{"id":7552,"date":"2021-07-02T13:17:53","date_gmt":"2021-07-02T16:17:53","guid":{"rendered":"https:\/\/renatodias.online\/movimento\/?p=7552"},"modified":"2021-07-02T13:18:54","modified_gmt":"2021-07-02T16:18:54","slug":"7552","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/renatodias.online\/movimento\/2021\/07\/02\/7552\/","title":{"rendered":"Necropol\u00edtica de Jair Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_5888\" aria-describedby=\"caption-attachment-5888\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5888\" src=\"https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Bomba-A-morte-da-Politica.jpg\" alt=\"explosivo\" width=\"600\" height=\"600\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5888\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #008000;\"><strong>explosivo<\/strong><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Necropol\u00edtica de Jair Bolsonaro<\/strong><\/span><\/h1>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Henrique Costa Mattos<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Brasil comemorou de forma macabra o assassinato de L\u00e1zaro Barbosa um criminoso que esteve preso algumas vezes fugindo devido \u00e0 incompet\u00eancia e corrup\u00e7\u00e3o do sistema carcer\u00e1rio brasileiro, que \u00e9 uma verdadeira escola do crime e n\u00e3o tem capacidade de ressocializar ningu\u00e9m, mesmo tendo a terceira maior popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria do planeta, com quase um milh\u00e3o de prisioneiros, perdendo s\u00f3 para os Estados Unidos da Am\u00e9rica e para a China. L\u00e0zaro era um psicopata, assassino que agia com extrema viol\u00eancia contra pequenos chacareiros (inclusive matando uma fam\u00edlia inteira de pessoas, pai, m\u00e3e e dois filhos), fazendeiros e pessoas humildes, mas nada justifica um Estado incapaz de julg\u00e1-lo, puni-lo, prend\u00ea-lo e mant\u00ea-lo preso. O Estado de Direito exige capacidade institucional de evitar a barb\u00e1rie dentro da legalidade. Crimes cometidos pelos piores fac\u00ednoras n\u00e3o autoriza o Estado agir ilegalmente e sair praticando outros crimes.\u00a0 A l\u00f3gica de matar bandido, fazer carreatas e comemora\u00e7\u00f5es, mesmo depois que For\u00e7as Policiais passarem mais de 20 dias sendo humilhadas por um deficiente mental que fugindo recebeu apoio de fazendeiros e at\u00e9 da ex-esposa e sogra s\u00f3 demonstra que a pol\u00edcia no Brasil n\u00e3o tem capacidade t\u00e9cnica, cient\u00edfica e nem interesse de conter a viol\u00eancia. Ela quer ser parte da viol\u00eancia, de prefer\u00eancia agindo criminosamente para impor a \u00fanica coisa que efetivamente sabe, uso da repress\u00e3o, tortura, execu\u00e7\u00e3o, pr\u00e1ticas ilegais e uso de armas pesadas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-7326 aligncenter\" src=\"https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Lazaro-Barbosa.jpg\" alt=\"\" width=\"419\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Lazaro-Barbosa.jpg 419w, https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Lazaro-Barbosa-300x172.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 419px) 100vw, 419px\" \/><\/p>\n<p>O problema \u00e9 que no Brasil aqueles que s\u00e3o considerados criminosos agora vem sendo tratados, principalmente pelas For\u00e7as Armadas Brasileiras, com o uso do conceito norte-americano da guerra h\u00edbrida, que destaca a luta contra o terror, como se esse fosse inclusive praticado por cidad\u00e3os comuns, que passam a ser vistos como inimigos do Estado, ao fazerem suas reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e a defesa de seus interesses de cidadania. Por\u00e9m, ao misturar as pr\u00e1ticas criminosas dos bandidos comuns e incluir as lutas sociais no Brasil, abriu-se espa\u00e7o para relativiza\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, de garantias penais e sociais e acima de tudo jogou-se na lata de lixo a Constitui\u00e7\u00e3o Federal abrindo-se um per\u00edodo de necropol\u00edtica e barb\u00e1rie no Brasil. Algo que n\u00e3o come\u00e7ou com Bolsonaro, mas que com ele ganhou uma pr\u00e1tica governamental e institucional.<\/p>\n<figure id=\"attachment_6542\" aria-describedby=\"caption-attachment-6542\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6542\" src=\"https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Barbarie-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1364\" srcset=\"https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Barbarie-scaled.jpg 2560w, https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Barbarie-300x160.jpg 300w, https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Barbarie-1920x1024.jpg 1920w, https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Barbarie-768x409.jpg 768w, https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Barbarie-1536x819.jpg 1536w, https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Barbarie-2048x1091.jpg 2048w, https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Barbarie-750x400.jpg 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6542\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Barb\u00e1rie<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>A ideia fixa do governo Bolsonaro de que o caminho para acabar com a viol\u00eancia \u00e9 matar a bandidagem, eliminar e reprimir os movimentos sociais e sindicais, misturou alho com bugalho e gerou mais um grave ciclo de viol\u00eancia no pa\u00eds. Nesse sentido, o Brasil que j\u00e1 vinha passando por diversos ciclos de amplia\u00e7\u00e3o e recuo do n\u00famero de assassinatos nas cidades e campo, virou um campo de batalha, morte e matan\u00e7a, aprofundando a a\u00e7\u00e3o das for\u00e7as policiais, das mil\u00edcias, grupos de exterm\u00ednio, pistolagem e todo tipo de assassinos de aluguel. Dados divulgados pela CPT (Comiss\u00e3o Pastoral da Terra) aponta que nos \u00faltimos vinte anos, entre 2000 e 2020, houve a triste marca de 792 assassinatos no campo brasileiro. Isso s\u00f3 demonstra que a postura do governo Bolsonaro de estimular a aquisi\u00e7\u00e3o de armas de fogo de maneira geral, mas tamb\u00e9m de fazendeiros, latifundi\u00e1rios, grileiros, madeireiros, garimpeiros e atores do agroneg\u00f3cio, para suposta autodefesa, foi um elemento fundamental para o crescimento dessas mortes.