globais, revela.

A China joga parada, não irá defender o Irã, a Rússia concentra as suas forças na guerra que dura quatro anos na Ucrânia e a guerra se expande ao Oriente Médio, afirma. A opinião pública mundial seria incapaz de obter a paz com condenações retóricas e discursivas, ele acredita.
Donald Trump possui o poder real de espalhar o caos, admite o professor doutor de Ciências da Religião Antônio Lopes. Os EUA sempre promoveram guerras, recorda-se. A ONU estaria hoje fragilizada, admite. É uma época do “vale tudo” no cenário internacional, registra.



Análise

Esquerda no divã
O ex-deputado federal Aldo Arantes [PC do B], pré – candidato ao Senado da República, diz que Donald Trump e Benjamin Netanyahu, neofascistas, querem depor o regime iraniano. O assassinato do aiatolá Ali Khamenei impacta o cenário político global, admite. Não creio em derrubada da República, afirma. A escalada da guerra pode sim atingir um novo patamar a um conflito de grandes proporções, ele informa.

Historiador trotskista, Fred Frazão [PSOL] observa que a estratégia de Donald Trump, maior belicista da atualidade, e de Benjamin Netanyahu, sionista, é promover a mudança de regime no Irã e mudar o equilíbrio de poder no Oriente Médio. Com derramamento de sangue, denuncia. Ao contrário da operação executada na Venezuela com o sequestro de Nicolás Maduro, aponta. O ataque atinge também a China, ele pontua.

Marxista, Reinaldo Pantaleão [UP] diz que tanto Republicanos quanto Democratas fomentam guerras, alimentam a indústria armamentista, invadem e exploram as riquezas naturais, comoditties, dos países, como ocorre no Irã, hoje. Apesar da morte do aiatolá Ali Khamenei, o Teerã resistirá, aposta. O professor de História lembra também que o país possui, hoje, conflitos internos. Como os protestos reprimidos em janeiro de 2026, vê.

Advogado, o presidente do PT da primeira zona de Goiânia, Edilberto de Castro Dias, frisa que o jogo de Donald Trump e Benjamin Netanyahu esperam a capitulação total do regime. Já o Irã investe em uma guerra assimétrica, atira. Para tornar o custo insuportável aos EUA, sublinha. Teerã transforma em martírio e comoção regional a execução do líder supremo Ali Khamenei, 86 anos de idade, registra. Uma crise imprevisível, diz.

Autora do conceito “Socialismo ou Barbárie”, a economista polonesa Rosa Luxemburgo, morta em 1919, na Alemanha, continua atual, avalia o advogado Rubens Donizetti [PSTU]. Uma guerra imperialista dos EUA e Israel, a critica. Após a invasão e sequestro na Venezuela, desabafa. O que legitimaria o controle do Oriente Médio por seu cão de guarda, ataca. Donald Trump quer o petróleo do mundo, alerta o trotskista.

Sindicalista, o engenheiro eletricista Rosemar Cardoso Maciel analisa que a Casa Branca tem forte atração e vis interesses em países com reservas de petróleo e o Estado Sionista de Israel quer eliminar o seu mais forte inimigo no Oriente Médio para consolidar o projeto estratégico de uma “Israel Grande”. O socialista diz não ter simpatia pela ditadura islâmica. “Regime que oprime mulheres e LGBTsQIAP+ e fratura o país”.

Físico e mestre em Engenharia Nuclear, o professor Arthur Otto [Cidadania] lembra que o presidente dos EUA, Donald Trump, está acuado com as novas revelações dos Arquivos Jeffrey Epstein, já desgastado com a violência do ICE e as deportações em massa de imigrantes que trabalham no país, a derrota política e jurídica do Tarifaço Global na Suprema Corte e quer reverter o crescimento de sua impopularidade até as eleições.

A visão liberal
O que pensa Hermes Traldi?
EUA e Israel atacam um parceiro econômico estratégico da China, o Irã, resume o liberal Hermes Traldi. Não se trata de um novo adversário, ele explica.