<a name=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_4031\" aria-describedby=\"caption-attachment-4031\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4031\" src=\"https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Jair-Bolsonaro-e-Fabr\u00edcio-Queir\u00f3z.jpg\" alt=\"Jair Bolsonaro\u00a0 e Fabr\u00edcio Queiroz\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Jair-Bolsonaro-e-Fabr\u00edcio-Queir\u00f3z.jpg 768w, https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Jair-Bolsonaro-e-Fabr\u00edcio-Queir\u00f3z-300x200.jpg 300w, https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Jair-Bolsonaro-e-Fabr\u00edcio-Queir\u00f3z-360x240.jpg 360w, https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Jair-Bolsonaro-e-Fabr\u00edcio-Queir\u00f3z-750x500.jpg 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4031\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Jair Bolsonaro\u00a0 e Fabr\u00edcio Queiroz<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>De 2002 a 2020 ocorreu diferentes conjunturas nas lutas de classes no campo brasileiro. S\u00f3 para se ter uma ideia em 2002 o Relat\u00f3rio Conflitos no Campo de 2002 da CPT havia registrado 925 conflitos, j\u00e1 no relat\u00f3rio de 2003 houve um registro de 1.690, e, nos anos seguintes, assinalaram-se n\u00fameros ainda maiores. (CPT RELATORIO CONFLITOS NO CAMPO BRASIL, 2020, p. 204). Isso vem provocando uma situa\u00e7\u00e3o de quase guerra civil no campo brasileiro, que com os decretos presidenciais de favorecimento do armamentismo, tem contribu\u00eddo de forma eficaz para eliminar lideran\u00e7as e membros de comunidades tradicionais (ind\u00edgenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores etc.), posseiros, pequenos propriet\u00e1rios e todos aqueles dispostos a manter sua pequena propriedade rural. Resolver na base da bala, trucul\u00eancia policial ou pistolagem passou a ser o tom dos conflitos no campo.<\/p>\n<p>O maior ascenso das lutas no campo se deu entre 2002 e 2007, sob a expectativa de retomada da reforma agr\u00e1ria no governo Lula. J\u00e1 entre 2008 e 2015 houve um descenso das lutas, desmobiliza\u00e7\u00e3o dada pelos limites dos governos Lula e Dilma e ofensiva do latif\u00fandio. J\u00e1 a partir de 2016, com o golpe contra Dilma Rousseff, e a forma\u00e7\u00e3o da nova coaliz\u00e3o neoliberal, voltamos a verificar o crescimento de conflitos no campo e o aumento do n\u00famero de assassinatos e novamente ascenso das lutas em defesa pela e da terra, da \u00e1gua, das comunidades tradicionais e terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5361\" aria-describedby=\"caption-attachment-5361\" style=\"width: 222px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5361\" src=\"https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Luiz-Inacio-Lula-da-Silva-1.jpg\" alt=\"Luiz In\u00e1cio Lula da Silva \u2013 caricatura\" width=\"222\" height=\"594\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5361\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Luiz In\u00e1cio Lula da Silva \u2013 caricatura<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>A partir de 2016, com o Golpe de Estado que resultou no impedimento da presidenta da Rep\u00fablica Dilma Rousseff, e a ascens\u00e3o do governo ileg\u00edtimo de Michel Temer, um conjunto de altera\u00e7\u00f5es legais foram realizadas no plano da regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, com implica\u00e7\u00f5es e retrocessos no direito de acesso \u00e0 terra, tendo como marco significativo a aprova\u00e7\u00e3o da Medida Provis\u00f3ria 759\/2016, posteriormente convertida na Lei n\u00b0 13.465\/2017, denominada Lei de Regulariza\u00e7\u00e3o Fundi\u00e1ria Rural e Urbana.<\/p>\n<figure id=\"attachment_6321\" aria-describedby=\"caption-attachment-6321\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6321\" src=\"https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Michel-Temer-_-6-Mix-_-Uol.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"1057\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6321\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Michel Temer<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>Com Bolsonaro presidente os grupos latifundi\u00e1rios, grileiros, madeireiros, garimpeiros e atores do agroneg\u00f3cio, voltaram a expandir com veem\u00eancia suas a\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias as terras ind\u00edgenas, quilombolas, tradicionais, sempre revestidos de uma suposta \u201clegalidade\u201d e defesa de seus interesses e investimentos econ\u00f4micos. Essas a\u00e7\u00f5es sempre foram encaradas pelo governo federal, com ministros, superintendentes de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e outras lideran\u00e7as pol\u00edticas bolsonaristas agindo em solidariedade e at\u00e9 mesmo com suporte estatal, a madeireiros, garimpeiros, fazendeiros ou simplesmente de forma indiferente nas a\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Muitos dos atores do agroneg\u00f3cio n\u00e3o s\u00f3 fazendeiros chucros e ignorantes, mas tamb\u00e9m empres\u00e1rios sofisticados, com estudo universit\u00e1rio, grandes produtores de soja, criadores de gado de ra\u00e7a e com uma grande superestrutura empresarial. Mas nada disso impede de usaram a pistolagem, o trabalho sujo de jagun\u00e7os, pistoleiros, matadores de aluguel para ocuparem terras de posseiros, terras de quilombolas, comunidades tradicionais e terras ind\u00edgenas. Muitos deles utilizam-se de pr\u00e1ticas violentas e criminosas, como o trabalho escravo e o uso do trabalho prec\u00e1rio, sem carteira assinada ou sem cumprir quaisquer normas legais.<\/p>\n<p>Segundo den\u00fancias de ind\u00edgenas, constantes em v\u00e1rios processos administrativos da Funai, muitas lideran\u00e7as foram mortas e comunidades aterrorizadas por pistoleiros e jagun\u00e7os contratados por fazendeiros para tocar o terror e expulsarem ind\u00edgenas, quilombolas, posseiros e outros pequenos propriet\u00e1rios de suas terras. Repetindo-se uma pr\u00e1tica antiga, mas que ganhou ares de naturalidade com o governo Bolsonarista, que sempre argumentou que somente quando os propriet\u00e1rios se armarem no campo e na cidade os invasores, baderneiros e arruaceiros poderiam ser contidos. Por\u00e9m propositalmente esquecendo-se que os maiores invasores, maiores interessados em ocupar terras p\u00fablicas, ind\u00edgenas ou de pequenos propriet\u00e1rios s\u00e3o justamente os latifundi\u00e1rios, empres\u00e1rios do agroneg\u00f3cio, mineradores, garimpeiros e madeireiros.