As ações políticas e militares de Donald Trump e Benjamin Netanyahu constituem flagrante desrespeito às normas e leis internacionais, observa. “Sem dúvida”.
A Casa Branca nem mesmo nega a sua estratégia de derrubar pela força ilegal o regime político instalado em 11 de fevereiro do ano de 1979, em Teerã, frisa.
Para Israel, o Irã é um inimigo mortal, avalia o produtor rural, empresário e ex-presidente da Agexp. Agrônomo, Hermes Traldi é um homem do mercado.
Múltiplas razões históricas geopolíticas, ideológicas e religiosas os afastam, pontua. Os efeitos colaterais dependem da extensão do conflito, afirma.

Ideias
Economia, geopolítica e diplomacia
O assassinato do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica do Irã, é um grave ato da Política Externa do presidente dos EUA, Donald Trump, analisa o diretor-executivo do ISA, Márcio Santilli. Ativista político ambiental.

O ataque de Washington e Tel Aviv já desencadeou uma violenta guerra aberta e incendiou o instável Oriente Médio. É o que relata, hoje, o observador do cenário internacional. Um clima sem precedentes, insiste. “Crise deve escalar”.
O agravamento do conflito trará efeitos negativos para o comércio global, assim como para as relações econômicas nos cinco continentes do planeta, explica o pesquisador do Tempo Presente. “Conflito regional e efeito mundial”.
O presidente da Associação Goiana de Imprensa [AGI], Valterli Guedes, diz que os ataques dos EUA e do seu satélite Israel são característicos de Donald Trump. Ele quer dominar o mundo, avalia. “Pelas armas ou pressão econômica”.

Não é possível prever o desenrolar da guerra, muito menos a data do seu término, revela. O Irã, antiga civilização persa, com seis mil anos, tem sólida expertise em guerra de longa duração e equipamentos bélicos modernos, vê.
Além do seu arsenal de mísseis e drones, a República Islâmica do Irã mostra que possui um histórico de resiliência para enfrentar um conflito de longo curso, destaca Valterli Guedes, jornalista e procurador jurídico da Assembleia [GO].

Opinião
Considerações sobre a guerra
Betty Almeida
Todos esperavam por isso, a apreensão, contudo, envolta em uma nesga de esperança de que o xerife do mundo tivesse um resto de lucidez. As negociações recentes deixavam entrever uma esperança de acordo. Mas Trump já havia dado os sinais inequívocos de estar disposto a iniciar uma guerra para impedir que sua hegemonia no Sudoeste da Ásia fosse perdida.

Já durante sua campanha presidencial, em 2024, o Diario ABC espanhol noticiou que Trump incitou o primeiro-ministro israelense a encerrar a guerra em Gaza em prazo de dois meses e acenou com ataques às instalações nucleares do Irã. Depois da matança genocida em Gaza, continuada com sua ocupação, o xerife e seu capanga sionista, interessado em implantar o projeto da grande Israel, dão mais um passo na escalada de brutalidade contra a soberania e autodeterminação dos povos.

Desde a Revolução Islâmica que lhe retirou o domínio sobre o petróleo de Irã, os EUA vêm tentando asfixiar o país com sanções e bloqueio econômicos, sem se importar com as consequências, que infligem sofrimento à população do país. Os EUA querem a todo custo impedir que os cientistas iranianos construam uma bomba atômica, o que lhes garantiria uma certa imunidade – a Coreia Popular, inimiga figadal dos EUA e detentora da bomba, não é um alvo.
Trump lavou as mãos para a Ucrânia, jogando nas mãos subservientes de seus vassalos europeus, tanto quanto possível, o custo da guerra, para concentrar recursos e ocupar sua indústria militar na nova guerra ofensiva e quente. Seu primeiro mandato valeu-lhe o título de presidente estadunidense que não iniciou guerras e invasões.

Neste segundo mandato, acuado diante da ascensão da China e da Rússia e da queda da supremacia do dólar, ele atira este título ao lixo e investe na guerra imperialista, tão cara aos seus antecessores, republicanos ou democratas, ao longo de séculos. Trump passa por cima de rivalidades internas, da Constituição estadunidense e das determinações do Congresso de seu país.