<\/p>\n<p>Isso gerou uma amplia\u00e7\u00e3o dos conflitos, das mortes, da falta de reconhecimento das entidades representativas dos trabalhadores rurais, dos ind\u00edgenas, dos extrativistas, dos quilombolas e dos movimentos sociais brasileiros, estimulando, avalizando e avan\u00e7ando as pr\u00e1ticas da superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, de destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente, do avan\u00e7o sobre as terras ind\u00edgenas e de outras pr\u00e1ticas contra as comunidades campesinas, quilombolas, ribeirinhas e comunidades tradicionais do campo.<\/p>\n<p>Com Bolsonaro, as injusti\u00e7as, as desigualdades sociais e ambientais, o n\u00famero de assassinatos e amea\u00e7as de morte voltaram a se intensificar, com o Estado andando para tr\u00e1s, criando enormes dificuldades para apurar e evitar os conflitos no campo, deixando de resolver os impasses da luta da terra, deixando de atender a demanda hist\u00f3rica pela Reforma Agr\u00e1ria, os direitos dos povos do campo, a demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas e quilombolas, de posseiros e outros trabalhadores rurais, colaborando diretamente para ampliar a viol\u00eancia, as viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos, os cortes do or\u00e7amento de pol\u00edticas p\u00fablicas fundamentais para a sociedade e o combate aos in\u00famero de assassinatos.<\/p>\n<p>Considerados como anos da ruptura pol\u00edtica, 2015-2017, a CPT aponta que a m\u00e9dia anual de assassinatos saltou para 60,6% (CPT, 2017, p. 7-8). Com o forte acirramento da viol\u00eancia no campo, o ano de 2017 encerrou com o triste registro de 71 camponeses e lideran\u00e7as assassinadas, o maior n\u00famero dos \u00faltimos tempos. A ocorr\u00eancia dos massacres Colniza (MT), Vilhena (RO), Len\u00e7\u00f3is (BA), Canutama (AM) e em Pau D\u2019Arco (PA), resultando em 31 assassinatos, gravou o ano de 2017 como o ano da volta dos massacres no campo, pois, \u201cdesde 1988 n\u00e3o se registrava, num \u00fanico ano, mais do que dois massacres\u201d (CPT, 2017, p. 7-8).<\/p>\n<p>Ao destacar o grau de letalidade das a\u00e7\u00f5es das elites agr\u00e1rias em diferentes conjunturas pol\u00edticas, de forma mais expressiva pelo n\u00famero de assassinatos de trabalhadores rurais, n\u00e3o perdemos de vista o fato de que as diversas dimens\u00f5es dos conflitos agr\u00e1rios tamb\u00e9m podem ser lidas como express\u00f5es de a\u00e7\u00f5es antidemocr\u00e1ticas, como uma viol\u00eancia abusiva que mata os trabalhadores rurais, fisicamente, enquanto tentam matar a esperan\u00e7a de constru\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es dignas de acesso \u00e0 terra e de reprodu\u00e7\u00e3o da vida no campo agr\u00e1rio no Brasil.<\/p>\n<p>Os dados comparados, cobrindo o per\u00edodo do \u00faltimo ano do Governo Lula at\u00e9 o primeiro ano do Governo protofascista de Jair Bolsonaro, indicam a dinamicidade das a\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia, mas tamb\u00e9m a inscri\u00e7\u00e3o e o lugar da rea\u00e7\u00e3o e da resist\u00eancia dos trabalhadores rurais em diferentes contextos de luta, com avan\u00e7os e retrocessos, em todas as conjunturas pol\u00edticas. De um modo ilustrativo, os conflitos trabalhistas diminu\u00edram de uma maneira significativa ao longo desse per\u00edodo, indicando o impacto das den\u00fancias das situa\u00e7\u00f5es de superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho e da escravid\u00e3o contempor\u00e2nea.\u00a0Por\u00e9m, a partir de 2015, o n\u00famero de assassinatos no campo retomou uma tend\u00eancia de alta, e um novo \u201cciclo de massacres\u201d se iniciou, com um n\u00famero de 260 assassinatos entre 2015 e 2020.<\/p>\n<p>Conforme podemos verificar na Tabela Assassinatos no Campo de 2003 \u00e0 2020, elaborada com dados da CPT, podemos verificar entre 2003 \u00e0 2020 sempre houve a cada ano mais de uma dezena de assassinatos no campo.<strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>Os dados pesquisados e expostos pela Comiss\u00e3o Pastoral da Terra traduzem o quanto \u00e9 grave a quest\u00e3o conjuntural do pa\u00eds, evidenciando o contexto do avan\u00e7o conservador e demonstrando que, caso n\u00e3o haja uma radical altera\u00e7\u00e3o na quest\u00e3o pol\u00edtica nacional, os golpes contra a incipiente democracia brasileira s\u00f3 tendem a se aprofundar, afetando ainda mais as popula\u00e7\u00f5es do campo e os segmentos sociais menos privilegiados pol\u00edtica e economicamente, exigindo aten\u00e7\u00e3o porque tamb\u00e9m aponta para o risco de agravamento dos conflitos nos pr\u00f3ximos anos em fun\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria crise p\u00f3s-pandemia do Covid-19.<\/p>\n<figure id=\"attachment_6451\" aria-describedby=\"caption-attachment-6451\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6451\" src=\"https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Coronavirus.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"410\" srcset=\"https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Coronavirus.jpg 768w, https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Coronavirus-300x160.jpg 300w, https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Coronavirus-750x400.jpg 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6451\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Coronav\u00edrus<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>Toda essa impunidade fica mais alarmante ainda quando se percebem os n\u00fameros que tratam da judicializa\u00e7\u00e3o dos referidos casos de assassinato: ao longo dos 33 anos de cataloga\u00e7\u00e3o (1985-2018), 1938 pessoas foram executadas em conflitos por terra, \u00e1gua e trabalho no Brasil. Em 1789 desses casos (92%) n\u00e3o houve qualquer respons\u00e1vel julgado ou preso e dos 137 que chegaram a ser julgados, 92 executores obtiveram condena\u00e7\u00e3o e s\u00f3 31 mandantes foram condenados, com 14 absolvidos. Por\u00e9m, se f\u00f4ssemos atr\u00e1s dos 31 mandantes condenados, por exemplo, provavelmente n\u00e3o encontrar\u00edamos nenhum deles na cadeia, porque todos eles est\u00e3o soltos.<a name=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Segundo a CPT chama ainda mais aten\u00e7\u00e3o o tema da impunidade e da atua\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico quando observamos os casos dos massacres no campo, por serem crimes que atraem maior aten\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica, os \u00edndices de impunidade s\u00e3o relativamente menores, mas dos poucos casos que ensejaram pris\u00f5es e condena\u00e7\u00f5es criminais, raros foram aqueles que implicaram executores e seus mandantes.<\/p>\n<p>Toda essa impunidade segundo Costa, Maia &amp; Outros (2021):<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 mero produto da precariedade das ferramentas de investiga\u00e7\u00e3o criminal, mas resulta dos v\u00ednculos profundos, no m\u00ednimo, por omiss\u00e3o, entre agentes do Estado e os agentes do latif\u00fandio implicados nessas mortes. [&#8230;] Ao longo do inqu\u00e9rito policial e do processo criminal, h\u00e1 muitos \u201catores com poder de veto\u201d que podem agir na perspectiva de afastar a imputa\u00e7\u00e3o desses delitos a seus respectivos mandantes e executores: policiais civis e militares, investigadores, peritos, delegados, promotores, ju\u00edzes, desembargadores, advogados etc. (COSTA, MAIA &amp; OUTROS, 2021, p. 209)<\/p>\n<p>Ent\u00e3o dessa forma podemos perceber que a impunidade tem como um de seus principais combust\u00edveis a omiss\u00e3o do Estado e a proximidade dos agentes p\u00fablicos com os mandantes e at\u00e9 mesmo com os executores dos crimes de assassinatos. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que ap\u00f3s o golpe pol\u00edtico contra Dilma Rousseff e sob o governo golpista de Michel Temer, tivemos em 2017, o expressivo n\u00famero de 71 assassinatos no campo brasileiro. Esse inclusive foi o ano mais violento no campo brasileiro desde 2003, quando 70 pessoas foram assassinadas por quest\u00f5es fundi\u00e1rias.<a name=\"_ftnref3\" href=\"#_ftn3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Junto a esse quadro estarrecedor temos uma situa\u00e7\u00e3o que contribui de forma muito negativa para a amplia\u00e7\u00e3o dos assassinatos no campo brasileiro, que \u00e9 o fim da pol\u00edtica de reforma agr\u00e1ria, onde as desapropria\u00e7\u00f5es de terras foram drasticamente encerradas e prejudicadas com grandes cortes no or\u00e7amento da Uni\u00e3o. Isso foi rapidamente interpretado pelos setores do agroneg\u00f3cio, pelos latifundi\u00e1rios, pelos grileiros de terras, por garimpeiros, madeireiros e outros interessados em ampliar os seus neg\u00f3cios e o crescimento de suas propriedades rurais como um sinal verde para matar posseiros, pequenos propriet\u00e1rios, ribeirinhos, ind\u00edgenas, quilombolas, assentados.<\/p>\n<figure id=\"attachment_6850\" aria-describedby=\"caption-attachment-6850\" style=\"width: 1170px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6850\" src=\"https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Palacio-do-Planalto.jpg\" alt=\"\" width=\"1170\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6850\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Pal\u00e1cio do Planalto<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 2020 entre as 35 pessoas que sofreram tentativas de assassinato, ou homic\u00eddio tentado, 12 foram ind\u00edgenas, 34% das v\u00edtimas. No que diz respeito \u00e0s amea\u00e7as de morte, entre as 159 pessoas amea\u00e7adas, 25 s\u00e3o ind\u00edgenas, 16% das v\u00edtimas. Esses dados revelam que as lideran\u00e7as ind\u00edgenas est\u00e3o \u00e0 merc\u00ea de uma viol\u00eancia engendrada a partir de uma postura governamental que incentiva as invas\u00f5es e a explora\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios.<a name=\"_ftnref4\" href=\"#_ftn4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>J\u00e1 no primeiro ano do Governo de Jair Bolsonaro uma a cada tr\u00eas fam\u00edlias do campo estavam envolvidas em conflitos por terra no ano de 2019. Foram quase 50 mil em todo o pa\u00eds. Em 2019, houve tamb\u00e9m 930 despejos de fam\u00edlias ind\u00edgenas e 320 expuls\u00f5es por propriet\u00e1rios de terras e grileiros, todos interessados em explorar as terras ind\u00edgenas e suas riquezas minerais ou madereiras. <a name=\"_ftnref5\" href=\"#_ftn5\">[5]<\/a> A expuls\u00e3o de fam\u00edlias ind\u00edgenas ou brancas de suas terras na Amaz\u00f4nia brasileira n\u00e3o acontece de forma pac\u00edfica: oito em cada dez assassinatos no pa\u00eds envolvem conflitos de terra, sendo que nos estados da Amaz\u00f4nia Legal essa ocorr\u00eancia \u00e9 mais forte. \u00c9 na regi\u00e3o onde tamb\u00e9m ocorrem a maioria das tentativas de assassinato e as amea\u00e7as de morte. Uma das regi\u00f5es onde os assassinatos s\u00e3o mais frequentes \u00e9 Anapu, Par\u00e1, que desde 2015 registrou mais de uma dezena de mortes, duas delas ocorridas em dezembro de 2020: a do l\u00edder sem-terra M\u00e1rcio Rodrigues dos Reis e do conselheiro tutelar Paulo Anacleto.<\/p>\n<p>Mas se essas mortes j\u00e1 eram insuport\u00e1veis a pandemia de Covid-19 cuidou de respingar tintas ainda mais sinistras em um quadro j\u00e1 f\u00fanebre. Segundo nos informa o Relat\u00f3rio Conflitos no Campo 2020, publicado pela CPT-Nacional, a morte de trabalhadores rurais e principalmente de ind\u00edgenas e quilombola, que faleceram relativos \u00e0 pandemia, se mostrou especialmente destrutivo nas comunidades tradicionais ind\u00edgenas e quilombolas. De acordo com a Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (Apib), at\u00e9 15 de abril de 2021, 52.406 ind\u00edgenas, de 163 diferentes povos, haviam sido infectados pelo novo coronav\u00edrus, com 1.038 \u00f3bitos. <a name=\"_ftnref6\" href=\"#_ftn6\">[6]<\/a><\/p>\n<p>Se no contexto geral, as mortes provocadas pela COVID-19 foram intensificadas pelo governo Bolsonaro at\u00e9 se converterem em genoc\u00eddio, o mortic\u00ednio entre os povos origin\u00e1rios adquiriu um sentido muito mais amplo e l\u00fagubre. O povo Munduruku, enlutado e so\u00e7obrado pela perda de 11 lideran\u00e7as idosas, at\u00e9 meados de 2020, lamentou seus mortos de forma expressiva, chamando-os de \u201cEncantados\u201d em um depoimento comovente:<\/p>\n<p>A epidemia est\u00e1 sendo uma das formas de destrui\u00e7\u00e3o de nosso povo, a morte dos nossos s\u00e1bios, nossos velhos, nossos conhecedores. \u00c9 como se uma biblioteca estivesse sendo queimada porque sem ela a gente n\u00e3o tem como aprender, o que ensinar para os