O Irã, apesar da crise gerada principalmente pelo bloqueio econômico dos EUA, possui capacidade militar importante, como prova um primeiro ensaio, o ataque de Israel em 2025, suspenso por iniciativa de Israel depois dos doze dias de resistência e revide do Irã à agressão.

O ataque à Venezuela poderia ser considerado o segundo teste, para avaliar a reação do mundo e a eficácia e consequências da ação. Os resultados mostraram-se favoráveis aos intentos de Trump: seus hitmen conseguiram sequestrar, em um ataque sangrento, mas rápido, um presidente da república, sem nenhuma reação enérgica das grandes potências preocupadas com seus objetivos estratégicos de construir a multipolaridade mundial, secundadas pelo quase silêncio dos países periféricos temerosos de sanções e agressões.

A isso somou-se a ausência de grandes massas populares nas ruas – que por sinal, não conseguiram ter uma influência realmente decisiva sobre o fim do genocídio em Gaza. Mas mesmo assim, devem voltar a ocupar as ruas, pelo Irã, pela Venezuela e pela Palestina. As declarações dos governos europeus são vergonhosas. A França chega a culpar o Irã pela agressão, usando o velho chavão do programa nuclear, proibido a quem não pertence ao clube atômico chefiado pelos Estados Unidos e no qual só são admitidos seus cúmplices e vassalos, esquecendo deliberadamente a história do Iraque. A guerra atual é de sobrevivência e fica muito claro que tão cedo quanto possível, o Irã deverá construir armas atômicas para se defender das agressões externas.