filhos. Todo mundo est\u00e1 sujeito \u00e0 morte e doen\u00e7a, mas com a pandemia vem acontecendo tudo muito r\u00e1pido e n\u00e3o tem havido tempo de transmitir esse conhecimento, essa orienta\u00e7\u00e3o. Se perdermos um anci\u00e3o, j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil, imagine perder v\u00e1rios ao mesmo tempo. \u00c9 muito dolorido, nosso cora\u00e7\u00e3o fica paralisado. (CPT-2020, p.08)<\/p>\n<p>Desse modo podemos perceber que pandemia de Covid-19 evidenciou a situa\u00e7\u00e3o de abandono das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, inclusive com a morte de anci\u00f5es que s\u00e3o verdadeiras mem\u00f3rias vivas de seus povos e que ao morrerem deixam uma lacuna cultural e de conhecimento insubstitu\u00edvel, algo extremamente doloroso e sentido por in\u00fameros povos ind\u00edgenas do Brasil. De acordo com a CPT (2021) para conter o avan\u00e7o do v\u00edrus, muitas comunidades ind\u00edgenas instalaram barreiras sanit\u00e1rias aut\u00f4nomas. Contudo, sem apoio do poder p\u00fablico, a a\u00e7\u00e3o de invasores, como grileiros, madeireiros, mineradoras e garimpeiros, se robusteceu, ao aproveitar a restri\u00e7\u00e3o de mobilidade apenas para as suas v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Em 2020, foram contabilizados cerca de 20.000 garimpeiros dentro das terras Ianom\u00e2mi, em Roraima. No \u00a0\u00a0\u00a0Par\u00e1, nas terras Apyterewa, do povo Parakan\u00e3, que virou not\u00edcia ap\u00f3s grileiros e madeireiros sitiarem uma base de fiscaliza\u00e7\u00e3o em seu interior e impedir agentes p\u00fablicos de deixarem o local na base da bala e da intimida\u00e7\u00e3o armada.A terra do povo Parakan\u00e3 (PA) \u00e9 uma terra homologada h\u00e1 anos, mas como \u00e9 uma terra com diversas riquezas naturais, acabou por despertar a cobi\u00e7a de grileiros e madeireiros que invadiram 80% do territ\u00f3rio com um contingente de cerca de 1.500 pessoas para explorar madeira e praticar minera\u00e7\u00e3o. Esses ocupantes al\u00e9m de roubar as riquezas da terra ind\u00edgena disseminam livremente o v\u00edrus, fazendo dele mais uma arma letal contra o povo Parakan\u00e3.<\/p>\n<p>Mas essa completa aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 presente apenas nas comunidades tradicionais ind\u00edgenas, est\u00e1 tamb\u00e9m presente nas comunidades quilombolas, que diante da grave crise sanit\u00e1ria, conforme a Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Articula\u00e7\u00e3o das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), em 24 de novembro de 2020, havia 4.646 casos confirmados, com 169 \u00f3bitos. Seguindo esses casos, at\u00e9 o per\u00edodo de 29 de abril de 2021, foram confirmados 5.329 casos, com o triste saldo de 270 \u00f3bitos, uma letalidade de 5,06%, quase duas vezes maior que o \u00edndice nacional, de 2,8%1. O Par\u00e1 \u00e9 inclusive o estado mais impactado com 79 mortes, 29,3% do total. <a name=\"_ftnref7\" href=\"#_ftn7\">[7]<\/a><\/p>\n<p>Hoje sob o governo do presidente Bolsonaro o aumento dos conflitos no campo vem gerando tamb\u00e9m um expressivo n\u00famero de assassinatos, inclusive de l\u00edderes ind\u00edgenas, com 15 assassinatos de l\u00edderes ind\u00edgenas entre os anos de 2019\/2020, (oito em 2019 e sete em 2020), o que demonstra que h\u00e1 uma estrat\u00e9gia de desmobilizar o grupo atrav\u00e9s do assassinato de lideran\u00e7as. Especificamente em 2019 tamb\u00e9m houve registro de\u00a0 dois ind\u00edgenas n\u00e3o-l\u00edderes que foram mortos, o que elevou o n\u00famero total de ind\u00edgenas assassinados em conflitos\u00a0 no campo em 2019 para nove ind\u00edgenas.<a name=\"_ftnref8\" href=\"#_ftn8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>As lideran\u00e7as ind\u00edgenas s\u00e3o mortas e amea\u00e7adas para que os fazendeiros, madereiros, garimpeiros e outros interessados em ocupar as terras ind\u00edgenas possam agir livres ou mesmo manipular os ind\u00edgenas para aceitarem a extra\u00e7\u00e3o de madeira, a implanta\u00e7\u00e3o de garimpos e\u00a0 planta\u00e7\u00f5es de soja dentro do seu territ\u00f3rio. Muitas vezes os pr\u00f3prios fazendeiros iniciam uma estrat\u00e9gia de divis\u00e3o e ciz\u00e2nia entre as lideran\u00e7as ind\u00edgenas para melhor conseguir viabilizar os seus interesses. Por\u00e9m a novidade agora \u00e9 que o pr\u00f3prio governo Bolsonaro est\u00e1 tamb\u00e9m realizando esse movimento.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 o que vem acontecendo no munic\u00edpio de Primavera do Leste, Mato Grosso, onde o Sindicato Rural ap\u00f3s receber uma visita do Presidente Jair Bolsonaro em sua Feira Agr\u00edcola (FarmShow), em 2019, resolveu acatar uma proposta do chefe do governo em fazer do povo A\u2019Uwe Xavante, um laborat\u00f3rio de sua \u201cantipol\u00edtica indigenista\u201d, implantando a Cooperativa Agr\u00edcola COOIGRANDESAN (Cooperativa Ind\u00edgena Sangradouro e Volta Grande), proposta por Bolsonaro como uma forma de congrega\u00e7\u00e3o de\u00a0 todos os ind\u00edgenas que vivem em 58 aldeias ind\u00edgenas A\u2019Uwe Xavante no munic\u00edpio de Primavera do Leste, com intuito de lutar pela modifica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o que pro\u00edbe aos ind\u00edgenas de promoverem atividades econ\u00f4micas de grandes propor\u00e7\u00f5es em suas terras, bem como de arrendamento para os produtores de soja.\u00a0 De acordo com Bolsonaro e os produtores rurais esse seria o \u201cProjeto Independ\u00eancia Ind\u00edgena\u201d,\u00a0 aprovado e incentivado pela atual gest\u00e3o da Funai, em articula\u00e7\u00e3o com o Sindicato Rural de Primavera do Leste\/MT. Todavia ao contr\u00e1rio do que o nome do projeto pretende transparecer, ele nada tem de independ\u00eancia ou autonomia para o povo A\u2019Uwe Xavante. Na verdade, o projeto \u00e9 mais um estimulo \u00e0 depend\u00eancia e apropria\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio ind\u00edgena com ares de legalidade e sob falsa e hip\u00f3crita justificativa de desenvolvimento econ\u00f4mico das comunidades ind\u00edgenas, o que se pretende \u00e9 apropriar-se das terras ind\u00edgenas, provocar diverg\u00eancias entre as comunidades ind\u00edgenas, gerar conflitos e destrui\u00e7\u00e3o da cultura tradicional e secular dos ind\u00edgenas, melhor forma de enfraquece-los, de derrota-los.