A agressão do xerife do mundo e seu capanga sionista ao Irã iniciou-se pelo massacre covarde de 176 crianças. A República Islâmica é acusada a torto e a direito de oprimir mulheres com as leis corânicas. A dupla imperial-sionista escolheu como alvo inicial de sua agressão justamente meninas que iam à escola para instruir-se. O outro crime hediondo foi contra um ancião de 86 anos e sua família.
O Aiatolá Khamenei, autoridade máxima política e religiosa do Irã, que sobreviveu a um atentado em 1981, sucumbiu aos assassinos imperial-sionistas no dia 28 de fevereiro de 2026. Essa morte tem o objetivo de abater o ânimo da população e desarticular a liderança do país, provocando uma grave crise que possa levar à desejada “mudança de regime”, permitindo que seja restaurado o domínio dos EUA, anulado há 47 anos com a queda do Xá Reza Pahlevi e a vitória da Revolução Islâmica.
Os iranianos não querem essa mudança. Querem que a soberania do país seja mantida, que suas riquezas sejam preservadas, que sua autodeterminação seja respeitada pela comunidade internacional, que seu desenvolvimento econômico e social não sofra bloqueios e entraves impostos pelo imperialismo em crise e rejeitam a derrubada de seu governo por agressores estrangeiros, um dos quais é o sionismo, do qual o Irã sempre ajudou a Palestina a defender-se.
A longa vida do Aiatolá Khamenei foi dedicada à religião e à política. Parte de sua vida foi vivida na clandestinidade ou na prisão. Ele se tornou o sucessor do Aiatolá Khomeini, primeiro chefe da Revolução Islâmica e falecido aos 86 anos, em 1989. Desde o ataque de Israel em 2025 o Aiatolá Khamenei, com a vida em risco, mostrava-se preocupado com sua sucessão.
De acordo com a Constituição iraniana, o presidente Masoud Pezeshkian, do Judiciário, o chefe do poder judiciário Gholam Hossein Mohseni Ejeie, o chefe do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf e o aiatolá Alireza Arafi, nomeado para o Conselho dos Guardiães, devem assumir interinamente a função de governo até que a Assembleia dos Peritos eleja o sucessor do Atatolá Khamenei.
A Assembleia é composta de 88 religiosos que avaliam os candidatos e escolhem o chefe da Revolução islâmica. Nas circunstâncias atuais, porém, será difícil reunir a Assembleia. Imagens aéreas mostraram as ruas de diversas cidades do país cheias de manifestantes que protestavam contra o assassinato de Khameni e lamentavam sua morte. Os iranianos reverenciam o Aiatolá Khamenei com um luto de 40 dias e sete dias feriados. Além do Aiatolá Khamenei, sua filha, seu genro, sua nora e seu neto foram também assassinados. (Ver Agência Brasil e BBC News Afrique).
O Irã antevia o ataque e preparou-se para a concretização da agressão. Retaliou de imediato com mísseis que atingiram bases estadunidenses situadas em países vassalos próximos, de início com armas mais antigas, reservando o poder de fogo das armas mais modernas para os próximos ataques. Seus dirigentes sabem que de sua capacidade de resistir e expulsar os invasores depende o destino do país e do mundo e não podem permitir a vitória do xerife e do capanga sionista, sempre dispostos a sacrificar vidas e patrimônio material para garantir a hegemonia mundial do imperialismo.
Os iranianos não podem deixar que venha a guerra mundial declarada e a ameaça de destruição da humanidade. Contudo, esta grande responsabilidade e tarefa, para o Irã sozinho é desmedida e seus aliados vizinhos, entre os quais os valentes mas enfraquecidos Hamas e Hezbollah, além do Iêmen, talvez não consigam prestar ajuda suficiente.
A supremacia militar dos EUA tem pontos fracos, aponta Scott Ritter, ex-oficial dos EUA, tal como a capacidade de produzir munição e a manutenção de gigantescos porta-aviões, a um tempo fortalezas, mas também alvos para seus inimigos, que têm capacidade para atingi-los. Além disso, os EUA não poderão dominar o Irã sem ocupação física, sem o envio de tropas ao seu território. Os soldados doutrinados de Israel e os jovens estadunidenses insatisfeitos com Trump obedecerão de bom grado às ordens de conscrição? O grande trunfo do Irã é o Estreito de Ormuz, que está sob alerta. Seu fechamento poderá pôr em colapso o transporte de petróleo e a economia mundial.
Em 1962, na crise dos mísseis, diante da ameaça de invasão de Cuba pelos EUA, Che Guevara exclamava: “O Imperialismo continuará perdendo uma a uma suas posições ou lançará, bestial, como acaba de ameaçar, um ataque nuclear que incendeie o mundo em uma fogueira atômica?” Fidel Castro completava: “… se eles usarem a arma atômica, o que pode acontecer é que nos eliminam, só que isso significaria um povo eliminado, um povo exterminado, não um povo dominado, um povo escravizado.” (Ver José Rodrigues Mao Júnior, mestre e doutor em História Econômica pela FFLCH-USP)
Na época, Nikita Khruschev, dirigente da União Soviética, apoiou Cuba, negociando com John Kennedy, então presidente dos EUA. A URSS retirou seus mísseis de Cuba e Kennedy também retirou os seus, instalados na Turquia. A situação internacional é outra, hoje. O imperialismo está mortalmente ameaçado e avança em sua sanguinária e aventureira escalada, que põe o mundo em risco. A barganha sangrenta de hoje poderia envolver um ataque da China a Taiwan e um recrudescimento da violência russa na guerra da Ucrânia.
Os adversários poderosos de Trump terão de enfrentar o xerife do mundo e ajudar o Irã, ou seus próprios planos de conquistar a multipolaridade vencendo a hegemonia do imperialismo fracassarão. Haverá o bloqueio do trecho da nova rota da seda que passa pelo Irã e a interrupção do comércio da Rússia com o Irã. A terceira guerra mundial, neste momento, é um risco real para a humanidade, mesmo que ninguém tente deter Trump. Mas é vital detê-lo. Já é tempo das grandes potências aprenderem a reagir com energia e ação concreta às provocações e desmandos de Trump, ou nunca ascenderão a uma posição de autoridade para impor-se como centros de poder verdadeiramente relevantes em um mundo multipolar.

Brasília, março de 2026
Betty Almeida é professora doutora aposentada da UFPB e biógrafa de Honestino Monteiro Guimarães

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