<\/p>\n<p>Nesse sentido, n\u00e3o foi \u00e0 toa que o Presidente Bolsonaro disse que daria total apoio a altera\u00e7\u00e3o legislativa se isso fosse uma vontade dos pr\u00f3prios ind\u00edgenas, pois isso iria gerar autonomia e melhoria na qualidade de vida de todos. A partir da\u00ed o agroneg\u00f3cio da regi\u00e3o com\u00a0 intuito de estabelecer uma esp\u00e9cie de \u201cCavalo de Troia\u201d dentro das reservas, adotou uma estrat\u00e9gia agressiva de convencimento dos ind\u00edgenas. Todavia se isso de fato acontecer, em poucos anos essas reservas ser\u00e3o totalmente destru\u00eddas.<\/p>\n<p>Fazendo uma intensa propaganda de apoio financeiro aos ind\u00edgenas, a promessa que a Cooperativa COOIGRANDESAN apresentou aos \u00edndios \u00e9 de que eles al\u00e9m de arrendar suas terras poderiam ser produtores de soja, rompendo com o ciclo de precariza\u00e7\u00e3o da vida, a pobreza e suas dificuldades. Segundo os argumentos do agroneg\u00f3cio e o dinheiro pago pela Cooperativa aos ind\u00edgenas\u00a0 poderiam propiciar uma vida melhor as comunidades, com mais sa\u00fade, fartura, mais alimenta\u00e7\u00e3o e melhores condi\u00e7\u00f5es de moradia, transporte e infraestrutura.<\/p>\n<p>Com esse discurso e as promessas de Jair Bolsonaro, houve uma grande\u00a0 coopta\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as ind\u00edgenas com o apoio de muitos caciques, que resolveram majoritariamente viabilizar a proposta apresentada. Todavia em uma aldeia Xavante houve um jovem l\u00edder ind\u00edgena chamado Hiparidi Toptir\u00f3 que decidiu liderar um grupo contr\u00e1rio ao aluguel de suas terras ou passarem a ser produtores de soja, com destrui\u00e7\u00e3o de sua cultura e modo tradicional de vida.\u00a0 Por causa de sua postura de resist\u00eancia e luta o l\u00edder ind\u00edgena Hiparidi Toptir\u00f3 se encontra amea\u00e7ado de morte, com diversas amea\u00e7as proferidas contra ele. Essa \u00e9 exatamente a postura do agroneg\u00f3cio quando enfrenta qualquer tipo de resist\u00eacia aos seus intentos expansionistas e de apropria\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas. Isso est\u00e1 acontecendo em Mato Grosso do Sul, em Mato Grosso e por toda a Amaz\u00f4nia\u00a0 Legal, inclusive com elevado n\u00famero de assassinatos de lideran\u00e7as e caciques.<\/p>\n<p>Em um momento atribulado de sua luta de resist\u00eancia Hiparidi Toptir\u00f3 (2021) nos deu a seguinte declara\u00e7\u00e3o em uma entrevista: O quadro \u00e9 grave, \u00e9 nosso modo de vida que est\u00e1 amea\u00e7ado, n\u00e3o h\u00e1 alternativas para nossa cultura e rela\u00e7\u00e3o com o R\u00f3 sem o cerrado. Os ruralistas n\u00e3o satisfeitos em desmatar tudo em volta das Terras Ind\u00edgenas, agora com essa Cooperativa, entra em nossa casa e derruba mais de mil hectares de mata para fazer monocultura. Infinitas esp\u00e9cies e os animais est\u00e3o amea\u00e7ados. Sem o cerrado, ficaremos cada vez mais dependente do agroneg\u00f3cio e dos produtos dos Waradzu. Como vamos viver?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse todo o ass\u00e9dio, ainda tentam nos intimidar. As lideran\u00e7as Auw\u00e9 que se op\u00f5em ao projeto s\u00e3o assediadas, s\u00e3o xingadas, s\u00e3o amea\u00e7adas e denunciadas como corruptas. Da mesma maneira que tentam calar os dirigentes e lideran\u00e7as de nossas organiza\u00e7\u00f5es, tentam esconder da sociedade brasileira que vivemos uma pol\u00edtica genocida e diversionista do Governo Federal. Mas somamos nossa for\u00e7a \u00e0 Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil \u2013 APIB e a todas as organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas que lutam na defesa de nossos direitos e dos nossos territ\u00f3rios, n\u00e3o vamos nos calar, n\u00e3o vamos nos amedrontar, nossa resist\u00eancia \u00e9 secular e n\u00e3o ser\u00e1 esse governo fascista que ir\u00e1 nos derrotar. A Associa\u00e7\u00e3o Xavante War\u00e3 continuar\u00e1 atuando por um projeto de futuro para o povo Auw\u00e9 Xavante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As trilhas e o esp\u00edritos do R\u00f3 e a defesa e a demarca\u00e7\u00e3o dos nossos territ\u00f3rios s\u00e3o os \u00fanicos caminhos para a verdadeira autonomia povo Auw\u00e9 Xavante. Repudiamos o Projeto de Depend\u00eancia Ind\u00edgena ao Agroneg\u00f3cio, implementado na TI Sangradouro. Tamb\u00e9m repudiamos as proposi\u00e7\u00f5es legislativas que visam dar suporte e legalizar os projetos de explora\u00e7\u00e3o e morte dos povos ind\u00edgenas, como os Projetos de Lei 191, que regulamenta a minera\u00e7\u00e3o, aproveitamento hidrel\u00e9trico e outras atividades em terras ind\u00edgenas e o Projeto de Lei 3729 que altera o Licenciamento Ambiental. Para n\u00f3s n\u00e3o existe sa\u00eddas a partir dos que os brancos latifundistas prop\u00f5em. Esse \u00e9 o caminho da destrui\u00e7\u00e3o de nosso povo. (TOPTIR\u00d3, entrevista a MATTOS, 2021, p.04)<\/p>\n<p>Desse modo, podemos perceber que a persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s lideran\u00e7as e organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas que n\u00e3o se curvam aos interesses do agroneg\u00f3cio, a explora\u00e7\u00e3o madeireira e as riquezas minerais nas terras ind\u00edgenas \u00e9 atualmente uma pol\u00edtica deliberada do Governo Federal e do agroneg\u00f3cio brasileiro. Com Bolsonaro no governo, o Estado n\u00e3o existe mais nas terras ind\u00edgenas e a viol\u00eancia toma conta para que madereiros, fazendeiros e garimpeiros, imponham seus interesses nas terras ind\u00edgenas, inclusive com a elimina\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes e todos aqueles que n\u00e3o aceitam a invas\u00e3o branca. \u00a0 Al\u00e9m da invas\u00e3o de suas terras, da tentativa de destrui\u00e7\u00e3o de sua cultura tradicional os ind\u00edgenas\u00a0 sofreram em 2019 e 2020, os dois primeiros anos do governo Bolsonaro, in\u00fameras\u00a0 tentativas de homic\u00eddio,\u00a0 amea\u00e7as de morte, al\u00e9m de dezenas de agress\u00f5es e intimida\u00e7\u00f5es. Somente no ano de 2020, entre os 18 assassinatos registrados pela Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), no contexto dos conflitos no campo, sete foram de ind\u00edgenas, 39% das v\u00edtimas.<a name=\"_ftnref9\" href=\"#_ftn9\">[9]<\/a><\/p>\n<p>Os n\u00fameros do Relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil, da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, revelam a dimens\u00e3o das pessoas afetadas: foram mais de 100 mil fam\u00edlias atingidas apenas nos estados da Amaz\u00f4nia Legal em 2019. Dessas, mais de seis mil foram expulsas ou despejadas de suas terras com viol\u00eancia, uso de pistoleiros, assassinatos, amea\u00e7as, trucul\u00eancia e todo tipo de ilegalidades e inoper\u00e2ncia da pol\u00edcia e da presen\u00e7a do Estado. Por\u00e9m aquilo que j\u00e1 era n\u00fameros dram\u00e1ticos ficaram ainda pior, pois conforme o Relat\u00f3rio Conflitos no Campo 2020, lan\u00e7ada pela CPT no dia 31\/05\/2021, houve 1.576 ocorr\u00eancias de conflitos por terra em 2020, o maior n\u00famero desde 1985, quando o relat\u00f3rio come\u00e7ou a ser publicado, 25% superior a 2019 e 57,6% a 2018.<a name=\"_ftnref10\" href=\"#_ftn10\">[10]<\/a><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) indica no seu Relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil identificou mais de 6 mil casos de pistolagem em situa\u00e7\u00f5es de conflitos de terra na Amaz\u00f4nia e mais de 33 mil ocorr\u00eancias de invas\u00f5es em terras de fam\u00edlias que vivem no campo. Os n\u00fameros de ocorr\u00eancias de pistolagem e invas\u00f5es tamb\u00e9m aumentaram, com conflitos marcados por inoper\u00e2ncia da justi\u00e7a, que se arrastam por d\u00e9cadas e registram a escalada da viol\u00eancia com fam\u00edlias atacadas a tiros, suas casas e planta\u00e7\u00f5es queimadas.<\/p>\n<p>Um dos tipos de viol\u00eancia que tamb\u00e9m vem crescendo \u00e9 a viol\u00eancia contra as mulheres. A cada tr\u00eas dias uma mulher sofreu viol\u00eancia em conflitos no campo. Em 2019, o levantamento da CPT apontou tr\u00eas assassinatos de mulheres, tr\u00eas tentativas e 47 amea\u00e7as de morte. Situa\u00e7\u00e3o vivida, por exemplo, por Maria M\u00e1rcia Elp\u00eddia de Melo, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores e Produtoras Rurais Nova Vit\u00f3ria, uma das cinco associa\u00e7\u00f5es de assentados do Projeto de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (PDS) Terra Nossa, assentamento de reforma agr\u00e1ria situado entre as \u00e1reas rurais de Novo Progresso e Altamira, no Par\u00e1. M\u00e1rcia Elp\u00eddia afirmou que vem sofrendo amea\u00e7as constantes por causa de den\u00fancias que fez contra a explora\u00e7\u00e3o ilegal de recursos naturais (sobretudo madeira e ouro), venda de lotes e os assassinatos no interior do assentamento. Em um depoimento dado aos jornalistas Fonseca e Domenici (2020) Marcia disse: \u201cEu sei que eu vou morrer. Eu me conformo com a minha morte. Eu s\u00f3 n\u00e3o quero que matem meu filho\u201d, disse emocionada em setembro de 2019.<a name=\"_ftnref11\" href=\"#_ftn11\">[11]<\/a><\/p>\n<p>A pistolagem parece ter uma aten\u00e7\u00e3o especial as mulheres, n\u00e3o importando se s\u00e3o donas de casa, sindicalistas ou religiosas. Isso pode ser evidenciado em Anapu, onde foi morta a irm\u00e3 Dorothy Mae Stang, conhecida como Irm\u00e3 Dorothy, uma religiosa norte-americana naturalizada brasileira, que pertencia \u00e0s Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s de Notre Dame de Namur, Congrega\u00e7\u00e3o religiosa feminina da\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Igreja_Cat%C3%B3lica\">Igreja Cat\u00f3lica<\/a>, dedicada \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Educa%C3%A7%C3%A3o\">educa\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0dos mais pobres, fundada em <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1804\">1804<\/a>, em\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Amiens\">Amiens<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fran%C3%A7a\">Fran\u00e7a<\/a>.<\/p>\n<p>Irm\u00e3 Dorothy era agente pastoral da CPT e foi assassinada com seis tiros em 12\/02\/2005, numa emboscada, a mando dos fazendeiros Vitalmiro de Bastos Moura (o Bida) e de Regivaldo Galv\u00e3o (o Tarad\u00e3o), que agenciaram os pistoleiros por R$ 50 mil reais para impedir a religiosa organizasse os trabalhadores do Assentamento Esperan\u00e7a para viabilizarem o Projeto de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (PDS), uma alternativa ao uso da floresta amaz\u00f4nica sem queimada, sem desmatamento e uso agroecol\u00f3gico da terra. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Anapu \u00e9 um dos tantos pontos da imensid\u00e3o amaz\u00f4nica onde prevalecem os conflitos pela terra. Ap\u00f3s o assassinato da Irm\u00e3 Dorothy, o Assentamento Esperan\u00e7a virou um cen\u00e1rio de faroeste, com press\u00f5es e amea\u00e7as p\u00fablicas, desmatamentos ilegais e muita viol\u00eancia, que terminaram por gerar novas mortes de trabalhadores rurais. Essa triste realidade est\u00e1 presente em toda a Amaz\u00f4nia e a viol\u00eancia vem crescendo sob o Governo de Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>Bolsonaro est\u00e1 com seus dias de governo contados, ou ser\u00e1 derrubado at\u00e9 o final de 2021 ou ser\u00e1 enxotado pelo voto no fim de 2022, a grande quest\u00e3o colocada \u00e9 que tudo indica que Bolsonaro e os Bolsominions mais radicais, aqueles que se acostumaram a resolver suas diverg\u00eancias na base das armas, da viol\u00eancia, da amea\u00e7a, da agress\u00e3o f\u00edsica e das a\u00e7\u00f5es criminosas, ser\u00e3o os mesmos que tentar\u00e3o criar um caos social para ver se estimula uma interven\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas. Um mal sinal para um pa\u00eds que tem uma longa tradi\u00e7\u00e3o de tutela militar e pouca capacidade de resolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica de seus conflitos.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a morte do bandido L\u00e1zaro Barbosa poder\u00e1 ter sido apenas mais um exerc\u00edcio das pr\u00e1ticas ilegais e criminosas que j\u00e1 s\u00e3o implementadas a anos no Brasil e um exemplo das que est\u00e3o por vir, com apoio de governadores, prefeitos, parlamentares e das pr\u00f3prias For\u00e7as Armadas. Por isso \u00e9 preciso dizer: pa\u00eds que naturaliza e se encanta com a barb\u00e1rie acaba sendo engolido por ela. Tor\u00e7o sinceramente para que esse n\u00e3o seja o caminho que o pa\u00eds seguir\u00e1, pois esse \u00e9 um sendeiro de sangue, morte, sofrimento e dor, ainda que hoje alguns soltem foguetes, fa\u00e7am carreatas e comemorem a morte de um criminoso, amanh\u00e3 poder\u00e3o ser nossos filhos, nossos amigos, os que tem coragem e for\u00e7a de ir para as lutas sociais. Por\u00e9m, \u00e9 preciso lembrar que at\u00e9 o pior dos genocidas merece ser julgado, sentenciado e condenado. A pior pena \u00e9 a de vida, aquela que faz doer no bolso, na falta de liberdade, no fim do poder pol\u00edtico e na imposi\u00e7\u00e3o da democracia ao pa\u00eds. Fora Bolsonaro, cadeia e julgamento justo para todos os corruptos do Brasil!<\/p>\n<figure id=\"attachment_5672\" aria-describedby=\"caption-attachment-5672\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5672\" src=\"https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Paulo-Henrique-Costa-Mattos-1.jpg\" alt=\"Paulo Henrique Costa Mattos\" width=\"960\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Paulo-Henrique-Costa-Mattos-1.jpg 960w, https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Paulo-Henrique-Costa-Mattos-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Paulo-Henrique-Costa-Mattos-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Paulo-Henrique-Costa-Mattos-1-360x240.jpg 360w, https:\/\/renatodias.online\/movimento\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Paulo-Henrique-Costa-Mattos-1-750x500.jpg 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5672\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Paulo Henrique Costa Mattos<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>\u00a0Paulo Henrique Costa Mattos, Professor de Sociologia, Hist\u00f3ria e Direitos Humanos da Unirg (Universidade de Gurupi-TO)<\/strong><\/p>\n<p><a name=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0 CPT (COMISS\u00c3O PASTORAL DA TERRA, Relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil 2020, Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Dom Tom\u00e1s Balduinom CPT-Nacional, maio de 2021, p, 209. Divulgado em: <a href=\"mailto:cpt@cptnacional.org.br\">cpt@cptnacional.org.br<\/a>. Consultado em 31\/05\/2021.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn2\" href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil 2020, CPT (Comiss\u00e3o Pastoral da Terra)\/Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Dom Tom\u00e1s Bedu\u00edno, Goi\u00e2nia, abril de 2020, p. 209<\/p>\n<p><a name=\"_ftn3\" href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> Relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil 2019, Comiss\u00e3o Pastoral da Terra\/Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Dom Tom\u00e1s Bedu\u00edno, Goi\u00e2nia, abril de 2020, p. 9.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn4\" href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> Op. Cit. Relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil, CPT, 2020, p. 153<\/p>\n<p><a name=\"_ftn5\" href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> Relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil 2019, Comiss\u00e3o Pastoral da Terra\/Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Dom Tom\u00e1s Bedu\u00edno, Goi\u00e2nia, abril de 2020. Divulgado em: Divulgado em: <a href=\"mailto:cpt@cptnacional.org.br\">cpt@cptnacional.org.br<\/a>. Consultado em 31\/05\/2021, p. 10<\/p>\n<p><a name=\"_ftn6\" href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> Relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil 2020, Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Dom Tom\u00e1s Balduinom CPT-Nacional, maio de 2021. Divulgado em: <a href=\"mailto:cpt@cptnacional.org.br\">cpt@cptnacional.org.br<\/a>. Consultado em 31\/05\/2021, p. 08<\/p>\n<p><a name=\"_ftn7\" href=\"#_ftnref7\">[7]<\/a> Op. Cit. Relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil 2020, p. 08.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn8\" href=\"#_ftnref8\">[8]<\/a> FONSECA, Bruno e\u00a0 DOMENICI, Thiago, Reportagem: Sob Governo Bolsonaro, Conflitos No Campo Aumentam e Assassinatos de Ind\u00edgenas Batem Recorde. Divulgado em: <a href=\"https:\/\/apublica.org\/2020\/04\/.Consultado\">https:\/\/apublica.org\/2020\/04\/.Consultado<\/a> em 18\/12\/2020.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn9\" href=\"#_ftnref9\">[9]<\/a> Op. Cit. Relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil, CPT, 2020, p. 152<\/p>\n<p><a name=\"_ftn10\" href=\"#_ftnref10\">[10]<\/a> Relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil 2020, Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Dom Tom\u00e1s Balduinom CPT-Nacional, maio de 2021. Divulgado em: <a href=\"mailto:cpt@cptnacional.org.br\">cpt@cptnacional.org.br<\/a>. Consultado em 31\/05\/2021, p. 07<\/p>\n<p><a name=\"_ftn11\" href=\"#_ftnref11\">[11]<\/a> Op. Cit. FONSECA, Bruno e\u00a0 DOMENICI, Thiago, Reportagem: Sob Governo Bolsonaro, Conflitos No Campo Aumentam e Assassinatos de Ind\u00edgenas Batem Recorde. Divulgado em: <a href=\"https:\/\/apublica.org\/2020\/04\/.Consultado\">https:\/\/apublica.org\/2020\/04\/.Consultado<\/a> em 18\/12\/2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Necropol\u00edtica de Jair Bolsonaro \u00a0 Paulo Henrique Costa Mattos \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Brasil comemorou de forma macabra o assassinato de L\u00e1zaro Barbosa um criminoso que esteve preso algumas vezes fugindo devido \u00e0 incompet\u00eancia e corrup\u00e7\u00e3o do sistema carcer\u00e1rio brasileiro, que \u00e9 uma verdadeira escola do crime e n\u00e3o tem capacidade de ressocializar ningu\u00e9m, mesmo tendo 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do Curso de Psican\u00e1lise do Centro de Estudos Psicanal\u00edticos do Estado de Goi\u00e1s, ministrado pelo m\u00e9dico psiquiatra e psicanalista Daniel Em\u00eddio de Souza. \u00c9 autor de 30 livros-reportagem, oito document\u00e1rios, ganhou 30 pr\u00eamios e \u00e9 torcedor apaixonado do maior do Centro-Oeste, o Vila Nova Futebol Clube. Casado com Meirilane Dias, \u00e9 pai de Juliana Dias, jornalista; Daniel Dias, economista; e Maria Rosa Dias, estudante antifascista, socialista e trotskista.\u00a0Com tr\u00eas pets: Porquinho [Bull Dog Franc\u00eas], Dalila [Basset Hound] e Geleia [Basset Hound]. 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ministrado pelo m\u00e9dico psiquiatra e psicanalista Daniel Em\u00eddio de Souza. \u00c9 autor de 30 livros-reportagem, oito document\u00e1rios, ganhou 30 pr\u00eamios e \u00e9 torcedor apaixonado do maior do Centro-Oeste, o Vila Nova Futebol Clube. 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